Manoel Vieira da Cunha, nascido por volta de 1810, contraiu matrimônio com Maria José de Santana, filha de José Simões dos Santos, constante no capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves sob a referência TN 3, e de Ana Joaquina do Sacramento, conforme assento lavrado aos trinta dias do mês de abril de mil oitocentos e trinta e dois, pelas dez horas da manhã, na Matriz de Santa Anna do Seridó, após as canônicas denunciações, confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, ocasião em que foram unidos e abençoados os nubentes Manoel Vieira da Cunha e Maria José de Santa Anna, ele filho legítimo de Cosme Pereira da Costa e de Maria Pereira da Cunha, já falecida, e ela filha de José Simões dos Santos e de Ana Joaquina do Sacramento, todos moradores na freguesia, tendo servido de testemunhas Gorgônio Pais de Bulhões, solteiro, e João Alves de Carvalho, casado, igualmente moradores no lugar, sendo o termo lavrado e assinado pelo coadjutor pro-parocho Manoel José Fernandes. Maria José de Santana veio a falecer aos vinte e três dias do mês de janeiro de mil oitocentos e cinquenta e um, sendo sepultada na referida matriz, acima das grades, como consta do assento em que se registra ter sido moradora da freguesia, casada com Manoel Vieira da Cunha, falecida das consequências de um parto, aos trinta e cinco anos de idade, com os sacramentos, envolta em hábito branco e solenemente encomendada pelo reverendo Francisco Rafael Fernandes, com licença do vigário, termo assinado pelo cônego vigário Manoel José Fernandes. Enviuvando de Maria José de Santana, Manoel Vieira da Cunha contraiu novo matrimônio com Ana Claudina das Mercês, nascida por volta de 1822, a qual faleceu aos nove dias do mês de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e sete, sendo sepultada na matriz, acima das grades, conforme assento que a descreve como moradora da freguesia, casada com Manoel Vieira da Cunha, falecida das consequências de um parto, com os sacramentos, aos trinta e cinco anos de idade, envolta em pano branco e encomendada pelo reverendo coadjutor Luiz Marinho de Freitas, com licença do vigário. Tornando a enviuvar, Manoel Vieira da Cunha contraiu terceiro matrimônio com Luzia Olímpia das Mercês, que lhe sobreviveu, vindo ele a falecer de gastrite aos vinte e um dias do mês de junho de mil oitocentos e oitenta e oito, sendo sepultado no dia seguinte no cemitério público da Cidade do Príncipe, conforme assento lavrado pelo vigário Amaro Theotônio Castor Brazil, no qual se observa, à margem, que contava setenta e oito anos de idade, sendo então descrito como adulto, casado com Luzia Olímpia das Mercês e residente no lugar denominado Manhôzo, daquela freguesia; poucos dias depois, aos vinte e nove de julho do mesmo ano de mil oitocentos e oitenta e oito, faleceu Luzia Olímpia das Mercês, adulta, viúva de Manoel Vieira da Cunha, residente no Manhôzo, vítima de inflamação, sendo sepultada no mesmo dia no cemitério público da Cidade do Príncipe, com cinquenta e seis anos presumíveis de idade, e solenemente encomendada na matriz, conforme assento correspondente.
Gorgônio Pais de Bulhões, nascido em 1810, contraiu matrimônio em 1833 com Inácia Maria da Conceição, conhecida por Inacinha, filha legítima de João Alves da Nóbrega, constante da tabela de descendência de Pedro Ferreira das Neves, e de Joana Francisca de Oliveira, estabelecendo o casal residência na fazenda Timbaúba, próxima ao Umari, às margens do rio Quipauá, atualmente denominado Barra Nova, onde edificaram uma sólida casa de morada. Gorgônio viajou com frequência em companhia do velho pai, dedicando-se à compra de gado no Piauí, vindo a falecer no curso de uma dessas viagens; por ocasião de sua morte, o velho José Batista dos Santos, morador da Timbaúba, permaneceu velando pelo gado do extinto, prestando contas à família. Em razão de seu temperamento alvoraçado, Gorgônio era conhecido pelo apelido popular de “Gangão Fuso-Doido”. Após a morte da primeira esposa, contraiu segundo matrimônio, por volta de 1840, com Mariana Umbelina da Nóbrega, filha de Francisco Álvares da Nóbrega, igualmente referida na descendência de Pedro Ferreira das Neves, constando dos antigos assentamentos da Irmandade das Almas do Caicó que Gorgônio e Mariana nela ingressaram no ano de 1844, sendo certo que Mariana já era falecida em 1857. O assento de óbito de sua primeira esposa registra que, aos três de maio de mil oitocentos e trinta e nove, foi sepultado na matriz, acima das grades, o cadáver de Inácia Maria da Conceição, mulher de Gorgônio Pais de Bulhões, moradora daquela freguesia, falecida de moléstia de barriga, sem os sacramentos, aos vinte e cinco anos de idade, envolta em pano branco e solenemente encomendada pelo padre Inácio Gonçalves de Mello, com licença do vigário, lavrando-se o respectivo termo que assinou Manoel José Fernandes, vice-vigário do Seridó. Graças à pesquisa procedida pelo doutor Jayme da Nóbrega Santa Rosa, bisneto de Gorgônio Pais de Bulhões, foi possível obter cópia do assento de óbito do próprio Gorgônio, no qual se lê que, viúvo, com cinquenta anos de idade, faleceu no primeiro de maio de mil oitocentos e sessenta e cinco, sendo sepultado no cemitério público aos dois do mesmo mês e ano, envolto em hábito branco e encomendado pelo vigário, conforme termo lavrado e assinado pelo vigário Raimundo Pereira da Costa, constante do Livro nº 19 de Assentamentos de Óbitos da Paróquia de São Mateus, da Diocese de Iguatu, Ceará, às folhas noventa e três verso.
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