Major Sátiro Bezerra de Araújo Galvão (1886-1977): Liderança e Legado em Acari
Nascido em 12 de janeiro de 1886, Sátiro Bezerra de Araújo Galvão foi uma figura de grande influência na sociedade de Acari. Filho de Manoel Bezerra de Araújo Galvão Júnior e Francisca Umbelina Bezerra, sua trajetória de vida refletiu o compromisso com a comunidade e a responsabilidade de sua linhagem.
Sátiro Bezerra contraiu matrimônio por duas vezes. Após o falecimento de sua primeira esposa, Rita Helena de Araújo, filha de Joaquim da Virgem Pereira e Mônica Maria da Ressurreição de Brito, ele celebrou segundas núpcias com Beatriz Mirtes Bezerra de Araújo em 21 de junho de 1933, em Gargalheiras. Mirtes era filha de Manoel Ubaldo da Silva Neto e Leolina Sérvula de Araújo.
O Major Sátiro, como era conhecido, exerceu importantes funções públicas. Ele foi o primeiro Presidente da Câmara de Vereadores de Acari e também atuou como Vice-Prefeito, demonstrando uma liderança positiva e eficaz. Sua segunda esposa, Dona Mirtes, dedicou-se à família e prestou inestimáveis serviços à educação da região por longos anos.
Uma fotografia histórica, preservada pela família, retrata o casal Sátiro e Dona Mirtes em um momento de união, rodeados por suas filhas e netos. Entre os retratados, destaca-se a família do saudoso Gonzaga e Ivanilde Bezerra (Dona Cuncun), sendo Ivanilde filha do casal. A imagem é um testemunho da solidez familiar e da presença marcante de seus descendentes no cenário social de Acari.
Antônio Bezerra de Araújo Fernandes (1886-1967), pai de Bilé, figura entre os nomes mais expressivos da história social e moral do Seridó e importante personagem na vida do jovem estudante.
Nascido em Jardim do Seridó, a 5 de janeiro de 1886, fixou residência em Acari, onde construiu uma vida pautada pelo trabalho e pelo compromisso com o progresso de sua cidade.
Era filho legítimo do segundo matrimônio do Dr. Manoel José Fernandes (1834-1907) e de Dona Maria Rosalina de Araújo Fernandes (1847-1929). Foi batizado em 14 de fevereiro de 1886, na freguesia de Jardim do Seridó, pelo padre José Antônio da Silva Pinto, tendo como padrinhos José Tomaz de Aquino Pereira e Riza Maria Pereira de Jesus.
Seu pai, o conhecido Dr. Neco, exerceu o cargo de Juiz de Direito em várias comarcas da vizinhança e chegou a ser nomeado desembargador por decreto do governador Ferreira Chaves, honraria que, por modéstia, recusou, preferindo permanecer juiz no interior.
A seguir relacionamos os irmãos de Antônio Bezerra, todos filhos do Dr. Neco com a sua genitora: Carlos Barromeo de Araújo Fernandes (1882-1968), professor em Acari; José Patrocínio de Araújo Fernandes (1887-), comerciante em Jardim do Seridó; Maria Emérita de Araújo Fernandes (1880-1960); Izabel Altiva de Araújo Fernandes (1876-1953); Serafina de Araújo Fernandes (1877-); Donina Argentina de Araújo Fernandes (1877-1938); Cândida Brazilia de Araújo Fernandes (1881-); Celsa Augusta de Araújo Fernandes (1883-1957); Maria Izabel de Araújo Fernandes (1887-1957); Anna Alice de Araújo Fernandes (1890-1963); Thereza Cecília de Araújo Fernandes (1891-1947); Verônica de Araújo Fernandes (1895-1941).
Em 4 de agosto de 1907, Antônio Bezerra de Araújo Fernandes (1886-1967) casou-se com Cândida Pires Pereira (1884-1963), filha de Antônio Pereira de Araújo (1848-1904) e de Francisca Pires de Albuquerque (1860-1886). Deste matrimônio nasceram os seguintes filhos: Maria Elita Fernandes (1909–), Letícia Jacy Fernandes (1913–1989), Manoel José Fernandes (1910–1993) e Aristóteles Bezerra Fernandes (1918–1995), além de outros cujos nomes não foram preservados na lembrança do pesquisado.
O filho Aristóteles Bezerra Fernandes contraiu matrimônio, em primeiras núpcias, com Maria de Lourdes Bezerra (1920–1947), união da qual nasceram três filhos: Antônio Bezerra Neto, conhecido por Fernandão; Eduardo Bezerra Fernandes; e Francisco das Chagas Bezerra. E viúvo de seu primeiro casamento, Aristóteles contraiu segundas núpcias, das quais adveio nova descendência a qual se inclui o filho muito inteligente e empresário que se evidenciou no ramo de network marketing Dimas Fernandes.
O legado de Antônio Bezerra de Araújo Fernandes (1886-1967) perpetua-se em toda sua descendência, v.g., o neto cognominado 'Fernandão', portador de seu honroso nome e herdeiro da propriedade colonial rural Pendanga.
'Fernandão' que estudou no Tomaz de Araújo com José Pires, notabilizou-se como funcionário da Secretaria de Fazenda do Estado, além de sobressair-se na política acariense, tendo exercido o cargo de vice-prefeito e assumido interinamente a chefia do executivo municipal em diversas ocasiões.
Os demais netos de Antônio Bezerra de Araújo Fernandes (1886-1967) pela veia de Aristóteles são Eduardo Bezerra Fernandes (n. 1945) e Francisco das Chagas Bezerra Fernandes (n.1947).
O primeiro, médico de profissão, trilhou concomitante os caminhos da vida pública, tendo exercido o cargo de prefeito do município de Acari no início do novo milênio, onde deixou reconhecida contribuição administrativa.
O segundo, Francisco das Chagas Bezerra Fernandes — 'Chico de Balá' —, notabilizou-se como agropecuarista e figura de proa na vida social e política acariense. Exerceu a vereança por duas legislaturas consecutivas, de 1989 a 1996, pautando sua conduta por exemplar espírito público.
Uniu-se em matrimônio com Lindalva Soares Dantas, união da qual advieram os filhos: Felipe Dantas Bezerra, as gêmeas Libênia Dantas Bezerra e Limênia Dantas Bezerra, além do benjamim da família, Fabrício Dantas Bezerra.
Voltando a Antônio Bezerra, podemos afirmar que era homem de princípios firmes, era avesso aos excessos da política partidária, preferindo alinhar-se àqueles que defendiam o Bem e o Direito.
Católico fervoroso, dedicava parte de suas manhãs à leitura de ‘Na Luz Perpétua’, obra de João Batista Lehmann sobre as biografias dos santos. Por sua conduta íntegra e por seu senso de dever, foi reiteradamente distinguido com nomeações para cargos de relevância, sempre conduzindo-se com altivez, equilíbrio e dignidade.
Mantinha ativa correspondência com Dom José Pereira Alves, Bispo de Natal, e com seu secretário, o cônego Melo Lula. Correspondia-se também com o padre Luiz Gonzaga Monte, trocando reflexões sobre astronomia, e demonstrava fluência em francês e latim, além de profunda admiração pela língua portuguesa. Por vezes, trocava bilhetes em francês com amigos acariense, a fim de aprimorar seus conhecimentos.
Em tempos em que o comércio de Acari permanecia aberto aos domingos, fazia questão de fechar sua loja durante a missa, reabrindo-a apenas ao término da celebração. Desempenhou papel de liderança nas atividades religiosas locais, sendo presidente da Confraria de São Vicente de Paulo e tesoureiro da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário.
Como comerciante, atuou no ramo de tecidos, granjeando confiança em diversas praças do Nordeste. Sua reputação de homem honesto, de caráter firme e de hábitos simples tornou-se conhecida muito além das fronteiras de Acari.
Embora tivesse cursado apenas o primeiro ano do ensino secundário, em Brejo do Cruz, no Estado vizinho, possuía vasta cultura e inteligência notável. Dotado de espírito dinâmico e alma sensível, foi um dos maiores entusiastas da música em Acari, incentivando a banda local sob a regência do maestro Felinto Lúcio Dantas (1898-1986).
Também fundou a Cooperativa Agropecuária Central de Acari e estimulou o desenvolvimento esportivo na cidade, sendo o responsável por organizar a primeira visita do América Futebol Clube à região.
Ao longo de sua vida pública, exerceu funções de relevo na comunidade local, sempre pautadas pela retidão.
Foi Agente do Correio em Jardim do Seridó (1906); membro da Mesa Eleitoral Estadual (1907); Agente Fiscal do Imposto de Consumo (1910), nomeado por ato do Ministro da Fazenda; Delegado de Polícia em Acari (1910); Promotor Público interino (1922), nomeado pelo Juiz de Direito Silvino Bezerra Neto; segundo suplente substituto de Juiz Federal (1923), por ato assinado pelo Presidente Artur Bernardes; e primeiro suplente substituto de Juiz Federal em Acari (1931), nomeado por ato do Presidente Getúlio Vargas. Por diversas vezes foi convidado a assumir a Prefeitura de Acari, mas, avesso à ostentação, recusou todas as nomeações.
Desse modo foi Antônio Bezerra que faleceu em Acari, a 3 de novembro de 1967, aos 91 anos, cercado pelo afeto dos filhos e netos Fernandão e Chico. Deixou para sua família e para o povo do Seridó o legado de uma vida marcada pela honestidade e pela devoção ao bem comum.
Sua memória permanece como símbolo de integridade e de compromisso moral, sendo lembrado como uma das reservas éticas mais puras da história seridoense.
Sobre o filho Manoel José Fernandes, aquele que recebe a alcunha de “Bilé”, nasceu em 3 de outubro de 1910, no município de Taperoá, no vizinho Estado da Paraíba.
O apelido “Bilé” surgiu de forma afetiva na infância, quando sua irmã mais velha, Maria Elita, nascida em 1909, chamava-o de “bebê Bié”, expressão infantil que, com o tempo, consolidou-se como o nome pelo qual seria amplamente conhecido e estimado em sua comunidade.
O nascimento de Bilé no solo paraibano decorreu de um contratempo na trajetória profissional de seu pai, então Fiscal de Consumo do Estado do Rio Grande do Norte. Por motivos de ordem política, Antônio Bezerra foi compelido a pedir demissão do cargo, o que levou a família a transferir-se para Taperoá.
Na nova cidade, buscou restabelecer a estabilidade doméstica e financeira mediante o trabalho, associando-se ao primo Francisco Bezerra de Araújo Galvão (1874–1970), proprietário de uma casa comercial no ramo de tecidos. Iniciava-se, assim, uma nova etapa em sua vida, marcada pelo labor constante e pela dedicação ao sustento e ao bem-estar dos seus.
Em 1914, a família retornou ao Rio Grande do Norte, fixando-se em Jardim do Seridó, terra natal de Antônio Bezerra. Lá, ele passou a dedicar-se à agricultura na Fazenda Touro, pertencente à matriarca Maria Rozalina de Araújo Fernandes (1847–1929), sua mãe, irmã do coronel Silvino Bezerra de Araújo (1836–1921). A propriedade situava-se cerca de um quilômetro da sede municipal.
Cinco anos depois, em 1919, quando Bilé contava apenas nove anos, a família mudou-se para Acari, estabelecendo-se na Fazenda Acauã, de propriedade de Félix Eufrásio de Araújo (1899–1979), genealogista e memorialista devidamente apresentado neste escrito, irmão de dona Cândida, esposa de Antônio Bezerra.
Nesse mesmo ano, teve início a construção da nova rodagem com destino a Natal, ocasião em que Antônio Bezerra aproveitou a oportunidade para erguer um barracão destinado à venda de gêneros alimentícios, empreendimento que lhe trouxe apreciáveis lucros e contribuiu para o restabelecimento financeiro da família.
Em 1920, os pais de Bilé adquiriram, em Acari, uma loja de tecidos pertencente ao senhor Raul Pontes. Ainda criança, então com dez anos, já auxiliava os pais nas atividades comerciais. Quatro anos mais tarde, em 1924, a loja foi vendida e substituída por um estabelecimento de maior porte, de propriedade de Antônio Basílio, então prefeito municipal.
O novo estabelecimento comercial, situado à Praça Coronel Silvino Bezerra, nº 46, passou a ser diretamente administrado por Bilé, com apenas quatorze anos de idade. Permaneceu à frente dos negócios até 1965, ocasião em que cedeu o ponto ao senhor Onessino Onésio da Silva (1924-2016).
Figurou Onessino Onésio como preeminente comerciante e Vice-Prefeito de Acari no interregno de 1977 a 1982, havendo assumido as rédeas do Executivo em reiteradas ocasiões. Era ele sobrinho de Sebastião — conhecido como 'Sebastião da Viúva' —, do Saco dos Pereiras.
Cumpre registrar, por oportuno, que a genitora do dito Sebastião, a senhora Chiquinha Viúva, fora a responsável pelos desvelos dispensados ao célebre aviador Major Hortêncio de Brito, a quem acolhera na mais tenra idade para tratá-lo das moléstias que o afligiam."
Destarte, os estudos iniciais de Bilé foram realizados no Grupo Escolar Tomaz de Araújo, onde concluiu o curso primário, equivalente ao atual ensino fundamental. Posteriormente, frequentou o Externato Spencer, instituição de prestígio organizada e dirigida pelo doutor Francisco Menezes, promotor da comarca e reconhecido educador da época.
Em 14 de novembro de 1934, contraiu núpcias com Maria do Carmo Galvão (1914–1985), filha de Francisco Braz de Albuquerque Galvão e de Izabel Bezerra de Araújo. Deste enlace adveio uma única filha biológica, Maria Izabel Fernandes de Medeiros (1938–2024), tendo o casal, não obstante, adotado outras crianças, mormente oriundas da parentela.
Maria Izabel, por sua vez, uniu-se em matrimônio ao engenheiro agrônomo Dr. Pedro Pires Gonçalves de Medeiros (1922–1975), então chefe da Estação Experimental de Cruzeta. Deste consórcio resultaram nove filhos: Natália Bertina, Mário Manoel, Maria Cândida, José Gentil, Ana Amélia, Antônio Carlos, Porfíria, Izabel Cristina e Pedro Pires Filho.
Durante o governo do interventor general Fernandes Dantas, em 1º de dezembro de 1944, Bilé fora nomeado prefeito de Acari. Sua administração destacou-se pelo zelo com a educação, pela conservação das estradas e prédios públicos e pela atenção à limpeza urbana. Ao término do governo do interventor, apresentou seu pedido de exoneração, em gesto de solidariedade política, sendo sucedido por Sérvulo Pereira de Araújo, em 1948.
Em 1954, o médico Paulo Pires Gonçalves de Medeiros, irmão do agrônomo Pedro Pires acima citado, foi eleito prefeito de Acari, tendo Bilé postulado e figurado como vice-prefeito. Durante esse mandato, ele acumulou também as funções de presidente da Câmara Municipal. Foi justamente nesse período que se emanciparam os municípios de Cruzeta, representado por Joaquim Lopes Pequeno (“Baé”) e Carnaúba dos Dantas, representado por João Cândido Filho.
Em 26 de outubro de 1958, Bilé representou oficialmente o prefeito de Acari na inauguração do Açude Público Marechal Dutra, o Gargalheiras. Na ocasião, foi servido um churrasco de confraternização aos trabalhadores que participaram da construção, obra executada sob a direção do Exército Brasileiro e a supervisão do major engenheiro Ari de Pinho que chegou a ganhar nome de bairro em Acari. Encerrada essa fase de vida pública, afastou-se das disputas eleitorais, dedicando-se integralmente às atividades rurais e à pecuária.
Com o tempo, tornou-se proprietário das fazendas Riacho da Serra e Tigre, ambas posteriormente vendidas ao comerciante Antônio Maria, de Currais Novos, em 1985 e da Fazenda Benedito, que doou à sua filha, Maria Izabel Fernandes de Medeiros.
Durante muitos anos, exerceu a função de representante correspondente do Banco do Brasil em Acari e integrou a Loja Maçônica Fraternidade e Justiça III desde sua fundação, em 17 de janeiro de 1971, sendo um de seus membros mais respeitados.
Homem de vida ativa e espírito comunitário, ele também agiu no cenário social e esportivo do município. Atleta do antigo Sport Club Acaryense, fundado em 1934, atuando ao lado de nomes expressivos do esporte local, como Aristíclo, célebre goleiro que mais tarde jogaria pelo São Paulo, Júlio Alves, os irmãos Chico Seráfico e Zé Vinício Dantas, Arcídio Pires (“Guincha”), Bibiano, Zé Moleque, Luiz Cândido, Pires, Zé Batista, Zé Artur (“Sô”), João Bosco, Zé Nunes, Severo Fernandes, Pedro Celestino, entre outros.
Além do desporto, notável foi sua atuação como líder comunitário e incentivador da juventude, engajando-se em movimentos escoteiros, oratórios e atividades de cunho social e religioso. Participou ativamente das festividades de Nossa Senhora da Guia, padroeira de Acari, e teve presença constante nas celebrações que marcavam a vida cultural e espiritual da cidade.
Do seu segundo convívio marital com Maria Martha de Araújo (1937-, mulher admirada por sua paciência e rara beleza, deixando os únicos filhos biológicos homens Fernando e Marcos, além da filha Farah Indira.
Manoel José Fernandes faleceu em 1993, deixando um legado de trabalho, honradez e dedicação à família e à terra seridoense. Sua memória permanece viva no seio da comunidade acariense, como exemplo de homem público íntegro, empreendedor e profundamente comprometido com o desenvolvimento de sua gente.




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