Pular para o conteúdo principal

1833

   Capitão CLEMENTINO BATISTA DE ARAÚJO  (1833/)  esposo de Luiza Rosalina de Araújo (1831/) filha de Marcos Araújo Pereira e Josefa Maria da Encarnação. É cediço que ele era um grande comerciante de gado da rota Piauí-Ceará-Rio Grande-Paraíba-Pernambuco. Com o fruto desse trabalho comprou as seguintes propriedades rurais: Pintado, Cavalcante, Ponta da Serra,  Góis, Maracujá, Terceira Morada Riacho da Palha, Carnaúba, o que, notadamente o credenciou como um grande fazendeiro da região seridoense, bem como da Paraíba.

Clementino Batista de Araújo, nascido sob o signo da bravura aos dezenove dias de outubro de 1833, foi tenente-coronel da Guarda Nacional e figura de incontestável relevo na estirpe dos Batista. Homem de temperamento impetuoso, marcado por uma altivez que por vezes tangenciava o deboche, Clementino era presença constante nos botequins da praça do mercado de Caicó — atual Praça da Liberdade —, onde apreciava a aguardente local. Nessas ocasiões, seu gênio severo fazia com que a sobrinhada o evitasse, pois o coronel recebia os pedidos de bênção com indagações cáusticas, como o fizera à jovem Mariquinha do Celerino, a quem questionara a identidade com o tratamento de "cabrinha". No seio doméstico, exercia o pater familias com rigor inflexível: quando seu filho Aniceto desposou Titica, filha de Zé Batistão, contra a vontade paterna, o herdeiro teve de submeter-se a uma punição física exemplar com uma correia de couro para obter a reconciliação e o perdão do genitor.

Dotado de considerável fortuna, Clementino era o mais abastado entre os irmãos Batista, senhor de sete fazendas e vastos rebanhos. Entretanto, protagonizou um episódio de rivalidade fraternal com seu irmão Salviano que resultou no que a crônica familiar denominou "levar o toco". Ao vangloriar-se de que cercaria as terras devolutas entre a Timbaúba e a Volta antes que Salviano retornasse do Piauí, Clementino subestimou a astúcia do irmão. O major Salviano, ao saber das pretensões de Clementino, antecipou sua jornada, enviando o arrieiro adiante e garantindo a posse das terras; tal fato deu origem ao nome da atual Fazenda Toco, símbolo da derrota estratégica de Clementino. No plano matrimonial, uniu-se em 1859 a Luzia Rosalina de Araújo, filha de Marcos de Araújo Pereira e de Josefa Maria da Encarnação. Em sua residência, mantinha a tradição da mesa farta e da ação política direta, contribuindo generosamente com reses para os pleitos eleitorais, agindo sempre pro bono de sua corrente partidária.

A vasta descendência do casal consolidou a influência da família na região através de diversos ramos. Entre os filhos, contam-se José Leopoldino de Araújo, consorciado com Josefa Maria do Rosário; Luíza Delmira de Araújo, esposa de Francisco das Chagas de Araújo, o Chico Araújo; e Demétrio Batista de Araújo, casado com Maria de Araújo Fernandes, cujos descendentes incluem Maria Nair de Araújo, esposa do coronel Ajax de Ribamar Dantas. A linhagem prossegue com Manoel Batista Dantas, casado com Ana de Araújo Fernandes; Maria Benigna de Araújo, unida a Cosme Fernandes Pimenta; e Dina Joventina de Araújo, esposa do major José Inácio Camboim. Deste último enlace nasceu uma prole notável, incluindo Clementino Camboim, o Tintino, que se tornou o historiador e zeloso custos das fontes culturais de Caicó, além de Maria Dina, casada com Hisbelo Batista, e outros irmãos que formaram alianças com as famílias Guerra, Leitão e Medeiros.

A genealogia se estende ainda a Ana Amélia de Araújo, segunda esposa do capitão Antônio Cesino de Medeiros, de cuja união nasceu Júlia Medeiros, influente vereadora em Caicó. Figuraram também na prole Francisco Batista de Araújo, o Chico do Góis, casado com Sebastiana Constantina de Medeiros; o já mencionado Aniceto Batista de Araújo, marido de Francisca Maria de Jesus (Titica); Joana Benigna de Araújo, casada com Sebastião Catônio de Araújo; e, por fim, Clementino Batista de Araújo, o Tino, que em primeiras núpcias desposou Maria Virgínia de Araújo e, em segundas núpcias, uniu-se a Guilhermina Batista de Araújo, perpetuando o nome e o vigor da estirpe por meio de sucessivas gerações.




Laurentino Bezerra de Medeiros Galvão nasceu em São Bento, município de Currais Novos, em 14 de novembro de 1833. Era filho do Capitão João Bezerra Galvão e de Ana Joaquina de Jesus, neto paterno de Cipriano Lopes Galvão Júnior e Teresa Maria José.

Contraiu primeiras núpcias com Teresa Ursulina, filha de Ana do Ingá, e, após seu falecimento, casou-se em segundas núpcias com Francisca Maria de Jesus, conhecida como Dona Chiquinha de São Bento. Deste primeiro casamento, teve os filhos Laurentino Bezerra de Araújo Galvão (“Tino”); Antônio Florêncio Galvão (“Capitão Florêncio”); Ulisses Telêmaco de Araújo Galvão; e as filhas Maria, casada com Joaquim Pereira de Araújo (“Cabrinha”); Elvira, esposa de Antônio Bezerra Fernandes; e Ana, unida a Benvenuto Pereira de Araújo. O segundo casamento não teve descendência.

Em 16 de fevereiro de 1884, por Decreto do Governador Pedro Velho de Albuquerque Maranhão, Laurentino foi nomeado presidente da Intendência do recém-criado município de Currais Novos, conforme a Lei Provincial nº 923. Junto a ele, integraram o Conselho da Intendência os senhores Coronel Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão Filho, Capitão Joventino da Silveira Borges, Moisés de Oliveira Galvão e Francisco Bezerra de Medeiros.

Figura de grande destaque na história local, Laurentino foi o primeiro Intendente de Currais Novos. Sua importância política e social já se fazia notar antes disso, especialmente por sua atuação na presidência da Junta Abolicionista Libertadora, que, em 19 de março de 1889, decretou a libertação dos escravos na região. Apesar de seu pai ter sido assassinado por dois escravos, Laurentino manteve-se firme em seus ideais republicanos e abolicionistas, demonstrando convicção e coragem diante das adversidades.

Assumiu a direção administrativa do município em 6 de fevereiro de 1891, exercendo o cargo por um breve período de 74 dias, até 20 de abril do mesmo ano, quando foi eleito Deputado Estadual para a Constituinte de 1891. Durante esse curto mandato, destacou-se pela dinâmica e eficiência na gestão pública. Entre suas principais realizações, estão a aquisição do prédio destinado ao Paço Municipal e a organização formal do município, definindo seus limites territoriais conforme a Lei nº 59, de 15 de outubro de 1890.

Os levantamentos topográficos que permitiram essa definição territorial foram realizados pelo Capitão Joventino da Silveira Borges, agrimensor de profissão, que também colaborou na elaboração do código de posturas municipais, composto por 14 títulos e 53 artigos. O decreto nº 1, de 10 de março de 1891, que regulamentava essas normas, foi publicado pela Secretaria do Município em 15 de março daquele ano.

O território de Currais Novos, desmembrado do município de Acari, foi delimitado com precisão, incluindo confrontações com Santana do Matos, Angicos, Lages, Santa Cruz, Picuí, Acari e Flores, tomando como referência pontos geográficos tradicionais, como casas de farinha, serras, riachos e divisores de águas, conforme antigas resoluções provinciais e legislações posteriores. Posteriormente, esses limites foram ajustados diante da criação de novos municípios, como Santa Cruz, São Tomé, Flores, Cerro Corá, Campo Redondo e Lagoa Nova, refletindo a evolução administrativa da região.

O Capitão Laurentino Bezerra de Medeiros Galvão faleceu em 6 de agosto de 1898, deixando um legado importante para a fundação política de Currais Novos. Sua liderança abolicionista, seu republicanismo firme e seus esforços administrativos foram decisivos para a consolidação do município e seu desenvolvimento inicial, tornando-se uma figura emblemática da história local.


   JOSÉ PEREIRA DE ARAÚJO (1833/1920) Nasceu no ano de 1833. Era filho de José Pereira de Araújo e Maria Francisca de Araújo. Félix Pereira de Araújo e Antônia Alves de Araújo, a baronesa de Amaraji, eram seus irmãos. José Pereira de Araújo, seu pai, juntamente com outros membros do clã dos Araújo, eram proprietários de onze propriedades na freguesia de Nossa Senhora de Escada, entre eles, os engenhos Garra e Bamburral. Em 1865, ele foi residir no engenho Bamburral, passando a administrar as propriedades herdadas de seu pai. Naquela época era major da Guarda Nacional Imperial. Ele, juntamente com outros senhores de engenho do 4º Distrito de Paz de Escada, área onde hoje estão localizadas as cidades de Amaraji, Primavera e o distrito de Aripibu foram os responsáveis pelo documento que solicitou do Conselho Municipal o alvará para funcionamento de uma feira semanal em terras do engenho Garra, local onde já começava a surgir um pequeno povoado. As primeiras construções da cidade foram erguidas no trecho entre a praça que leva o seu nome e o prédio onde funcionava a estação do trem, ou seja, na atual Rua 23 de Julho. Nos primeiros tempos de existência o povoado foi chamado de Cambão Torto, mas por sugestão do Major José Pereira o lugarejo passou a chamar-se São José da Boa Esperança. Sendo ele uma pessoa muito religiosa, tratou logo de liderar um movimento para construção de uma pequena capela dedicada a São José. A capela era localizada no local onde hoje existe o Fórum municipal. Além de ser o principal fundador do município de Amaraji, era também um de seus maiores benfeitores. Ele tinha um grande prestígio e influência na região. O barão de Amaraji era seu cunhado, o barão de Contendas, casado com uma de suas sobrinhas e seu irmão Félix Pereira de Araújo, casado com Sincleta Lins de Araújo, membro do clã dos Lins de Escada que eram proprietários de 32 engenhos na região. Foi militante do partido liberal no tempo do império e do partido autonomista no regime republicano.         Na campanha da Guerra do Paraguai, ele organizou vários batalhões de voluntários para lutar junto ao exercito brasileiro naquele país. Como forma de gratidão pelos serviços prestados ao país, em 1875 ele foi condecorado pelo Imperador Pedro II com a “Imperial Ordem da Rosa” no grau de comendador.  Em 1988 reformou o engenho Bamburral e fundou usina, instalando, então, um maquinário moderno.         No dia 11 de novembro de 1890, quando foi instalada a primeira Intendência do novo município de Amaraji, ele estava presente juntamente com os outros líderes políticos da região, tais como, Antônio dos Santos Pontual, o barão de Frexeiras que presidiu a solenidade, Dr. Davino dos Santos Pontual, deputado constituinte, Manoel Barbosa de Farias e Dr. Antônio Epaminondas de Barros Correia, o barão de Contendas, que foi nomeado pelo governador como primeiro Intendente do novo município. O cargo de intendente era equivalente ao de prefeito na época.Na primeira eleição para prefeito realizada no município em outubro de 1891, ele recebeu 232 votos para o cargo de conselheiro municipal, sendo o mais votado dos candidatos. O prefeito eleito foi o Capitão Francisco da Rocha Pontual e o subprefeito, o Major Manoel da Rocha Ferraz de Azevedo.         Exerceu por muito tempo a presidência da Sociedade Auxiliadora de Agricultura de Pernambuco, fazendo parte também por muitos anos do Sindicato Agrícola do Estado de Pernambuco.  Após o movimento de 1911, foi eleito senador do congresso do Estado, tendo ocupado a presidência do Senado no período de 1915 a 1919, cargo que desempenhou com grande espírito de moderação. Já com a idade avançada, afastou-se definitivamente das atividades políticas. José Pereira de Araújo foi casado em primeiras núpcias com Joana Barbosa de Araújo. Dessa união eles tiveram quatro filhos: Maria Ernestina Monteiro, viúva do Dr. Paulo Monteiro; José Pereira de Araújo Filho, agricultor na cidade de Escada, casado com Maria Carolina; Hercília de Araújo Bezerra Cavalcanti, casada com José Rufino Bezerra Cavalcanti, governador do Estado de Pernambuco; Júlia Pereira de Araújo, casada com Dr. Júlio Pereira de Araújo, filho do barão e da baronesa de Amaraji e Dr. Paulo Pereira de Araújo, casado com Maria Araújo. Casou-se pela segunda vez com Maria Antônia de Miranda Araújo, com quem teve os seguintes filhos: Irene Araújo de Barros Correia, casada com Dr. Melânio de Barros Correia, escrivão do Tribunal de Justiça do Estado; Major Rubens Pereira de Araújo, industriário no Cabo de Santo Agostinho, casado com Regina Pimentel de Araújo; e Dr. Agenor de Miranda Araújo, na época prefeito de Amaraji e deputado estadual, casado com Maria José Rangel de Araújo. Ele deixou 11 netos e 20 bisnetos.         Ele era uma pessoa muito estimada na sociedade pernambucana. Tinha grande prestígio também os plantadores de cana sendo considerado um grande líder da classe. Era uma pessoa muito generosa, afeita a pratica do bem. Suas virtudes particulares faziam dele um chefe de família exemplar e sua honradez inatacável se impunha sobre todos. Na vida pública exercitou a prática da mais austera moral social e política.         O comendador morreu aos 87 anos de idade, no dia 20 de julho de 1920 às 3:00 h, em sua residência à Rua da Imeratriz, nº 14, 1º andar, em Recife. Ele foi sepultado no cemitério de Santo Amaro em Recife no jazigo da irmandade do Santíssimo Sacramento da Boa Vista da qual era irmão benfeitor. O Governador do Estado, membros do senado, da câmara de deputados, do judiciário e de todos os setores da sociedade pernambucana participaram do ato. Em Amaraji houve uma missa de sétimo dia muito concorrida. Autoridades do município e da capital se fizeram presentes. Foi realizada também uma sessão cívica em homenagem ao fundador e benfeitor do município.         Na época, o tabelião e correspondente dos jornais da capital em Amaraji, Major Eduardo de Carvalho, encabeçou um movimento para que fosse erigida uma estátua do comendador numa das praças da cidade. A estátua seria esculpida pelo artista Bibiano Silva, entretanto, o projeto não chegou a ser concretizado. Tempos depois, a praça onde se localiza o coreto que em Amaraji é chamado de “pavilhão” recebeu o seu nome.             Quem sabe algum filho da terra resolve amadurecer a idéia do Major Eduardo de Carvalho e reiniciar um movimento para que a estátua seja feita e colocada na praça que leva o seu nome. O comendador merece e a memória da cidade agradece. 

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

1809

Padre Tomás Pereira de Araújo (1809–1893)  inscreve-se entre as figuras mais influentes da história de Acari e do Seridó oitocentista. Nascido em 1809, era filho de Antônio Pereira de Araújo e Maria José de Medeiros, descendendo de linhagens tradicionais da região: pelo lado paterno, era neto de João Damasceno Pereira e Maria dos Santos de Medeiros; pelo lado materno, neto de Tomás de Araújo Pereira e Teresa de Jesus. Entre seus irmãos, destacaram-se Ana Marcolina de Jesus, afamadamente conhecida como “Aninha do Ingá”, e Porphíria Alexandrina de Jesus, que se uniu em matrimônio a Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior. Sacerdote de vocação, mas também homem de ação, o Padre Tomás desempenhou papel decisivo na conformação religiosa e política do Seridó. Foi ele o idealizador e construtor da Igreja Matriz de Acari, monumento que se tornaria marco arquitetônico e expressão perene da religiosidade local. No âmbito da vida pública, sua influência estendeu-se além do púlpito: exer...

1814

Rodrigo de Medeiros Rocha, neto, conhecido na tradição local pelo cognome de Rodrigo Gordo, residente na fazenda São Paulo, contraiu matrimônio com Inácia Maria Madalena, filha de Alexandre Manoel de Medeiros e de Antônia Maria da Conceição, figurando esta na descendência de Pedro Ferreira das Neves, sendo o casal natural e morador da freguesia do Seridó, onde constituiu numerosa prole, iniciada com André, batizado na fazenda São Paulo aos vinte e quatro de março de mil oitocentos e quatro, com cerca de cinquenta e dois dias de nascido, filho legítimo de Rodrigo de Medeiros e de Inácia Maria, tendo por padrinhos Antônio Pereira e Inácia Maria da Purificação, seguindo-se Thomé de Araújo Pereira, nascido a vinte e um de dezembro de mil oitocentos e quatorze e batizado na mesma fazenda aos dez de janeiro seguinte, filho legítimo do então capitão Rodrigo de Medeiros Rocha e de Dona Inácia Maria Madalena, apadrinhado pelo capitão José Antônio de Lemos e sua mulher Dona Joana Maria de Je...