Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha, cuja existência transcorreu entre os anos de 1802 e 1840, floresceu no seio da sociedade sertaneja como filha do Capitão-Mor Manoel de Medeiros Rocha e de Dona Anna Pereira de Araújo.
O capítulo central de sua biografia foi selado na manhã de nove de maio de 1821, na Fazenda Remédio, situada na antiga Freguesia do Seridó. Naquela data, após cumpridas as denúncias canônicas sem impedimento, bem como os sacramentos da confissão, comunhão e o exame de doutrina cristã, o Padre André Vieira de Medeiros — sob licença do Vigário Francisco de Brito Guerra — uniu-a em sagrado matrimônio a Antônio Pires de Albuquerque Galvão.
O noivo, natural da Boa Vista, em Pernambuco, era filho do já falecido Antonio Pires e de Dona Theodora Maria de Jesus, enquanto a noiva firmava suas raízes como natural e moradora daquela freguesia potiguar. O ato solene foi presenciado por figuras de relevo, tendo como testemunhas o Reverendo Ignacio Gonçalves Mello e Manoel Lopes Pequeno.
Deste consórcio com o Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, germinou uma vasta e ilustre descendência que perpetuaria o sobrenome na região, composta pelos filhos Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior, Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão, Teodora Maria de Jesus, Belino Pires de Albuquerque Galvão, Ana Maria de Jesus, Manoel Pires de Albuquerque Galvão e Bernadino Pires de Albuquerque Galvão.
Guilhermina de Medeiros Rocha, filha legítima do capitão-mor Manoel de Medeiros Rocha e de Dona Anna de Araújo Pereira, natural e moradora da freguesia do Seridó, contraiu matrimônio com Antônio Pires de Albuquerque Galvão, natural da Boa Vista, em Pernambuco, filho legítimo de Antônio Pires, já falecido, e de Dona Teodora Maria de Jesus. O casamento realizou-se aos nove dias do mês de maio de mil oitocentos e vinte e um, pelas dez horas da manhã, na Fazenda do Remédio, desta freguesia, precedido das canônicas denúncias sem impedimento, bem como da confissão, comunhão e exame de doutrina cristã. A cerimônia foi celebrada pelo padre André Vieira de Medeiros, com a devida licença paroquial, que recebeu os nubentes por palavras de presente e lhes conferiu as bênçãos nupciais. Serviram como testemunhas, entre outros, o reverendo Ignacio Gonçalves Mello e Manoel Lopes Pequeno, casado e morador na mesma freguesia, conforme assento lavrado e assinado pelo vigário Francisco de Brito Guerra.
Guilhermina, referida também nos registros como Guilhermina Francisca de Medeiros, faleceu aos vinte e um dias do mês de novembro de mil oitocentos e quarenta, sendo sepultada na Matriz do Seridó, acima das grades. À época de seu falecimento, contava trinta e oito anos de idade e era esposa do major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, residindo na localidade da Glória, nesta freguesia. Segundo o assento paroquial, faleceu de reumatismo, tendo recebido os sacramentos, foi amortalhada em hábito preto e solenemente encomendada pelo pároco proprietário, conforme registro firmado pelo vice-vigário Manoel José Fernandes.
Antônio Pires de Albuquerque Galvão, por sua vez, faleceu aos vinte e cinco dias do mês de dezembro de mil oitocentos e cinquenta e sete, sendo sepultado no cemitério da Vila do Acari. Viúvo de Guilhermina Francisca de Medeiros, morreu acometido de um cancro, aos sessenta anos de idade, tendo recebido os sacramentos. Seu corpo foi amortalhado em branco e encomendado, conforme assento lavrado pelo cônego e vigário Manoel José Fernandes.
A trajetória de Antônio Pires de Albuquerque Galvão encontra-se associada a um episódio marcante da história política pernambucana, registrado por Câmara Cascudo no Livro das Velhas Figuras. Segundo essa narrativa, Antônio Pires teria participado da conspiração que resultou na tentativa de assassinato do governador de Pernambuco, Luiz do Rego Barreto, na noite de 21 de julho de 1821. Integrante de um grupo de conjurados, Antônio Pires encontrava-se postado do outro lado da ponte da Boa Vista, disposto a atirar contra o capitão-general caso este se aproximasse. Após o disparo efetuado por João de Souto Maior e a consequente confusão, Antônio Pires abandonou a arma e fugiu, procurando abrigo no Armazém do Sal, onde se encontrava o capitão-mor Manoel de Medeiros Rocha, grande fazendeiro do Seridó e proprietário da Fazenda do Remédio. Apiedando-se da situação, o capitão-mor teria providenciado a fuga do jovem pernambucano, disfarçando-o entre seus criados e conduzindo-o, em um comboio de sal, até o sertão do Rio Grande do Norte, onde permaneceu, apaixonou-se por uma de suas filhas e com ela se casou, dando origem a numerosa descendência no Seridó.
Essa tradição, contudo, apresenta uma incongruência cronológica quando confrontada com o assento oficial de casamento, segundo o qual Antônio Pires e Guilhermina de Medeiros Rocha já se encontravam unidos em matrimônio em 9 de maio de 1821, portanto cerca de dois meses antes do atentado ocorrido em julho daquele ano. Tal circunstância conduz a duas hipóteses plausíveis: ou Antônio Pires teria se envolvido em outro episódio conspiratório anterior ao atentado de 21 de julho, ou, alternativamente, ao participar desse último evento, já se encontrava casado com Guilhermina e integrado, na condição de genro, à família do capitão-mor Manoel de Medeiros Rocha.
A tradição familiar acrescenta ainda que Antônio Pires, em uma de suas viagens ao Piauí para a compra de gado, teria se afastado temporariamente da família legítima, constituindo naquela região uma descendência paralela, de caráter ilegítimo, fato que reforça a complexidade de sua trajetória pessoal e a ampla dispersão de sua linhagem.
Por fim, registra-se a existência de um assento referente a um infante de nome Antônio, sepultado aos onze dias do mês de setembro de mil e oitocentos, com cerca de um ano de idade, filho legítimo do sargento-mor Manoel de Medeiros Rocha e de sua esposa Dona Anna de Araújo Pereira, envolto em seda preta e sepultado do arco para dentro da matriz, conforme termo lavrado pelo vigário, elemento que integra o conjunto documental e genealógico associado a essa extensa e influente família seridoense.
José Clemente de Araújo, nascido no ano de 1802, contraiu matrimônio com Teresa Joaquina de Medeiros, filha legítima de João Garcia do Amaral, identificado da descendência de Antônio Garcia de Sá, e de Maria Rosa da Conceição. Consta que José Clemente de Araújo nasceu aos dezenove dias do mês de dezembro do ano de mil oitocentos e dois, na Fazenda Rossaribú, sendo descrito no assento de batismo como branco, filho legítimo de Felipe de Araújo Pereira e de Dona Josefa Maria, ambos naturais e moradores da Freguesia do Seridó, tendo sido batizado aos vinte e quatro dias do mês de fevereiro do ano de mil oitocentos e três, na Capela do Acari, pelo Padre José Antônio de Mesquita, com a devida licença, ocasião em que lhe foram aplicados os santos óleos, servindo como padrinhos o avô materno, o Tenente-Coronel Caetano Dantas Corrêa, e Maria da Conceição, casada, representada por procuração apresentada em seu nome pela avó materna Dona Luzia Maria, conforme assento lavrado e assinado pelo cura Francisco de Brito Guerra. O casamento de José Clemente de Araújo com Teresa Joaquina de Medeiros realizou-se aos onze dias do mês de julho do ano de mil oitocentos e vinte e sete, pelas oito horas da manhã, na Fazenda Bom Descanso, situada na Freguesia do Seridó, após cumpridas as denunciações canônicas sem impedimento e concedida a necessária dispensa de consanguinidade, precedendo a confissão, a comunhão e o exame da doutrina cristã, tendo a cerimônia ocorrido na presença do celebrante e das testemunhas Alexandre de Araújo Pereira e Cosme Damião Fernandes, ambos casados e moradores da referida freguesia, ocasião em que os paroquianos José Clemente de Araújo e Teresa Joaquina de Medeiros, ambos naturais e moradores da Freguesia do Seridó, receberam-se em matrimônio por palavras de presente, sendo ele declarado filho legítimo de Felipe de Araújo Pereira e de Josefa Maria, e ela filha legítima de João Garcia do Amaral e de Maria Rosa da Conceição, tendo-lhes sido concedidas, ao final da cerimônia, as bênçãos nupciais na forma do estilo então vigente, formalizando-se assim o vínculo matrimonial segundo os preceitos religiosos e canônicos observados à época.
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Os filhos do segundo matrimônio de Simplício Francisco Dantas com Ana Francisca de Medeiros foram numerosos, alguns deles com vida breve, outros deixando descendência expressiva no Seridó. Entre eles encontra-se Antônia Brasileira da Conceição, que contraiu matrimônio com Manoel Cândido de Medeiros, filho de Felipe de Araújo Pereira e Josefa Maria do Espírito Santo. Houve ainda um recém-nascido anônimo, falecido aos quatorze dias do mês de março de mil oitocentos e dois, sepultado na Capela de Nossa Senhora da Guia do Acari com apenas um dia de vida, conforme assento paroquial que o registra como filho legítimo do Capitão Simplício Francisco Dantas e de sua mulher Dona Ana, envolto em cetim preto e solenemente encomendado. Outro filho, Paulo, faleceu ainda infante, com oito meses de idade, sendo sepultado aos vinte e quatro de janeiro de mil oitocentos e dois, também na Capela do Acari, envolto em hábito preto.
Após o falecimento de Ana Francisca de Medeiros, Simplício Francisco Dantas contraiu terceiro matrimônio com Rita Maria da Conceição, filha de José Ferreira de Melo e Joana Maria de Castro, casamento celebrado aos onze dias de fevereiro de mil oitocentos e vinte e sete, com as dispensas canônicas necessárias e todas as formalidades religiosas previstas, conforme termo lavrado pelo Vigário Francisco de Brito Guerra. Rita Maria da Conceição figura, por sua ascendência, no capítulo da descendência de Alexandre Rodrigues da Cruz.
Do segundo matrimônio de Simplício com Ana Francisca de Medeiros nasceram ainda Manoel Alberto Dantas, que foi batizado aos três dias de maio de mil oitocentos e três e mais tarde se casou com Delfina Justa Rufina, filha de Antônio do Rego Toscano e Joana Maria da Conceição. Manoel Alberto faleceu aos treze dias de novembro de mil oitocentos e cinquenta e três, com cinquenta anos de idade, tendo recebido os sacramentos, sendo sepultado na matriz do Acari. Outro filho foi Antônio Marcelino Dantas, nascido em dezoito de junho de mil oitocentos e quatro e batizado na Fazenda das Flores, que se casou em primeiras núpcias com Manoela Maria do Nascimento, filha de Caetano Dantas Corrêa e Maria Pais do Nascimento; em segundas núpcias com Ana Alexandrina de Jesus, filha de Manoel Hipólito do Sacramento e Maria da Conceição; e, finalmente, em terceiras núpcias com Manoela Maria de Jesus, filha de Manoel José Dantas e Maximiana Maria da Conceição.
Figura também entre os filhos André Francisco Dantas, nascido a nove de março de mil oitocentos e dezenove e batizado na Fazenda Xiquexique, que se casou com Teodóra Maria da Conceição, filha de Manoel José Dantas e Maximiana Maria da Conceição. João Paulo Dantas, outro filho do casal, contraiu matrimônio em primeiras núpcias com Maria Joaquina do Espírito Santo, filha de Caetano Dantas de Medeiros e Ana Joaquina de Jesus, casamento celebrado em mil oitocentos e trinta e quatro, após as dispensas de parentesco e as formalidades religiosas usuais.
Maria do Ó do Nascimento casou-se com José de Medeiros Dantas, conhecido como Zé Gordo, filho de João Crisóstomo de Medeiros e Francisca Xavier Dantas. Joaquina Senhorinha do Sacramento desposou Ângelo Custódio da Silva, vindo a falecer de parto aos oito de novembro de mil oitocentos e trinta e oito, com vinte e oito anos de idade. Teresa Maria de Jesus casou-se com Manoel Toscano de Medeiros, filho de José do Rego Toscano e Antônia Maria da Conceição. Ana Violante faleceu solteira, tendo sido batizada em perigo de vida, recebendo os santos óleos em dezembro de mil oitocentos e dezessete.
Simplício Francisco Dantas faleceu entre onze de fevereiro de mil oitocentos e vinte e sete, data de seu terceiro casamento, e seis de novembro de mil oitocentos e vinte e nove, quando ocorreu o matrimônio de seu filho Manoel Alberto. A tradição familiar o recorda como poeta e cronista do sertão seridoense, compondo versos em um rochedo próximo à sua residência, na fazenda Xiquexique, nos quais registrava acontecimentos do seu tempo, como lutas sertanejas, episódios de caça, movimentos revolucionários e até mesmo um eclipse total do sol. Esses versos, reunidos em um volumoso caderno de capa de couro, infelizmente desapareceram com o tempo, restando apenas a memória preservada por seus descendentes.
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Francisco Lins Fialho, nascido em 1802, contraiu matrimônio em 1833, no Seridó, com Ana Rosa de Medeiros, filha de Pedro Paulo de Medeiros, constante da tabela de descendência de Pedro Ferreira das Neves, e de Maria Renovata dos Santos. Conforme assento matrimonial lavrado aos vinte e seis de novembro de mil oitocentos e trinta e três, pelas dez horas do dia, na Fazenda da Pedra Branca, da Freguesia do Seridó, tendo precedido dispensa de consanguinidade, as canônicas denúncias sem impedimento, bem como confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, o reverendo vigário da freguesia, Francisco de Brito Guerra, uniu em matrimônio e conferiu as bênçãos nupciais aos contraentes Francisco Lins Fialho e Anna Roza de Medeiros; ele, natural e morador na Freguesia do Brejo de Areia, filho legítimo de Bartolomeu da Costa Pereira e de Maria do Nascimento Lins, ambos já falecidos; ela, natural e moradora na Freguesia do Seridó, filha legítima de Pedro Paulo de Medeiros e de Maria Renovata de Medeiros, tendo servido de testemunhas Manoel Salustiano de Medeiros e Amaro José Ferreira, ambos casados e moradores na mesma freguesia, sendo o referido assento firmado pelo coadjutor pro-parocho Manoel José Fernandes. A respeito de Francisco Lins Fialho, valendo-nos novamente das informações de Horácio de Almeida, registra-se que, na legislatura inaugural, figurou entre os eleitos por Areia, ao lado do padre Francisco de Holanda Chacon, vigário da freguesia, e de Bento Correia Lima, que já exercera a presidência da província, sendo Francisco Lins Fialho, filho do capitão-mor Bartolomeu da Costa Pereira e proprietário do engenho Viração, descrito como homem de temperamento estouvado e de pouca vocação para a política, que, tendo exercido a presidência da Câmara Municipal de Areia em 1837, abandonou o cargo, fazendo publicar declaração na imprensa em que afirmava proceder assim para não se envergonhar de continuar servindo a um governo que reputava indigno.
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