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1832

 

 

  Antônio Aladim de Araújo, nascido a 3 de outubro de 1832, foi filho de Joaquim de Araújo Pereira e de Maria dos Santos Silva, integrando uma linhagem que se distinguiu pela projeção política, jurídica e social no Seridó oitocentista. Desde cedo revelou inclinação para os estudos e para a vida pública, vindo a graduar-se bacharel em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco, formação que o credenciou como um dos vultos intelectuais mais expressivos de sua estirpe.

Dotado de sólida erudição jurídica e elevado senso de responsabilidade cívica, exerceu com reconhecida retidão os cargos de Curador-Geral dos Órfãos, Promotor Público e Juiz Municipal, funções nas quais se destacou pela probidade e pelo respeito às normas legais, secundum legem et aequitatem. Representou ainda seus conterrâneos como Deputado Provincial, participando ativamente da vida política da província e contribuindo para a condução dos negócios públicos em um período marcado por intensas transformações institucionais. Paralelamente ao exercício do múnus público, dedicou-se à atividade rural, sendo proprietário de terras e senhor da Fazenda Soledade, conciliando, in concreto, a vida intelectual com a administração patrimonial.

No plano matrimonial, contraiu primeiras núpcias na cidade do Recife com Maria Dativa de Azevedo e Araújo, nascida em 1842, filha de José de Azevedo Santos. Essa união estabeleceu um elo significativo entre as tradições familiares do Seridó e as linhagens pernambucanas, ampliando o horizonte social e cultural de sua descendência. Maria Dativa sobreviveu ao marido por longos anos, vindo a falecer apenas em 1914, preservando a memória do consorte e o prestígio de sua casa. Em segundas núpcias, Antônio Aladim de Araújo uniu-se a Paulina Brito de Araújo, filha de Pedro Pereira de Brito e de Francisca Benigna de Maria, reforçando, ex affinitate, os vínculos entre famílias de reconhecida relevância regional.

O falecimento de Antônio Aladim de Araújo ocorreu em 4 de maio de 1889, em decorrência de uma afecção coronária que pôs termo a uma vida dedicada ao serviço público, ao direito e à administração de seus bens. Sua trajetória permanece como testemunho de uma geração de homens que, armados de letras e leis, contribuíram decisivamente para a formação institucional e social do Rio Grande do Norte, deixando legado duradouro na história e na genealogia do Seridó.


Antônio Alves da Costa, historicamente reconhecido pela alcunha de Antônio Alves da Costa Pretinho, nasceu sob o signo da longevidade aos dois dias de julho de 1877, vindo a falecer no avançado ano de 1979, após transpor um século de existência. Sua trajetória matrimonial iniciou-se em cinco de dezembro de 1901, quando, na Paróquia de Sant’Ana de Caicó, esposou Josefa Jovelina de Azevedo, a Zefinha, diletante filha de Antônio Laureano de Azevedo e Natalina Maria de Jesus. O sagrado consórcio foi abençoado pelo vigário Emídio Cardozo e testemunhado por figuras de proeminência social, a saber, o coronel Joaquim Martiniano Pereira e Honório Onofre. Diante do desenlace de sua primeira esposa em 1910, o patriarca contraiu segundas núpcias, ex secundis nuptiis, aos vinte e sete dias de outubro de 1911, unindo-se na Matriz do Caicó a Maria Natalina de Azevedo, que guardava com a finada o laço de irmandade consanguínea.

Conhecido como o major Pretinho de Frade, ele herdou a firmeza moral e a determinação férrea de seu genitor, o Velho Frade, e de seu avô Antônio Alves, dos Batentes, assumindo a liderança natural da vasta estirpe dos Manoplas. Sua verve empreendedora manifestou-se inicialmente no ofício de almocreve em Timbaúba dos Mocós, evoluindo progressivamente para a atividade industrial com a instalação de uma bolandeira para o beneficiamento de algodão e, posteriormente, a adoção de locomóveis a vapor. Tais empreendimentos renderam-lhe sólidos frutos financeiros, tendo como principal comprador de sua produção o influente Zumba Monteiro, cujas transações se estendiam de Timbaúba, em Pernambuco, até a Rua das Buninas, em Campina Grande. No campo da vida pública, Antônio de Frade consolidou-se como um dos pilares políticos do Caicó; embora tenha iniciado sua militância nas fileiras dos Batista, foi posteriormente conduzido por Honório Onofre de Medeiros e Celso Afonso Dantas para as hostes do Partido Republicano Federal, que viria a transmudar-se no Partido Popular e, finalmente, na União Democrática Nacional. Consagrado por Eduardo Gurgel como a maior liderança rural do Caicó por três décadas, o major Pretinho exercia sua influência de facto e de jure, mantendo sempre uma representação de dois ou três vereadores de seu círculo familiar em cada legislatura. Sua base de operações e residência principal era a Fazenda Trapiá, embora fosse senhor de diversas outras herdades que, em conjunto, totalizavam uma vasta extensão de aproximadamente oito mil hectares. Fiel às suas convicções partidárias, viu sua agremiação sofrer apenas dois reveses eleitorais em um longo hiato temporal: o primeiro por volta de 1912 e o derradeiro no ano de 1963, quando a vitória de José Josias Fernandes para a prefeitura de Caicó marcou um raro interlúdio na hegemonia de sua corrente política, encerrando um ciclo de inquestionável domínio territorial e social na região do Seridó.


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Teresa de Jesus Maria foi casada com Pacífico de Araújo Pereira, filho legítimo de Manoel de Araújo Pereira e de Maria de Jesus, conforme assento eclesiástico que registra o matrimônio celebrado aos dezesseis dias do mês de outubro do ano de mil oitocentos e trinta e dois, pelas nove horas da manhã, na Fazenda Cavalcante, situada na Freguesia do Seridó, ocasião em que, após concedida a necessária dispensa de consanguinidade e cumpridas as formalidades canônicas então exigidas, incluindo as denunciações, a confissão, a comunhão e o exame da doutrina cristã, foram unidos em matrimônio e receberam as bênçãos nupciais os paroquianos Pacífico de Araújo Pereira e Teresa de Jesus Maria, ambos naturais e moradores da referida freguesia, declarando o registro que o nubente era filho legítimo de Manoel de Araújo Pereira, já falecido à época, e de Maria de Jesus, e a nubente filha legítima do Capitão Felipe de Araújo Pereira e de Josefa Maria do Espírito Santo, tendo servido como testemunhas André Francisco de Medeiros e Manoel Cândido de Medeiros, ambos casados e moradores na mesma freguesia, formalizando-se assim o vínculo matrimonial segundo os preceitos religiosos e canônicos observados naquele período histórico.


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José Pereira da Costa contraiu matrimônio com Vitorina Maria de Jesus, filha de Manoel Pereira Bolcont e de Francisca Xavier de Vasconcelos, conforme assento lavrado aos dezoito dias do mês de outubro de mil oitocentos e trinta e dois, pelas dez horas do dia, na Fazenda Campo Alegre, da respectiva freguesia, tendo precedido dispensa de consanguinidade, as canônicas denúncias sem impedimento, bem como confissão, comunhão e exame de doutrina cristã. Naquela ocasião, o pároco uniu em matrimônio e concedeu as bênçãos nupciais aos paroquianos José Pereira da Costa e Vitorina Maria de Jesus, ambos naturais e moradores da freguesia, filhos legítimos, ele de Cosme Pereira da Costa e de Maria Pereira da Cunha, já falecida, e ela de Manoel Pereira Bolcont e de Francisca Xavier de Vasconcelos, tendo servido de testemunhas Joaquim Manoel Dantas e Manoel Vieira da Costa, casados e igualmente moradores na mesma freguesia, sendo o termo devidamente lavrado e assinado pelo pro-parocho Manoel José Fernandes. Consta ainda que Vitorina Maria de Jesus, filha legítima de Manoel Pereira Bolcont e de Francisca Xavier de Vasconcelos, naturais da referida freguesia, nascera aos vinte e cinco de fevereiro de mil oitocentos e quinze e fora batizada na matriz aos dezesseis de abril do mesmo ano, ocasião em que lhe foram impostos os santos óleos, sendo padrinhos Alexandre de Araújo Pereira e sua esposa Joana Manoella d’Annunciação, moradores na vila.


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O coronel Antonio Garcia do Amaral, oficial de prestígio e morador na fazenda Águas-Belas, no termo de Picuí, na Paraíba, vinculou-se por laços matrimoniais a Ana Rosa da Conceição,  relativo à descendência de Tomaz de Araújo Pereira. O consórcio foi celebrado às dez horas da manhã de dez de outubro de 1832, na fazenda Picos de Baixo, pelo reverendo Manoel Teixeira da Fonseca sob licença paroquial; a união demandou prévia dispensa de consanguinidade e o cumprimento das formalidades de estilo perante as testemunhas Manoel Salustiano de Medeiros e Rodrigo de Medeiros Rocha. O contraente era filho legítimo de João Garcia do Amaral e de Maria Roza da Conceição, enquanto a nubente procedia da união de Silvestre José Dantas Corrêa com Margarida de Jesus Maria.

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