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1836

 O Coronel Silvino Bezerra de Araújo Galvão (1836–1921) consolidou-se como uma figura de proeminente destaque e prestígio no Rio Grande do Norte, exercendo uma influência política e social que atravessou a transição da Monarquia para a República. Com base sólida na região do Seridó, chegou a ocupar o cargo de vice-governador nos primórdios da República Velha. Vinculou-se por laços matrimoniais a sua prima, Maria Febrônia de Araújo Galvão. Sua relevância histórica estende-se também às suas conexões familiares: foi sogro do ex-governador Juvenal Lamartine de Faria (1874–1956) — filho de Clementino Monteiro de Faria e Paulina Umbelina dos Passos — e avô de Octávio Lamartine de Faria, considerado mártir após ser assassinado em 13 de fevereiro de 1935 sob o regime da ditadura de Getúlio Vargas.

  

João Alves dos Santos vinculou-se por laços matrimoniais a Helena do Rosário de Melo, também identificada em diversas fontes como Helena de Bittencourt, Helena Dornelles do Rosário ou Helena de Melo. Ao que os registros indicam, Helena era irmã de Maria Dornelles Bittencourt (esposa de João Garcia de Sá, do Quimporó), sendo ambas filhas de Antônio Gomes Bittencourt e Paula Dornelles.

João Alves, que detinha a patente de Tenente conforme declaração de 1791, fixou residência na Fazenda Catururé, em terras que hoje integram o município de Jardim do Seridó. O casal gozava de prestígio social e religioso, visto que, em 1827, Helena foi eleita Irmã de Mesa da Irmandade das Almas do Caicó.

A trajetória de Helena Dornelles de Bittencourt encerrou-se aos vinte e um de dezembro de 1836. Faleceu de "moléstia interior" e, após receber todos os sacramentos, foi envolta em hábito branco e sepultada de grades acima na Capela da Conceição, filial da Matriz do Acari, em cerimônia encomendada pelo padre Manoel Teixeira da Fonseca. João Alves dos Santos sobreviveu à esposa por cerca de dois anos, vindo a falecer por volta de 1838, já nonagenário, conforme indicam os registros de missas celebradas em intenção de sua alma na Irmandade das Almas.

Joaquim Laurindo de Medeiros (1836–1930) integrou tradicional linhagem do sertão potiguar, sendo contemporâneo de episódios marcantes da vida familiar que atravessaram gerações, dentre os quais se destaca a trágica morte de sua nora, Anna Emeliana da Anunciação, também referida como Ana Melania ou Anna Enedina de Britto (1872–1913), trisavó do médico Jaime Emanuel Brito Araújo; corria o dia 4 de fevereiro de 1913, uma terça-feira de Carnaval, quando Anna se preparava para seguir até Acari, onde pretendia assistir à missa de Quarta-feira de Cinzas, a ser celebrada pelo padre Antônio Brilhante de Alencar, então vigário local, às primeiras horas da manhã, porém, por decisão de seu sogro, que organizara uma pescaria para o dia seguinte e não nutria grande apreço pelas práticas religiosas, foi-lhe vedada a participação, sob o pretexto de que deveria cuidar dos preparativos domésticos; diante disso, por volta das nove horas da manhã, recolheu-se em oração e pediu a Deus que, de qualquer modo, pudesse participar da referida celebração, ainda que fosse após a morte; já no período da tarde, por volta das dezesseis horas, encontrava-se em sua residência, na Fazenda Água Doce, amamentando um filho recém-nascido, quando, em meio a uma chuva fina, um raio atingiu a casa, descendo pela parede e alcançando-a diretamente na cabeça, causando-lhe morte instantânea, bem como à criança que trazia consigo; o episódio causou profunda comoção entre os presentes, sendo o velório realizado ao longo daquela noite, e, no dia seguinte, Quarta-feira de Cinzas, o cortejo fúnebre seguiu para Acari, onde Anna foi sepultada às quatorze horas de 5 de fevereiro de 1913, no cemitério local, cumprindo-se, de forma dramática, o desejo que manifestara horas antes; conforme o assento de óbito, lavrado no cartório da cidade, sua morte foi atribuída a descarga elétrica, sendo o registro realizado mediante declaração de João Evangelista de Araújo, na presença de testemunhas, entre as quais o próprio Joaquim Laurindo de Medeiros, perpetuando-se, assim, na memória familiar e documental, um dos episódios mais emblemáticos da tradição oral e escrita do Seridó.

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