Rodrigo de Medeiros Rocha, neto, conhecido na tradição local pelo cognome de Rodrigo Gordo, residente na fazenda São Paulo, contraiu matrimônio com Inácia Maria Madalena, filha de Alexandre Manoel de Medeiros e de Antônia Maria da Conceição, figurando esta na descendência de Pedro Ferreira das Neves, sendo o casal natural e morador da freguesia do Seridó, onde constituiu numerosa prole, iniciada com André, batizado na fazenda São Paulo aos vinte e quatro de março de mil oitocentos e quatro, com cerca de cinquenta e dois dias de nascido, filho legítimo de Rodrigo de Medeiros e de Inácia Maria, tendo por padrinhos Antônio Pereira e Inácia Maria da Purificação, seguindo-se Thomé de Araújo Pereira, nascido a vinte e um de dezembro de mil oitocentos e quatorze e batizado na mesma fazenda aos dez de janeiro seguinte, filho legítimo do então capitão Rodrigo de Medeiros Rocha e de Dona Inácia Maria Madalena, apadrinhado pelo capitão José Antônio de Lemos e sua mulher Dona Joana Maria de Jesus, vindo este Thomé a casar-se com sua prima legítima Maria Benedita do Monte, filha de Bartolomeu José de Medeiros e de Mariana Bezerra do Nascimento, em cerimônia realizada na fazenda São Paulo aos doze dias do mês de junho de mil oitocentos e trinta e quatro, após dispensa de sanguinidade e observância dos ritos canônicos, sendo testemunhas José Barbosa de Medeiros e João Garcia do Amaral, seguindo-se Maria, nascida a vinte e um de fevereiro de mil oitocentos e dezessete e batizada aos três de março do mesmo ano, filha legítima do capitão Rodrigo de Medeiros Rocha e de Inácia Maria Madalena, tendo por padrinhos Sebastião José de Medeiros e Damásia Maria da Conceição, depois Manoel, nascido a seis de dezembro de mil oitocentos e dezenove e batizado aos oito do mesmo mês na fazenda São Paulo, filho legítimo de Rodrigo de Medeiros Rocha e de Inácia Maria Madalena, com padrinhos Manoel de Medeiros Rocha Júnior e Ana Joaquina do Sacramento, e, por fim, Inácia, nascida a três de setembro de mil oitocentos e vinte e um e batizada aos quatorze do mesmo mês na fazenda São Paulo, filha legítima do mesmo casal, tendo por padrinhos Silvestre Garcia do Amaral e Ana Joaquina das Mercês, todos naturais da freguesia do Seridó, onde viveram e foram registrados conforme os assentos paroquiais então lavrados.
----------------------------------------Antônio Soares Pereira, filho do casal Cosme Soares Pereira e Maria do Nascimento, foi casado com Cosma de Freitas do Bonfim, não havendo menção expressa à sua presença nos livros remanescentes da antiga freguesia de Senhora Santana do Seridó, sendo a tradição e indícios documentais os que permitem situá-lo por certo tempo na freguesia do rio do Peixe e na fazenda Riachão, localizada no rio Piranhas, a cerca de meia légua ao sul da atual cidade de Jardim de Piranhas, onde teria residido e exercido suas atividades, sendo conhecido pelo apelido de Soarão, homem descrito pela tradição oral como de elevada estatura, extrema força física, braços robustos, mãos pesadas e notável valentia, tendo-se dedicado também ao ofício de almocreve, do qual derivam inúmeros episódios preservados pela memória popular, como o ocorrido durante uma viagem pela zona do brejo paraibano, quando, acometido de maleita, pediu auxílio a um brejeiro para recarregar os animais, recebendo resposta insolente, o que o levou, mesmo enfraquecido pela doença, a retaliar quebrando mandiocas na cabeça do indivíduo, bem como outro episódio passado em terras do Piauí, quando, ao pedir um copo d’água em uma casa, teve-o arrebatado repetidas vezes por um negro tido como valentão, reagindo Soarão com extrema violência ao desferir-lhe um golpe fatal com o facão que sempre trazia consigo, sendo igualmente célebre o castigo aplicado a um provocador que, imobilizado por um negro de sua confiança, recebeu um clister preparado à base de pimenta-malagueta, administrado por meio de um instrumento improvisado de bexiga de boi, figurando ainda na tradição a crença de que Soarão possuía “poderes ocultos”, como no episódio em que, acampado à beira de estrada infestada por ladrões de cavalos, deixou o seu animal solto enquanto os demais viajantes o peavam, vindo o cavalo a desaparecer durante a noite e reaparecer pouco depois, conduzido pelo próprio ladrão em estado de aparente torpor, após Soarão proferir rezas consideradas fortes, ocasião em que o ladrão foi castigado sem oferecer reação, sendo igualmente lembrado pelos banhos que tomava despido no chamado poço das Piranhas, no rio Piranhas, de onde saía com peixes presos de forma letárgica à pele, rolando em seguida na areia para deles se livrar, assim como pelo famoso murro desferido contra o primo Cosme Pereira da Costa, em plena calçada da matriz do Caicó, por este haver distribuído rapé aos presentes sem ofertá-lo ao parente, constando ainda, segundo informação transmitida pelo doutor Agostinho Brito, seu descendente, que Antônio Soares Pereira faleceu vitimado por câncer que lhe atingiu o músculo peitoral esquerdo, formando-se uma cavidade tão profunda que permitia aos curiosos observar o coração ainda em movimento, sabendo-se também que sua esposa, Cosma de Freitas do Bonfim, tida pela tradição como natural da fazenda Chabocão, em Sousa, na Paraíba, figurava em 1814 como Irmã de Mesa da Irmandade das Almas do Caicó, e que registros dessa Irmandade mencionam missas celebradas em 1840 em sufrágio da alma de Antônio Soares Pereira, sendo certo que Cosma de Freitas faleceu aos quatro dias do mês de junho de mil oitocentos e vinte e dois, na fazenda Riacho de Fora, sendo sepultada no corpo da matriz do Seridó, com cerca de sessenta anos de idade, conforme assento paroquial, do casal descendendo, entre outros, Cosme Soares Pereira, neto, casado com Maria Joaquina da Conceição, filha de João Batista dos Santos e de Maria Marcelina da Conceição, o qual em 1814 já se encontrava casado e residia na ribeira das Espinharas, passando em 1833 a morar na fazenda Riachão da freguesia do Seridó, sendo ainda vivo em 1835, bem como Maria Rosa do Nascimento, que contraiu matrimônio com Bartolomeu Correia da Silva, filho de Gonçalo Correia da Silva e de Isabel Maria de Jesus.
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Antônio Pereira de Araújo contraiu matrimônio com Maria José de Medeiros, filha de Tomaz de Araújo Pereira e de Teresa de Jesus, sendo o casal natural e morador da freguesia do Seridó, do qual nasceram diversos filhos, conforme registros paroquiais. Maria, filha legítima do alferes Antônio Pereira de Araújo e de Dona Maria José de Medeiros, nasceu aos seis de novembro de mil oitocentos e quatorze e foi batizada aos onze de dezembro do mesmo ano, na Capela do Acari, filial da Matriz, pelo Padre André Vieira de Medeiros, de licença competente, que lhe administrou os santos óleos, sendo padrinhos os avós maternos, o Capitão Tomaz de Araújo Pereira e sua mulher Dona Teresa de Jesus. Teresa, filha legítima do mesmo casal, nasceu aos nove de abril de mil oitocentos e dezesseis e foi batizada na Capela do Acari, filial da Matriz, aos quinze do referido mês, pelo Reverendo André Vieira de Medeiros, de licença competente, sendo padrinhos João de Albuquerque Maranhão Júnior, por procuração apresentada por Manoel Lopes Pequeno, e Ana Maria da Circuncisão, esposa deste. Ana Marcolina de Jesus, também filha legítima de Antônio Pereira de Araújo e de Maria José de Medeiros, nasceu aos vinte e um e foi batizada aos vinte e oito de dezembro de mil oitocentos e dezessete, na Capela do Acari, com os santos óleos, pelo Padre André Vieira de Medeiros, tendo por padrinhos José Dantas Corrêa e Joana Francisca Dantas, vindo a casar-se com Cipriano Lopes Galvão, filho de Cipriano Lopes Galvão Júnior e de Teresa Maria José. Isabel Cândida de Jesus, filha legítima do mesmo casal, nasceu aos dezesseis de abril de mil oitocentos e dezenove e foi batizada por seu pároco na Capela do Acari, filial da Matriz, aos vinte e um do mesmo mês e ano, com imposição dos santos óleos, tendo por padrinhos os avós maternos Tomaz de Araújo Pereira e Dona Teresa de Jesus, vindo a casar-se com Cipriano Bezerra Galvão, filho de Cipriano Lopes Galvão Júnior e de Teresa Maria José, casal que habitou a fazenda Ingá, no Acari. Antônio Pereira de Araújo Júnior, filho legítimo de Antônio Pereira de Araújo e de Maria José de Medeiros, nasceu aos oito de agosto de mil oitocentos e vinte e um e foi batizado na Capela do Acari, filial da Matriz, aos doze do mesmo mês e ano, pelo Padre André Vieira de Medeiros, de licença competente, sendo padrinhos Francisco Freire de Medeiros e sua mulher Francisca Maria do Carmo, vindo a casar-se com Teodora Maria de Jesus, filha de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e de Guilhermina Francisca de Medeiros. João Damasceno Pereira de Araújo, filho legítimo do referido casal, nasceu aos onze de maio de mil oitocentos e vinte e sete e foi batizado aos vinte do mesmo mês e ano, com os santos óleos, na Capela do Acari, filial da Matriz, pelo Padre Tomaz Pereira de Araújo, por procuração do Capitão Tomaz de Araújo Pereira e de Guilhermina Francisca de Medeiros, vindo a casar-se com sua prima Teresa Alexandrina de Jesus, filha de Manoel Lopes Pequeno e de Ana Maria da Circuncisão, casamento realizado por sugestão do avô comum, o velho Tomaz de Araújo Pereira, residindo inicialmente na fazenda Bulhões, no Acari, e posteriormente na fazenda Saco do Martins, no Caicó, onde faleceu aos treze de novembro de mil novecentos e oito, sepultado no cemitério público da cidade, após receber todos os sacramentos. Joaquim, filho legítimo de Antônio Pereira de Araújo e de Maria José de Medeiros, nasceu aos vinte e foi batizado com os santos óleos aos vinte e quatro de março de mil oitocentos e vinte e nove, na Capela do Acari, pelo Padre Joaquim Álvares da Costa, de licença competente, sendo padrinhos o Padre Manoel Cassiano da Costa Pereira e Maria Joaquina de Santa Ana, viúva. Porfíria Alexandrina de Jesus, filha legítima do mesmo casal, nasceu aos treze e foi batizada com os santos óleos aos vinte e quatro de julho de mil oitocentos e trinta e dois, na Capela do Acari, pelo Reverendo Tomaz Pereira de Araújo, de licença competente, sendo padrinhos o Reverendo Joaquim Félix de Medeiros e Maria Carolina Augusta Flórida, solteira, vindo a casar-se com Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior, filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão e de Guilhermina de Medeiros Rocha. Por fim, Tomaz Pereira de Araújo, filho legítimo de Antônio Pereira de Araújo e de Maria José de Medeiros, nascido aos quatorze e batizado aos dezesseis de janeiro de mil oitocentos e nove, cursou o Seminário de Olinda, ordenou-se sacerdote em Salvador, em dezessete de março de mil oitocentos e trinta e dois, pelas mãos do Arcebispo Dom Romualdo Antônio de Seixas, foi o primeiro e último vigário colado da freguesia de Nossa Senhora da Guia do Acari, deputado provincial em diversos períodos, orientou a construção da atual igreja matriz do Acari entre mil oitocentos e cinquenta e nove e mil oitocentos e sessenta e três, obra que custou cem contos de réis, e faleceu no Acari aos treze de dezembro de mil oitocentos e noventa e três, sendo sepultado na matriz por ele edificada.
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