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1877

 


   PORFÍRIA IZABEL BEZERRA DE ARAÚJO (1877/1957) Patronímico de solteira: 'OLIVEIRA MENDES'. Irmã de Antônio Pires de Medeiros. Genitora de Luiz Oliveira. Patronímico de solteira: 'OLIVEIRA MENDES'. Irmã de Antônio Pires de Medeiros. Genitora de Luiz Oliveira.

  MARIA ARMELINA DANTAS (Mariazinha) nasceu aos 24 de outubro de 1877, filha de José Calazâncio Dantas e Enedina Maria de Sant’Ana. Do primeiro matrimônio de seu pai, com Maria Jovina de Santa Ana, apenas dois filhos chegaram à idade adulta: Maria Jovina Dantas (Marica) e Ludgero Felinto Dantas. “Aos trese de Fevereiro de mil oito centos e noventa e tres, na Fazenda Oiticicas, sem haver impedimento, o Revmo. Padre Joel Esdras Lins Fialho, de minha licença, com todas as formalidade do estilo, em prezença das testemunhas os Cidãos Capm. Manoel Vicente Dias de Araújo e Ludgero Felinto Dantas, unio em matrimonio os contraentes meus Parochianos Joaquim Vicente de Araújo, filho legmo. de José Vicente de Araújo e Antonia Jovina do Amor Divno, com Maria Ermelinda Dantas, filha legm. de Jozé Calazanco Dantas e Enedina Maria de Santa Anna do que por ser verdade faço o prezente que assigno. – Pe. Amaro Theot Castor Brasil”.



  MANOEL SÉRGIO DE MEDEIROS (1877/1960) Manoel Sérgio de Medeiros (1877–1960) integrou destacado tronco familiar do sertão norte-rio-grandense, sendo filho de Pedro Paulo Dantas de Medeiros e de Maria Benta de Albuquerque, e irmão de Irineu Leopoldo Dantas, Francisco Sátiro de Medeiros, Antônio Paulo Dantas, Anunciada Cândida de Medeiros, Pedro Paulo de Medeiros, Ana Maria de Medeiros, André Pires de Medeiros e João Raphael Dantas, entre outros, compondo numerosa e influente descendência; reconhecido como patriarca do ramo conhecido como “os Paulos”, denominação oriunda do nome de seu pai, consolidou-se como figura central na continuidade dessa linhagem, tendo contraído matrimônio em primeiras núpcias com Deolinda Libânia de Araújo, com quem teve treze filhos, a saber: Maria Benta de Medeiros, Libânia Deolinda de Araújo, Gerôncio Pires de Medeiros, Ana Medeiros, Rita de Medeiros Gomes, Francisco Medeiros, Antônio Lisboa de Medeiros, conhecido como Tonho, José Pires de Medeiros, chamado José Paulo, Luiz Gonzaga de Medeiros, João Evangelista de Medeiros, dito João Paulo, Pedro Paulo de Medeiros, Manoel Quinino de Medeiros e Francisca Medeiros Galvão; após enviuvar, já em idade madura, contraiu segundas núpcias, em 28 de fevereiro de 1925, com Teresa Moraes de Albuquerque, união da qual nasceram mais onze filhos, entre os quais Edith de Medeiros Cavalcanti, Violeta Morais Gomes, Elça Morais de Medeiros, Maria das Neves de Morais Medeiros Cavalcante, Núbia Morais Bezerra de Medeiros, Terezinha Medeiros Gralheiro, Ivanaldo Medeiros, Luiz Ivalito, Ivanethe Medeiros, entre outros; foi proprietário da Fazenda São Sebastião, situada às margens do rio São Bento, patrimônio que permaneceu na descendência familiar, evidenciando a continuidade econômica e social do grupo, atualmente representado, entre outros, por seu bisneto Helder, da HS Móveis, perpetuando-se, assim, a presença e a relevância da família no contexto histórico do Seridó.


 

      

Marianna Iluminata Nóbrega Santa Rosa, nascida em 1877 e falecida em 1917, inscreve-se no vasto tecido genealógico do Seridó como filha de Janúncio Salustiano da Nóbrega e de Iluminata Teodora da Nóbrega, troncos de uma linhagem marcada tanto pela projeção política quanto pela presença fundadora na história sertaneja. Irmã de Gorgônio Ambrósio Nóbrega, ela integrou, por nascimento e matrimônio, duas das famílias mais antigas e influentes da região. Pelo parentesco remoto, era prima terceira de Manoel Porfírio Dantas — bisavô materno do historiador Sérgio Enilton — e sobrinha-neta da pentavó deste, Thereza Maria de Jesus, casada com Gregório José Dantas Correia. Herdava ainda, por sua trisavó Maria Francisca do Espírito Santo, a ascendência de Antônio de Medeiros Rocha e Maria da Purificação, vinculando-se assim, pela via materna, aos irmãos Medeiros e aos patriarcas Rodrigo de Medeiros Rocha e Sebastião de Medeiros Matos, cujas raízes se projetam nas mais antigas formações familiares do Seridó potiguar.

A vida de Marianna entrelaça-se, pela via conjugal, à trajetória de Cypriano Bezerra Galvão Santa Rosa (1857–1947), homem de envergadura pública, que viria a ser o primeiro prefeito de Acari no ordenamento administrativo posterior a Getúlio Vargas. O enlace ocorreu em um dia que se tornaria célebre na memória regional: enquanto se celebrava o casamento, Caicó se via sacudida pelo episódio que as crônicas chamaram de “o fogo da Pedreira”, um confronto direto da polícia com o bando do cangaceiro Antônio Silvino. O estrépito das armas, vindo da zona rural, atravessou simbolicamente a cerimônia, marcando com a violência típica do sertão a união que geraria Jayme, Maria Amélia, Maria Amália, Janúncio e Iluminata, todos assinando com o sobrenome “da Nóbrega Santa Rosa”, à exceção de Pompeo da Nóbrega Bezerra, que também integraria a descendência.

A compreensão plena desse ambiente familiar e histórico exige o ingresso no universo narrado por Orlando Rodrigues em O Fogo da Pedreira, obra que costura, com vigor e riqueza documental, não apenas o ataque ao grupo de Antônio Silvino, mas todo o substrato sociológico, econômico e genealógico que explica o surgimento e o poder das famílias sertanejas, entre elas a própria Nóbrega, à qual Marianna pertencia. O livro apresenta a Pedreira — fazenda de rios intermitentes, chuvas escassas e caatingas agrestes, situada entre a Borborema e a Serra do Doutor — como um território que supera a condição de espaço físico para se tornar símbolo da memória coletiva, feudo de antigas linhagens e palco privilegiado das tensões do sertão. Era uma vasta propriedade agrícola, cercada de oiticicas, juazeiros, xique-xiques e mandacarus, onde a economia algodoeira forjou riqueza, poder e as complexas redes de mando típicas do coronelismo.

Orlando Rodrigues descreve a Pedreira como legado de um passado marcado pelo idealismo e pela força cultural de famílias descendentes de colonizadores portugueses e, em certos casos, portadoras de ancestralidade celta, herança que, segundo o autor, se manifestava tanto no temperamento combativo quanto no apego às tradições. Ali se condensavam as raízes do clã Nóbrega e dos ascendentes que moldaram a política e a sociedade do Seridó. Liberato Cavalcante de Carvalho Nóbrega, por exemplo, é lembrado como “o primeiro Rei do Cangaço”, num retrato que evidencia a ambiguidade moral dos líderes sertanejos — heróis ou vilões, conforme o olhar.

O cangaço, nas páginas do livro, não aparece como mero banditismo, mas como resposta brutal a uma realidade igualmente brutal. O sertão descrito por Orlando é regido pela lei do mais forte, “do matar ou morrer”, onde as volantes, as milícias e o poder dos coronéis se entrelaçam num complexo jogo de honra, vingança e sobrevivência. Muitos dos homens que empunhavam armas eram trabalhadores, pequenos proprietários ou sertanejos de posses modestas, tragados pela violência de injustiças praticadas pelos poderosos, “travestidos em paladinos da Lei”. Nesse território, onde a fome e a seca ritmavam a existência, a luta sangrenta tornava-se, por vezes, a única via de afirmação e resistência.

Na galeria de personagens que atravessam o relato estão Antônio Silvino, cuja presença estruturante acende a narrativa; Cosme Pereira, patriarca espirituoso e austero; Jesunino Brilhante, o “Robin Hood da Caatinga”; Joca Ferreira do Umbuzeiro, abatido por sua própria sina; e tantos outros que encarnam a dureza do sertão e a fluidez moral daquele mundo. As descrições do cotidiano — a farinha de mandioca, a paçoca, a rapadura, o comércio do gado, as festas de casamento — convivem com as imagens da seca devastadora, da fé que sustenta os sertanejos e da paisagem que impõe rispetto e medo, mas também beleza.

É nesse pano de fundo que se deve compreender a figura de Marianna Iluminata Nóbrega Santa Rosa. Mulher de uma rede genealógica vasta, herdeira de linhagens que remontam aos primeiros povoadores, protagonista de um casamento marcado por um dos episódios mais simbólicos do cangaço no Seridó, ela insere-se, com naturalidade e força, no entrecruzamento entre a história das famílias, a política local e os acontecimentos que moldaram a região. Sua trajetória pessoal é inseparável da memória coletiva que O Fogo da Pedreira procura iluminar: um sertão onde honra, poder, sangue, fé e ancestralidade se entrelaçam numa longa tapeçaria humana que o tempo não dissolveu.


Cristóvão de Araújo Cananéia, nasceu em 12 de julhos de 1877 e faleceu em 26 de julho em 1967, filho de Cristóvão Lopes de Araújo Cananéia (1848-1917) e de Joana Maria do Coração de Jesus (1855-1940), neto de Manoel Lopes Pequeno Júnior Cananéa (1818-1892) e de Joaquina Avelina de Medeiros (n 1826). Bisneto de Manoel Lopes Pequeno (1794-1881) e de Anna Maria da Circuncisão (1795-1837) sendo esta filha do Presidente da Província Thomaz Pereira de Araújo (1765-1847) e de Thereza de Jesus (1761-1848). Esposo de Apolônia Germina de Medeiros (1888-1976). 

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