ANTÔNIO BASÍLIO DE ARAÚJO (1889/1932) tio de José Araújo e tio-bisavô do historiador e escritor Walclei de Azevedo Araújo. Foi intendente de Acari/RN. Proprietário de uma farmácia, nesta cidade.
SEBASTIÃO PEREIRA DA SILVA (1889 - 1964) Filho do casal Antônio Pereira da Silva e Francisca Maria da Conceição era o filho mais novo dos dez legítimos. A historiografia, por vezes, tende a olvidar aqueles que, pela discrição de suas almas, não buscaram o estrondo dos aplausos, mas edificaram, no silêncio do dever cumprido, legados de inestimável valor moral. A essa estirpe de varões ilustres e humildes pertencia Sebastião Pereira da Silva, que veio ao mundo em 19 de janeiro de 1889, na rústica paragem do Sítio Saco dos Pereiras, termo de Acari. Caçula de uma prole de dez irmãos, filho de Antônio Pereira da Silva e de Francisca Maria da Conceição, teve seu destino marcado precocemente pela orfandade paterna, ocorrida apenas um ano após seu nascimento; tal circunstância fez com que a comunidade o alcunhasse, perenemente, como "Sebastião da Viúva", em referência à sua genitora, a venerável parteira Chiquinha Viúva.
Aos doze anos, no limiar do século XX, em 1901, o jovem Sebastião passou à tutela de seu padrinho, o fazendeiro José Sancho Pereira de Araújo, que obteve a vênia materna para criá-lo. Desta convivência, herdou não apenas o segundo apelido — "Sebastião Sancho" — mas também a vocação para as lides do campo. Tornou-se um exímio vaqueiro, pioneiro nas árduas comitivas de gado que desbravavam o estado, figurando, inclusive, como companheiro de jornada de Antônio Medeiros em sua derradeira viagem a Ceará-Mirim, no ano de 1942. Após o passamento de seu padrinho, em 1920, retornou ao berço natal no Saco dos Pereiras, onde se converteu em mestre do ofício sertanejo, transmitindo a arte da vaquejada às novas gerações.
Sua figura, contudo, transcendia a imagem do homem rude do gado. Dotado de intelecto ávido, alfabetizou-se sob a orientação de um ex-combatente da Guerra do Paraguai, feito notável ante as carências da época. Ademais, era detentor de saberes místicos, sendo procurado como curandeiro de animais acometidos por "bicheiras" — um dom que guardava em segredo, crendo que a revelação do rito lhe roubaria a eficácia. Sebastião partiu da vida terrena em 1964, na residência de seu parente Manoel Pereira da Silva (o "Manoel Vermelho"), no mesmo Saco dos Pereiras que o viu nascer. Meio século depois, em 16 de junho de 2014, sua memória foi exaltada em solene homenagem no alpendre daquela casa, com descerramento de placa e versos do aboiador Luizinho, celebrando a lhaneza, a honradez e a bondade deste sertanejo que, em vida, fez da simplicidade a sua maior nobreza.
A memória seridoense conserva, ad perpetuam rei memoriam, figuras cuja existência simples se projeta para além do tempo, tornando-se exemplo de valores humanos, resistência e serviço ao próximo.
Entre essas figuras inscreve-se Sebastião Pereira da Silva, conhecido na tradição oral como Sebastião da Viúva, e para Ivo Pereira: o Joca. Sebastião, homem nascido em 19 de janeiro de 1889, no Sítio Saco dos Pereiras, em Acari, cuja vida se entrelaça de modo indissociável à cultura do vaqueiro nordestino e às ramagens familiares que moldaram os sertões do Seridó.
Filho de Antônio Pereira da Silva (n. 1850) e de Francisca Maria da Conceição (n. 1855), ficou desde cedo marcado pela condição materna de viuvez, circunstância que lhe valeu o epíteto pelo qual se tornou conhecido.
Criado, ainda jovem, sob os cuidados do padrinho José Sancho de Araújo (1858-1920), passou a ser também chamado Sebastião Sancho, nome que reflete a prática seridoense de filiação social, quasi filius adoptivus, tão comum em tempos de escassez e solidariedade comunitária.
Desde a juventude, Sebastião dedicou-se integralmente à vida do campo, tornando-se vaqueiro de reconhecida habilidade e coragem. Foi pioneiro nas comitivas de gado dentro do Rio Grande do Norte, enfrentando longas jornadas sob o sol inclemente, conduzindo rebanhos por caminhos ásperos, onde o esforço físico se aliava à prudência e ao conhecimento empírico da terra.
Companheiro de Antônio Medeiros em sua derradeira viagem rumo a Ceará-Mirim, em 1942, integrou uma geração de homens que fizeram da lida com o gado uma verdadeira escola de caráter. Após a morte do padrinho, em 1920, retornou ao Saco dos Pereiras, onde passou a transmitir aos mais novos a arte de ser vaqueiro, perpetuando saberes que não se aprendem em livros, mas no convívio diário com a natureza e com os animais.
Além da fama de vaqueiro, Sebastião da Viúva era reconhecido como curandeiro, especialmente no tratamento da bicheira, prática envolta em segredo, pois acreditava que a revelação do método lhe retiraria o dom de cura, arcana artis. Mesmo vivendo em contexto de poucas oportunidades formais, aprendeu a ler e a escrever com um ex-combatente da Guerra do Paraguai, demonstrando uma disposição singular para o aprendizado e para a ampliação do espírito.
Deixou como herança imaterial valores que se tornaram referência a lhaneza no trato, a constante vontade de servir, a disposição para fazer o bem e uma honradez que marcou, in vita et post mortem, a lembrança que dele guardam seus descendentes e conterrâneos.
Essa memória foi solenemente reafirmada em 16 de junho de 2014, a qual estivemos presentes, quando, no cinquentenário de sua morte, realizou-se uma homenagem no Saco dos Pereiras, na residência de Manoel Vermelho, Manoel Pereira da Silva (1931-2017), local onde Sebastião falecera.
O descerramento de uma placa comemorativa, as palavras de historiadores, escritores e sertanistas como Paulo Bezerra Balá (1933-2017), bem como os versos declamados por Luizinho aboiador, converteram o ato em verdadeira celebração da tradição oral e da identidade regional, reafirmando a importância de Sebastião da Viúva como símbolo de um Seridó pautado pela dignidade e pela solidariedade.
APRONIANO PEREIRA DE ARAÚJO (1889/1960) nasceu em Currais Novos/RN, sendo filho de Benvenuto Pereira de Araújo e de Izabel de Medeiros Galvão. Avós paternos: Thomaz Pereira de Araújo e Rita da Câmara Ferreira. Avós maternos: Laurentino Bezerra de Medeiros Galvão e Tereza Ursulina de Jesus. Casou-se com Maria Augusta Pereira de Araújo (nome de casada), Maria Augusta Pires Galvão (nome de solteira). Filha do Major Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão herdou grande parcela de terra onde hoje está localizado o bairro 'Paizinho Maria' em Currais Novos/RN. Entretanto, além de Fazendeira foi Política. O casal gerou: Rodolfo Pereira de Araújo, Rubens Pereira de Araújo, Rosildo Pereira de Araújo, Almira Pereira de Araújo, Alba Pereira de Araújo e Radir Pereira de Araújo. Juntamente com Ladislau Galvão, Aproniano iniciou a loja 'A SERTANEJA'.
A trajetória de Raimundo Nonato Pereira de Araújo, que viveu entre 1889 e 1951, reveste-se de contornos épicos dignos das grandes aventuras do século XX. Filho de Joaquim das Virgens Pereira de Araújo e irmão de José Evaristo de Araújo, Raimundo — que é tio-avô do Dr. Joaquim das Virgens Netto — teve uma formação cosmopolita e precoce. Ainda na juventude, aos quatorze anos, atravessou o Atlântico com destino à Escócia para dedicar-se aos estudos comerciais na renomada Dollar Academy, instituição onde também se destacou atleticamente ao integrar a seleção de rugby.
O seu regresso ao Brasil, ocorrido em 1918, coincidiu com os conflitos finais da Primeira Grande Guerra e tornou-se o cenário de um ato de bravura singular. A bordo do vapor Amazon, Raimundo viu a embarcação ser torpedeada por forças alemãs; contudo, longe de sucumbir ao pânico, valeu-se de sua condição de exímio nadador para tornar-se um herói naquelas águas revoltas. Num gesto de suprema humanidade que transcendeu as inimizades bélicas, ele não apenas auxiliou no resgate dos náufragos de seu próprio navio, mas também estendeu a mão para salvar os marinheiros do submarino agressor, que acabara de ser bombardeado pela força aérea inglesa, deixando um legado de coragem e altruísmo que honra a memória de sua linhagem.


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