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1857

  

O Coronel Cipriano Bezerra Galvão Santa Rosa (1857-1947) foi uma figura proeminente na história política e social do Seridó. Nascido na Fazenda Ingá, em Acari, em 27 de outubro de 1857, era filho de Cipriano Bezerra Galvão e Izabel Bezerra de Araújo, e neto de Cipriano Lopes Galvão Junior e Tereza Maria José Bezerra de Menezes. Sua linhagem o conectava aos primeiros povoadores do território de Igarassu, em Pernambuco, e do atual município de Currais Novos, sendo também irmão dos influentes coronéis Silvino Bezerra e José Bezerra.

Sua educação, provavelmente iniciada em casa por um preceptor, foi complementada pela matrícula, aos dezenove anos, na famosa Escola de Latinidade, na Cidade do Príncipe (atual Caicó). Na vida adulta, adquiriu a Fazenda Fortaleza, que se tornou sua residência, e também possuía uma "Casa da Rua" em Acari, frequentada aos finais de semana para obrigações religiosas e a feira. Era essencialmente um homem do campo, mas também um comerciante ativo que negociava algodão, peles de animais e borracha de maniçoba.

A carreira pública de Cipriano incluiu a nomeação como oficial da Guarda Nacional no período imperial e o cargo de juiz distrital da comarca de Jardim em 1881. Posteriormente, enveredou-se na governança municipal de Acari, exercendo o cargo de intendente por cinco mandatos: de 1890 a 1892, 1902 a 1904, 1905 a 1907 e 1908 a 1910. Ele foi um dos últimos a ocupar esta função, que foi substituída pela de prefeito, cargo que ele também exerceu de 1930 a 1933. Durante sua intendência, em 1894, o prédio do Mercado Público de Acari foi pintado de branco.

Em 1881, o Coronel Cipriano casou-se em primeiras núpcias com sua sobrinha Izabel Teodomira Bezerra Galvão Santa Rosa (1859-1899), filha do Coronel Silvino Bezerra de Araújo Galvão e irmã de Manoel Augusto Bezerra de Araújo. Embora a lei civil permitisse esse tipo de união, os quatro filhos do casal faleceram muito pequenos. Após enviuvar, casou-se em segundas núpcias com Mariana Iluminata da Nóbrega, filha do Coronel Janúncio Salustiano da Nóbrega e Iluminata Theodora, com quem teve sete filhos, incluindo Januncio da Nóbrega Santa Rosa e o renomado pesquisador acariense Jayme da Nóbrega Santa Rosa.

Amante das letras, Cipriano mantinha o hábito de ler jornais e revistas, sendo considerado um dos últimos representantes da fidalguia rural seridoense. Faleceu em 14 de fevereiro de 1947, aos 89 anos, deixando para os seus um legado de ordem, diligência e orientação social, e consolidando-se como um expoente notável do homem seridoense.

 Coronel Manoel Salustino Gomes de Macêdo (1857–1942), figura de destacada influência na vida política e social do Seridó, contraiu matrimônio com Ananília Regina de Araújo (1859–1948), pertencente igualmente a uma das mais tradicionais famílias regionais. Dessa união numerosa e socialmente proeminente, descenderam filhos que se entrelaçaram, por via matrimonial, às casas mais antigas e influentes do Rio Grande do Norte.

O primogênito, Thomaz Salustino Gomes de Mello, casou-se com Tereza Bertina Bezerra de Araújo Galvão, fortalecendo os laços entre as famílias Gomes de Macêdo, Bezerra, Araújo e Galvão, que ao longo das décadas formaram espinha dorsal da elite dirigente de Currais Novos e Acari. Maria Regina de Araújo, conhecida como Dona Sinhá, contraiu núpcias com Antônio Othon de Araújo, outro elo que confirmou o prestígio e a presença da linhagem Araújo nas redes familiares do Seridó potiguar.

Outro filho do casal, Aristides Telésforo Gomes de Mello, foi casado com Maria Amélia Gomes, consolidando mais um ramo ativo da família no cenário local. Rita Alzira de Araújo uniu-se matrimonialmente a Antônio Bezerra de Araújo Galvão, reforçando novamente o entrelaçamento entre os tradicionais ramos Albuquerque, Bezerra, Araújo e Galvão — famílias que, desde o século XIX, ocuparam cargos políticos, militares, religiosos e econômicos na região.

Lindolfo Salustino permaneceu solteiro, mas sua presença é igualmente lembrada na memória familiar. José Salustino Gomes de Mello, por sua vez, casou-se com Antônia Bezerra de Oliveira, conhecida como Bitônha, nome tradicional no seio das famílias seridoenses. Já Adélia Alina Salustino de Araújo contraiu matrimônio com Félix Bezerra de Araújo Galvão, unindo novamente descendentes dos Albuquerque Galvão e dos Bezerra de Araújo, preservando, assim, a continuidade das alianças familiares.

Francisco Leônis Gomes de Assis — também conhecido como Assis Salustino — destacou-se na vida pública, tendo exercido o cargo de prefeito de Currais Novos e, posteriormente, do município de São Thomé, no Rio Grande do Norte. Era casado com Dona Aura Galvão, reforçando, mais uma vez, os vínculos consanguíneos e políticos entre os Galvão e os Gomes de Macêdo. Seu irmão, Alcindo Gomes de Mello, igualmente atuante na vida política regional, exerceu o cargo de prefeito de Currais Novos. Casou-se com Maria das Dôres Gomes, consolidando outro importante ramo descendente no seio da família.

Assim, a prole do Coronel Manoel Salustino Gomes de Macêdo e de Ananília Regina de Araújo representa não apenas continuidade biológica, mas também a permanência das tradições políticas, sociais e culturais de famílias que moldaram a vida pública do Seridó entre os séculos XIX e XX. Suas alianças matrimoniais, estrategicamente construídas dentro de um universo de proximidade territorial e prestígio social, revelam a solidez com que essas linhagens atravessaram gerações, compondo uma complexa e significativa rede genealógica que permanece viva na memória histórica do Rio Grande do Norte.



Azarias Abdias de Araújo nasceu em 1857 e faleceu em 1927. Era filho de Joaquim Pereira de Araújo (1825–1891) e de Guilhermina Hermelinda de Souza Nóbrega (1836–), tendo contraído matrimônio com Theodora Rosalina de Viterbo (1873–1920). Dessa união foi genitor de Francisco Abdias de Araújo, também referido como Francisco Pereira de Araújo (1889–1972), Joaquim Araújo (1891–), Hermenegilda Rosália de Viterbo (1894–), Hermenegildo Araújo (1894–), Francisca Hermelinda de Araújo (1896–1985), Cândida Rosália de Viterbo (1896–), Francisco de Araújo (1896–), Maria de Araújo (1903–) e Anna Ormesinda de Araújo (1908–1999). Durante certo período, Azarias Abdias de Araújo foi indevidamente confundido com outro homônimo, Asarias Ananias de Araújo, também identificado como Asarias Mizael Galdino de Araújo, sendo ambos, contudo, apenas primos distantes. O primeiro, Azarias Abdias, era filho de Joaquim Pereira de Araújo e de Guilhermina Hermelinda de Souza Nóbrega e residia em Acari; o segundo, Asarias Mizael Galdino de Araújo, era filho de Francisco de Araújo Galdino e de Ana Catarina da Anunciação, conhecida como Ana Freire, tendo nascido, vivido e falecido em Caicó. Além disso, os vínculos conjugais igualmente diferem: Azarias Abdias foi casado com Theodora Rosalina de Viterbo, filha de Antônio Pereira de Araújo e de Cândida Rosália Maria de Viterbo, conforme consta do registro de nascimento de seu filho Francisco Pereira de Araújo, ocorrido em 7 de maio de 1889, em Acari; já Asarias Mizael foi esposo de Theodora Rosalina da Nóbrega, filha de Manoel Casimiro de Freitas e de Maria Esmeraldina de Medeiros, conforme registrado no nascimento da filha Izabel, em 18 de julho de 1891, em Caicó. Embora os nomes dos indivíduos e de suas respectivas esposas apresentem semelhanças, tratam-se de pessoas distintas, circunstância que se comprova pela análise comparativa dos diversos assentos de batismo e registros de nascimento de seus descendentes, os quais evidenciam trajetórias familiares autônomas, ainda que contemporâneas.





Nascido sob o signo da história aos dezenove dias de abril do ano de 1857, José Batista de Araújo Pereira, o celebrado major Zezinho do Toco, consolidou-se como figura proeminente na genealogia potiguar. No ano de 1887, uniu-se pelo sagrado laço do matrimônio a Regina Coelli de Araújo, digna descendente do major Salviano Batista de Araújo e de Guilhermina Iria de Araújo, estabelecendo um núcleo familiar que seria pilar da militância política da estirpe dos Batista. Homem de vida pública ativa, o major exerceu seu munus publicum com fervor, integrando a Comissão Eleitoral de Caicó entre os anos de 1906 e 1908, e mantendo sua influência política, stricto sensu, pelo menos até julho de 1922. Desta união, germinou uma vasta descendência que perpetuou o prestígio do clã. Entre os filhos, destaca-se a figura de Serafina, de tez louríssima e estado civil casada; Hisbelo Batista de Araújo, que inscreveu seu nome nos anais municipais como o primeiro prefeito de Timbaúba dos Batistas, tendo desposado, sucessivamente, Maria Dina e Sérvula Araújo; e o ilustre linhagista Hermógenes Batista de Araújo, também ex-prefeito da referida urbe, que se consorciou com Lutigardes Gurgel de Araújo, filha do eminente desembargador Felipe Guerra. A prole de Zezinho do Toco contou ainda com Júlia, unida a Memeu Vale; José Batista, conhecido carinhosamente como Zéu; Celerino, casado com Maria do Carmo; Waldomira de Araújo Pereira, que contraiu núpcias com Heriberto Martiniano Pereira, filho do coronel Quincó; e Maria Ericina, esposa de Domiciano, o Dodó. A continuidade da linhagem manifestou-se com vigor na geração seguinte, os nepotes. Do consórcio entre Waldomira e Heriberto Martiniano, advieram Antônio de Araújo Pereira, casado com Francisca Fernandes; o jornalista Joaquim Martiniano Neto, dito Madureira, casado com Guilhermina; José Neto de Araújo, que serviu à sociedade como tabelião público e casou-se com Margarida Barros; o bancário Heriberto Pereira Filho, unido a Juraci Azevedo; a senhorita Ezilda Salomé, que permaneceu em estado de celibato; e Alcione Araújo, esposa de Manoel Joaquim, o Rubinho. Por sua vez, o casal Júlia Julieta e Bartolomeu Vale (Memeu) deu origem a Memeu Filho, dedicado ao magistério, e Salete de Memeu, consorte de um oficial militar. Finalmente, da união entre Hisbelo Batista de Araújo e Maria Dina de Araújo, a Cota, floresceram Zé Milton, Cireno Batista, Zuleide Batista de Araújo, Aglaucy Araújo e a solteira Maria Dina de Araújo, todos herdeiros de uma tradição que entrelaça o serviço público à honra familiar.

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