Padre Manoel Cassiano da Costa Pereira, nascido em 1797, conforme informa Horácio de Almeida, chegou a Areia em 1821 para celebrar sua primeira missa, afirmando-se desde então como sacerdote digno e ilustrado, mestre de latim e vigário da freguesia; todavia, profundamente desgostoso com os acontecimentos que envolveram sua família na revolução de 1824, afastou-se da vida social e recolheu-se ao isolamento de sua fazenda denominada Solidão, no Curimataú, onde permaneceu até o fim de seus dias. Quando celebrou sua primeira missa em Areia, o capitão-mor festejou o acontecimento com grandes solenidades, realizando-se, no mesmo dia, o casamento de uma filha e o batismo de uma neta, encerrando-se as manifestações de regozijo com um banquete em praça pública, oferecido à população da vila, festim que teve lugar em frente à sua residência, na atual Praça Pedro Américo, com mesas abundantes e sucessivas destinadas ao deleite dos numerosos comensais. Homem de capricho, tinha por esporte predileto montar bons cavalos e, tendo presenteado o melhor animal de que dispunha a sua esposa, costumava proclamar com ênfase que nem ele próprio cavalgaria o famoso cavalo de silhão; foi precisamente esse animal que o capitão-mor Bartolomeu decidiu pedir emprestado para a entrada triunfal do filho que chegava ordenado de Roma, em 1821, desejando vê-lo garbosamente montado ao ser recebido na vila, ao que Santos Leal, dissimulando sua contrariedade, anuiu ao pedido, mas, na noite do mesmo dia, apunhalou o cavalo na estrebaria, de modo a fazer crer que morrera após cortar-se na serra do capim, colocada de propósito na manjedoura. Informa Câmara Cascudo que o padre Manoel Cassiano foi eleito deputado provincial pelo Rio Grande do Norte na primeira legislatura, com mandato de três anos, entre 1835 e 1837, período em que integrou, respectivamente, a Comissão de Instrução Pública, em 1835, a de Negócios Eclesiásticos, em 1836, e a de Redação de Leis, em 1837; na condição de deputado reeleito, fez parte da mesa da Assembleia Legislativa nos anos de 1838 e 1839, tendo igualmente exercido atividade política na Paraíba. José Hipólito da Costa Lins, nascido em 1798 e falecido em 1826, solteiro, estudou na Universidade de Coimbra, onde cursou Direito até o terceiro ano letivo, vindo a abandonar os estudos em virtude de tuberculose pulmonar; partidário da Confederação do Equador, acolheu Frei Caneca quando de sua passagem pelo Seridó.
"Nós não herdamos o mundo de nossos antepassados, nós o pegamos emprestado dos nossos filhos."
Comentários
Postar um comentário