Pedro de Araújo Pereira, filho legítimo do Tenente Felipe de Araújo Pereira e de Josefa Maria do Espírito Santo, ambos naturais da Freguesia do Seridó, nasceu aos cinco dias do mês de dezembro do ano de mil oitocentos e dezesseis e foi batizado na Igreja Matriz da referida freguesia aos vinte e um dias do mesmo mês e ano, ocasião em que lhe foram administrados os santos óleos pelo celebrante que lavrou o assento, tendo servido como padrinhos o Capitão José Carlos de Brito e Dona Maria Joaquina de Araújo, ambos solteiros, esta representada por procuração apresentada pelo Capitão Comandante Pedro Paulo de Medeiros e aquele por procuração apresentada por Alexandre de Araújo Pereira, todos moradores da mesma freguesia, conforme assento assinado pelo pro-pároco Inácio Gonçalves de Mello; o referido infante faleceu aos vinte e dois dias do mês de janeiro do ano de mil oitocentos e dezessete, em consequência de moléstia maligna, contando cerca de um mês e meio de idade, tendo seu cadáver sido sepultado na Igreja Matriz, envolto em seda preta, conforme registro paroquial então lavrado, encerrando-se assim o breve ciclo de sua vida segundo os ritos e costumes religiosos observados à época.
Manuel Augusto de Medeiros foi o oitavo filho do casal formado pelo Tenente-Coronel da Guarda Nacional Francisco Antônio de Medeiros e Ana Vieira Mimosa, tendo sido levado ainda jovem por seu irmão, o Padre Sebastião Constantino de Medeiros, para realizar os estudos iniciais em Olinda, seguindo posteriormente para Salvador, onde cursou Medicina e formou-se na antiga Faculdade de Medicina da Bahia em treze de dezembro de mil oitocentos e oitenta e quatro, após haver apresentado, em vinte e nove de junho do mesmo ano, sua tese de doutoramento, da qual seus descendentes conservam exemplar original impresso na Bahia, em mil oitocentos e oitenta e quatro, pela Typographia dos Dous Mundos, conforme a ortografia então vigente, sendo reconhecido como o primeiro natural do Seridó a obter formação médica. Sua tese compunha-se de uma dissertação intitulada Hérnias Inguinaes, vinculada à Cadeira de Patologia Cirúrgica, acompanhada de três proposições acadêmicas, a saber, Ar Atmospherico, referente à Cadeira de Química Médica, Considerações acerca do Abortamento, vinculada à Cadeira de Obstetrícia, e Hemato-Chyluria dos Paizes Quentes, relativa à Cadeira de Patologia Médica. Médico de orientação humanista, estabeleceu na Fazenda Belo Horizonte um verdadeiro hospital-albergue, instalado na casa-grande da propriedade, onde acolhia doentes e seus familiares, mantendo no mesmo local uma botica destinada à manipulação dos medicamentos por ele prescritos, segundo fórmulas próprias, contando, em cada período de sua vida conjugal, com a dedicação de suas esposas à assistência aos enfermos e à administração do estabelecimento enquanto este existiu, sendo a referida fazenda atualmente propriedade de sua bisneta Orione Oliveira Silva de Azevedo, que preserva com zelo a casa-grande e a memória familiar. Contraiu três matrimônios, tendo o primeiro ocorrido no ano de mil oitocentos e oitenta e dois, quando ainda era estudante de Medicina e contava vinte e oito anos de idade, com Brasília da Mota Medeiros, de dezessete anos, natural da cidade de Salvador, filha do Juiz de Direito Belmiro Pereira da Mota e de Carolina Ramalho da Luz Mota, união esta precedida da intenção inicial de casar-se com a irmã mais nova da noiva, o que fora recusado pelo futuro sogro sob o argumento de não ser adequado que a filha mais nova se casasse antes da primogênita. Desse primeiro casamento nasceram cinco filhos, vindo Brasília da Mota Medeiros a falecer em Salvador aos vinte e nove de novembro de mil oitocentos e noventa, aos vinte e cinco anos de idade, em consequência de septicemia pós-parto, ocorrido em vinte e nove de setembro daquele mesmo ano, falecimento amplamente noticiado pelo jornal O Povo, da cidade de Caicó, em edição de quatorze de dezembro de mil oitocentos e noventa, conforme transcrição de Olavo de Medeiros Filho em sua obra Caicó, Cem Anos Atrás, na qual se destaca o pesar público causado pela morte prematura da esposa do médico seridoense, bem como a missa de trigésimo dia por sua alma, celebrada em vinte e nove de novembro de mil oitocentos e noventa, por convite de Francisco Antônio de Medeiros, sogro do falecido genro, conforme anúncio publicado no mesmo periódico. O segundo matrimônio deu-se com Francisca Dionísia Pereira da Mota, que passou a assinar Francisca Mota de Medeiros, irmã mais nova de sua primeira esposa e aquela com quem inicialmente pretendia casar, união realizada poucos meses após a viuvez, dedução reforçada pelo nascimento da primeira filha desse casamento em vinte e nove de janeiro de mil oitocentos e noventa e dois, tendo Francisca Dionísia gerado quatorze filhos ao longo de dezenove anos de matrimônio, vindo a falecer no ano de mil novecentos e dez. O terceiro casamento ocorreu em vinte e sete de julho de mil novecentos e onze, na Igreja Matriz de Jardim do Seridó, com Maria Raquel de Medeiros, natural daquela localidade, filha de Clemente Alexandrino Pereira de Brito e de Maria Raquel de Medeiros, ambos já falecidos, conforme termo matrimonial lavrado pelo vigário Inácio Cavalcante, do qual nasceram cinco filhos, vindo Maria Raquel a falecer em primeiro de agosto de mil novecentos e vinte e dois, deixando Manuel Augusto de Medeiros viúvo pela terceira vez. O médico faleceu poucos meses depois, em vinte e um de novembro de mil novecentos e vinte e dois, aos sessenta e oito anos de idade, encontrando-se cego nos últimos tempos de vida, sendo apontadas como causas possíveis a diabetes ou complicações pós-operatórias de catarata, embora o termo de óbito registre como causa mortis congestão do fígado, conforme assento constante do Livro de Óbitos número um da Paróquia de Jardim do Seridó, transcrito na obra Um Passo a Mais na História de Jardim do Seridó, de José Nilton de Azevedo. Rigoroso em seus princípios morais, destacou-se como figura amplamente estimada em toda a região seridoense, tanto por sua atuação na medicina assistencial quanto por sua retidão na vida pública, tendo sido membro ativo do Partido Republicano e eleito Deputado à Assembleia Constituinte do Estado do Rio Grande do Norte para a Segunda Legislatura do Período Republicano, no triênio de mil oitocentos e noventa e dois a mil oitocentos e noventa e quatro, notabilizando-se pela eloquência e combatividade na tribuna. De seus três casamentos resultaram, ao todo, vinte e quatro filhos identificados, sendo cinco do primeiro matrimônio, quatorze do segundo e cinco do terceiro, cujas descendências se estenderam por diversas regiões do país, especialmente pelo Rio Grande do Norte, Paraíba, São Paulo, Paraná e outros estados, abrangendo múltiplas gerações, com atuação destacada nas áreas da medicina, direito, magistério, engenharia, administração pública, forças armadas, artes e pesquisa acadêmica, conforme detalhado na extensa relação genealógica aqui consignada, cuja fonte principal é o levantamento realizado por José Ozildo dos Santos, responsável pela sistematização e preservação dessas informações históricas e familiares. ----------------------------- Manoel Salustiano Dantas nasceu no ano de 1816 e foi casado, em primeiras núpcias, com Isabel Januária da Nóbrega, filha de José Ferreira da Nóbrega, figurante sob a referência TN 79 no capítulo da descendência de Pedro Ferreira das Neves, e de Francisca Bezerra do Sacramento. Enviuvando, contraiu segundas núpcias em 21 de janeiro de 1861 com Cândida Maria de Jesus, filha do casal Anastácio Freire de Araújo e Gertrudes Jesus de Araújo. Tornou a enviuvar em 20 de abril de 1880, passando a residir na fazenda Serrote Branco, situada no termo de Santa Luzia. Manoel Salustiano faleceu posteriormente em sua fazenda Picotes, igualmente localizada em Santa Luzia, no dia 15 de abril de 1883. Conforme assento paroquial, Manoel, filho legítimo de Manoel Antônio Dantas Corrêa e de Maria José de Medeiros, naturais e moradores da freguesia do Siridó, nasceu aos cinco dias do mês de fevereiro de mil oitocentos e dezesseis e foi batizado na Capela de Nossa Senhora da Conceição, filial da matriz, aos vinte e cinco do mesmo mês e ano, pelo reverendo coadjutor Inácio Gonçalves Mello, que lhe administrou os santos óleos. Foram padrinhos Francisco Álvares da Nóbrega, solteiro, e Úrsula de Oliveira Leite, casada, lavrando-se o respectivo assento para constar, devidamente assinado pelo vice-vigário Francisco de Brito Guerra. Registre-se, por fim, que à época do nascimento de Manoel Salustiano, sua mãe, Maria José de Medeiros, contava já cerca de quarenta e sete anos de idade. |

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