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1829

 


Major SÉRVULO PIRES DE ALBUQUERQUE GALVÃO (1829/1918) Filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão (1797/1957) e de Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha (1802/1840). Esposo de Josefa Pires de Albuquerque Galvão (1841/1916)  irmã do Cel. Silvino Bezerra de Araújo Galvão, vice governador do Rio Grande do Norte e líder político da cidade de Acari/RNGenitor do Cel. Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão (1857/1927); Maria Jerônima de Albuquerque  (18631916); Teodora Cândida de Albuquerque(1869/1947); Adonias Pires de Albuquerque Galvão; Francisco Braz de Albuquerque Galvão (1873/1938); Cipriana de Albuquerque (1874/1933). Do Major ANTÔNIO PIRES DE ALBUQUERQUE GALVÃO (1797/1857) que por sua vez era filho de Antônio Pires e de Teodora de Jesus, esposo de GUILHERMINA FRANCISCA DE MEDEIROS ROCHA  (1802/1840), podemos aludir o que segue e antes de adentrar nos relatos passados de geração em geração, é importante destacar o  pensamento  liberal que remontava  o  fim  do  século  XVIII, quando tivemos a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos.  Assim, segundo os conceitos do liberalismo, o homem é naturalmente livre, então, buscou-se limitar-se o poder de atuação dos Estados para dotar de maior força a autonomia privada  e  deixar  o  Estado apenas  como  força  de  harmonização  e consecução dos direitos. O governo que estava submetido à Província pernambucana era experimentado em guerras, batalhas, saques aos povos subjugados. Época em que se deu a volta de D. João à Portugal. Ressaltada 'volta' era uma consequência direta da Revolução do Porto de 1820 e da convocação das Cortes, que idealizavam o retorno da família real e da Corte portuguesa, esta última entendida como o conjunto de órgãos públicos responsáveis pela administração do Estado. As principais revoluções ocorridas durante o Período Joanino foram a Revolução Pernambucana (1817), movimento com influências iluministas, composto por senhores rurais e homens livres que se manifestavam contra aos altos impostos gerados pelos vultuosos gastos da Corte no RJ e que desejavam maior participação política; e  Dessa forma, D. João VI foi para Portugal deixando D. Pedro, seu filho, como príncipe regente no Brasil.  Por sua vez, o Governador de Pernambuco, à época, Luís do Rego Barreto (1778-1840) foi um militar português que lutou na guerra contra os franceses na ocupação napoleônica, ao lado dos ingleses e espanhóis. Chegou ao Brasil, nomeado pelo rei D. João VI, para reprimir o sentimento de rebeldia que caracterizava os pernambucanos. Nesse contexto ocorreu uma cisão política no Brasil: Partido Português (funcionários públicos, militares e comerciantes portugueses) que concordava com a política das Cortes de Portugal versus Partido Brasileiro (grandes latifundiários) que defendia a manutenção do liberalismo comercial. Contudo, em Recife o clima era tenso, culminando na tentativa de morte do próprio governante da destacada Província de Pernambuco. Esta foi uma província do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e posteriormente do Império do Brasil, tendo sido criada em 28 de fevereiro de 1821 a partir da Capitania de Pernambuco.  As prisões estavam cheias, o terror tomava conta do Recife, de Olinda e do interior da Província pernambucana. A urbe estava tensa e a população decidiu combater.  Assim, como justificar o combate contra o governante opressor? Focando no objeto da nossa revelação, foi tirado a sorte dentre os jovens para saber quem iria efetuar o combate ao último administrador português. Já diz o dito popular, 'pode ser sorte ou pode ser azar' (...), o certo é que sobrou para ANTÔNIO PIRES DE ALBUQUERQUE GALVÃO e JOÃO SOUTO MAIOR, este, pagando com a própria vida. Reverenciado com nome de rua próximo à Ponte Boa Vista (local dos fatos). No dia 20 de julho de 1821, os destinados sorteados dentre um grupo de jovens atentaram contra o supracitado Marechal LUÍS DO REGO BARRETO, a qual utilizaram arma de fogo. Perseguidos, JOÃO SOUTO MAIOR lançou-se ao rio e momentos depois foi encontrado morto. O marechal supracitado, ferido, foi levado para restabelecimento na casa do senhor de engenho local. Já ANTÔNIO, teria que evadir-se do Recife e se enfurnou num Armazém que estocava sal.  O ocorrido de per si, não os fez criminosos comuns, nem homicidas, nada disso. Para a população pernambucana era questão de limite à imposição abusiva. Como bem disse Câmara Cascudo: "Moço forte, bonito." (...) Chegou até o Armazém de Sal, que era um edifício na Rua da Conceição para a Rua do Hospício, que lhe ficava na parte posterior. No local estava o Capitão-mor MANOEL DE MEDEIROS ROCHA, filho de RODRIGO MEDEIROS ROCHA e genitor GUILHERMINA FRANCISCA DE MEDEIROS, que ao encontrá-lo passou a lhe dar proteção”. Ausência de Recife seria a única alternativa para salvaguardar a vida do predestinado. E nada poderia levar, nem mesmo as próprias roupas, dado o disfarce necessário em meio aos serviçais. Segue Cascudo: “Na madrugada, o "comboio" portando bruacas de couro contendo rapadura, mel, tecidos e alguns itens advindos da Europa se moveu pela antiga estrada rumo à Parayba, passando pela antiga estrada de GOIANA”.  Vez por outra a história reaparece como a alvorada diária em nossas vidas. É justamente da localidade ‘Boa Vista’ em Recife – Pernambuco, que ANTÔNIO PIRES D’ALBUQUERQUE GALVÃO (1797-1857) vai partir para construir uma numerosa prole no sertão seridoense ao matrimoniasse com a filha do Capitão-mor Manoel de Medeiros Rocha (1755/1837), indo residir na Fazenda Glória próxima à Vila do Príncipe. A historiografia oficial deu pouco destaque ao incidente, contudo, não menos importante do que as revoltas eclodidas em todo o Brasil no ressaltado período monarquista.

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