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1848

 

   

     MARIA THEODORA DE JESUS (1848 - 1889), esposa do Tenente Thomaz Lopes de Araújo Galvão (26.01.1845 - 26.02.1890) que era filho do Cel. Cipriano Lopes Galvão (13.05.1807 - 16.10.1862) - irmão do Cel. Cipriano Bezerra Galvão (em 11.01.1849 Comissário Vacinador nomeado pelo Imperador) e Ana Marcolina de Jesus (21.12.1817 - 15.10.1899, ANINHA DO INGÁ ), irmã do Pe. Tomaz Araújo e sua esposa Maria Theodora de Jesus (20.12.1848 - 19.07.1889), filha do Cel. João Damasceno de Araújo Pereira (Bode Preto), irmão do Pe. Tomaz Araújo, e Tereza Alexandrina de Jesus (18.05.1829 - 16.11.1910), irmã de Tomaz Francês e Manoel Cananéa e Xandinho. Genitora de: Cipriano Lopes de Araújo Galvão; Thomaz Lopes Galvão (Thomaz Medalha); Antônio Ladislau de Araújo Galvão; Francisca Umbelina Bezerra; Teresa Aureliana de Jesus; Ana Maria da Circuncisão; Antônia Àguida de Jesus; Guilhermina Maria de Jesus; Maria Theodora de Jesus.  Filhos do casal: Cipriano Lopes de Araújo Galvão, c.c. Ana Maria das Neves, filha de Joaquim Teotônio de Araújo Galvão e Guilhermina Maria de Jesus, a 2ª Rita. Thomaz Lopes Galvão - Thomaz Medalha, c.c. Mônica Augusta da Nóbrega Galvão, filha de Joaquim Teotônio de Araújo Galvão e Natália Mônica Pereira da Nóbrega. Antônio Ladislau de Araújo Galvão c.c. (1ª) Sérvula Escolástica de Araújo, filha de Antônio Pereira de Araújo e Tereza Pires de Araújo; a 2ª Perpétua Medeiros, filha de Silvino da Costa Medeiros e Auta Aurora de Medeiros. Francisca Umbelina Bezerra, c.c. Manoel B. de A . Galvão Júnior (Coquinho Júnior), filho do Cel. Manoel B. de A . Galvão (Coquinho) e Ana de Araújo Pereira.  Teresa Aureliana de Jesus, c.c. Cipriano Pereira de Araújo, filho de Antônio Pereira de Araújo e Cândida Rosália de Viterbo. Ana Maria da Circuncisão, c.c. Francisco Elviro Pires de Albuquerque, filho do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, o 3º e Porfíria Alexandrina de Jesus. Antônia Águida de Jesus, c.c. Manoel Aprígio de Araújo Galvão, filho de Joaquim Teotônio de Araújo Galvão e Guilhermina Maria de Jesus.  Guilhermina Maria de Jesus, c.c. Antônio Pereira de Araújo, filho de Antônio Pereira de Araújo e Cândida Rosália de Viterbo. Maria Theodora de Jesus, c.c. João Cândido Pereira de Araújo (1º) filho de Antônio Pereira de Araújo e Cândida Rosália de Viterbo. O 2º Joaquim Vitoriano.

Fonte: José Bezerra de Araújo 



 Ten-cel. ANTÔNIO PIRES DE ALBUQUERQUE GALVÃO (1849-1934) O 'Major Pires' nasceu aos 08 de Novembro de 1849 e faleceu aos 24 de Maio de 1934. O seu pai faleceu moço, com apenas quarenta anos de idade das febres forte envolto em mantas e está sepultado no cemitério do Bico da Arara, que se encontra, atualmente, abandonado. O Major foi casado duas vezes, a primeira com Porphíria Alexandrina de Jesus e a segunda com Nathália Augusta Pires (Araújo, nome de solteira). Da primeira união advém o seu primogênito Enéas Pires Galvão. Da segunda união advém o neto poeta José Gonçalves de Medeiros.

ACARY – A comarca de Acary compreende os distritos judiciais: Currais Novos, Flores e Santa Cruz. Foi criada por lei estadual de 12 de agosto de 1898 e instalada no dia primeiro de setembro do mesmo ano. O município foi criado no regime monárquico. Tem como fundador o capitão Thomaz de Araújo Pereira que exerceu cargo de  primeiro presidente da antiga Província do Rio Grande do Norte depois da independência do Brasil. Em 1905 tinha população estimada em 8 (oito) mil habitantes, contendo 422 eleitores.

ANTÔNIO PEREIRRA DE ARAÚJO (1848-1904) Ao redor da palavra partilhada, assentamo-nos para escutar os velhos causos, expostos com a minúcia de quem conhece a terra, a gente e os eventos que marcaram a existência naquelas paragens, trazendo à tona fragmentos genealógicos e lembranças de topônimos que o tempo se encarregou de alterar. 

Ouvem-se os ecos de ventos importantes, narrativas sobre a posse da terra e assuntos de natureza mais íntima, difíceis de verter em fala, demonstrando como a história e a memória permanecem vivas na boca do povo nativo e como o passado, insistente, ainda ressoa no presente.

O conto principia, invariavelmente, pela confusão estabelecida em torno do próprio nome do lugar: Acauã. Indaga-se onde situam-se, com precisão, a Acauã Velha e a Nova, a de Cima e a de Baixo, e onde encaixar tais denominações aos seus respectivos proprietários. 

Desse modo, busca-se no mapa da memória onde residiram figuras como Seu Azarias, descendente de Quincoló, ou onde firmaram morada Francisco Braz, Enéas Pires, Antônio Pereira de Araújo (1848-1904), Antônio Pereira 'Gordo', bem como seus filhos, Tio Félix, Sérvulo Leodegário e tantos outros. 

Percebe-se, então, que a identidade do lugar transcende o registro frio do papel cartorial, pois a vida real desenha outras cartografias. A tradição oral, o cotidiano e as intrincadas relações familiares criaram um mapa próprio, uma espécie de geografia afetiva que se sobrepõe à oficial. 

Ainda que a Acauã possa ter recebido sua nomenclatura original em uma unidade maior, as partilhas, vendas e heranças subdividiram o chão, tal como as experiências humanas subdividiram os significados; a Acauã Velha, segundo Gustavo Braz, poderia remeter às terras de Francisco Braz, seu bisavô, revelando que, se o documento diz uma coisa, a vivência constrói outra camada de realidade.

Testemunhei essa dinâmica ao realizar o recenseamento naquele setor em 1996, trilhando veredas que minha mãe já percorrera em ofício semelhante nas décadas anteriores. Gustavo evoca a sigla JBA, provável referência a José Braz de Albuquerque, seu avô, filho de Francisco Braz, ilustrando como a geografia é incessantemente reescrita pela história e pela memória, num processo vivo onde a paisagem carrega não apenas nomes, mas lendas e mistérios. 

Na roda de conversa, sussurra-se sobre a Serra da Adorna e uma tal gruta nela encravada, cujo paradeiro exato ninguém precisa, mas sobre a qual pairam histórias sombrias. Fala-se que ali, em tempos idos, era lugar de descarte de corpos, desova de inimigos ou ladrões, sem que se saiba a origem real de tais feitos, no caso se herança dos indígenas ou marcas da colonização. 

O curioso é a imprecisão de sua localização, talvez por desconhecimento, talvez por receio, o mistério alimenta-se do silêncio, tornando a gruta um ponto nevrálgico no imaginário coletivo, um receptáculo de medos e tabus, onde a paisagem absorve e perpetua a memória da violência.

Essa mesma terra, palco de lendas, é também o chão concreto das posses e das famílias. Rememoram-se requerimentos antigos, como o de Alexandre Rodrigues da Cruz sobre as terras da Acauã e da Serra da Adorna, e nesse cenário surgem sobrenomes que tecem uma vasta rede de parentesco: os Pereira de Araújo, os Pires Galvão. 

Na crônica familiar, avulta a figura imponente de Antônio Pereira de Araújo (1848–1904). Sua linhagem remonta a grandes troncos da região. Foi filho de seu homônimo, Antônio Pereira de Araújo (1821–1859), e de Theodora Pires de Albuquerque Galvão (1825–1870). 

Carregava no sangue a herança, por via paterna, do Alferes Antônio Pereira de Araújo (1781-1851) e de Maria José de Medeiros (1788-1858); e, pelo lado materno, era neto do Capitão Antônio Pires de Albuquerque Galvão (1797-1857) e de Guilhermina Francisca de Medeiros Rocha (1802-1840).

De seu primeiro consórcio matrimonial com Cândida Rosália de Viterbo (1850-1881), brotou uma linhagem significativa: foram pais de Antonio, Manoel Petronillo e do Antonio Pereira que viria a ser avô do escritor Bianor Medeiros. Houve também a Anna Marcolina, falecida em 1895, mesmo ano em que nasceu sua última filha, batizada com o nome da mãe; Cipriano Pereira, que chegou a ser prefeito de Acari e leva o nome da praça principal da cidade; Theodora Rosalina; Thomaz Pereira; Luzia Cândida, esposa do célebre comerciante Chico Bezerra; João Cândido; e Maria Cândida. Esta última, nascida no ano da morte de sua genitora, provavelmente vitimada pelo parto, carregaria consigo uma sina dolorosa que se repetiria em 1921. 

Maria Cândida foi a primeira esposa de Enéas Pires, o qual, ao enviuvar, contrairia novas núpcias com Joanna, uma neta do patriarca Antônio Pereira Gordo, fechando assim mais um ciclo nas intermináveis histórias da Acauã.

Nascida em 1895, Anna Marcolina, que viria a falecer em 1981, foi esposa de Horácio Pires Galvão (1891–1950). O casal teve seis filhos: Maria Pattira, Catharina, Adaltiva, Therezinha, Juarez Pires Galvão (1929–2004) e Antônio. O tempo, contudo, traçou caminhos distintos para a prole: Adaltiva viveu quase um século, alcançando os 95 anos, ao passo que Therezinha e Antônio faleceram ainda bebês.

Do segundo matrimônio de Antônio Pereira de Araújo (1848-1904) com Francisca Pires de Albuquerque Galvão (1860-1886) — filha de Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior (1823-1871) e de Porfíria Alexandrina de Jesus (1832-1862) — brotou uma nova prosápia. Esse casal semeou o vale da Acauã com três filhos de que se tem notícia: Antônio, Cândida e Porfíria. Os ramos se estenderam e Cândida tornou-se mãe de Seu Bilé e Aristóteles. Já Porfíria, de Dr. Zé Vinício e Chico Seráfico. Eis como o mundo se revela pequeno em suas tramas.

Chegamos, enfim, ao terceiro e derradeiro enlace de Antônio Pereira Gordo, desta vez com Thereza Pires de Albuquerque (1865–1915). Ela trouxe à luz Francisco Hermes, Josefa, Sérvula Escolástica, Maria Stellina, José Venâncio, Félix Pereira e, fechando a descendência, Sérvulo Leodegário. 

Este último, em consórcio matrimonial com a sobrinha Francisca Pires Galvão, pois ele era irmão de sua mãe por parte de pai e deixou como legado: Amélia, José, Maria Beatriz e Júlia. 

Os caminhos das netas se bifurcaram: Júlia firmou o sobrenome Pires Dantas na distante cidade de Dr. Severiano. Já Maria Beatriz, que ratificou a assinatura Pereira de Medeiros, teve sua história — infância, juventude e maturidade — escrita no já citado vale da Acauã, migrando para o sossego de Acari apenas na terceira idade.

Conta-se que os casamentos e dotes entre esses parentes não eram obra do acaso, mas sim alianças estratégicas para consolidar a posse da terra e firmar estruturas sociais. Os dotes, muitas vezes, constituíam-se das próprias terras, o que atraía novos pretendentes e fortalecia as famílias locais. 

Nesse cenário, os Pereira, pioneiros na região, entrelaçaram-se aos Pires. E, em que pesem os laços de sangue, as uniões entre primos e até entre tios e sobrinhas eram comuns, sempre amparadas pelas dispensas da Igreja e pela legislação civil da época.

A legislação civil atual apresenta, à primeira vista, uma vedação ao casamento entre tios e sobrinhos, contudo, permite-o excepcionalmente mediante o cumprimento de requisitos específicos de saúde. 

Em regra, o Código Civil de 2002, em seu artigo 1.521, inciso IV, estabelece que não podem casar os parentes colaterais até o terceiro grau inclusive, o que abrange a relação entre tio e sobrinho. Essa proibição visa, primordialmente, evitar riscos genéticos à prole decorrentes da consanguinidade.

No entanto, o ordenamento jurídico pátrio recepciona o Decreto-Lei nº 3.200, de 1941, que atua como uma legislação especial frente à norma geral do Código Civil. 

Este decreto autoriza o casamento de colaterais de terceiro grau (casamento avuncular), desde que os nubentes se submetam a um exame médico prévio que ateste a sanidade de ambos e a ausência de riscos de saúde para eventuais filhos. 

Portanto, embora a regra geral seja o impedimento, a exceção é legalmente válida e aplicável quando comprovada a inexistência de prejuízos biológicos.

Ademais, a jurisprudência dos tribunais brasileiros tem corroborado esse entendimento, reconhecendo a vigência do Decreto-Lei nº 3.200/41. Decisões do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) e do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), por exemplo, já validaram casamentos e uniões estáveis entre tios e sobrinhas, garantindo direitos previdenciários e de família, sob o argumento de que o impedimento legal pode ser superado pela comprovação médica de ausência de risco à prole. 

Em suma, o casamento entre tios e sobrinhos é permitido no Brasil, não de forma livre e irrestrita, mas condicionada. Para que a união seja formalizada validamente em cartório, é indispensável o procedimento de habilitação acompanhado de atestado médico, geralmente realizado por peritos nomeados ou aprovados pelo juízo competente que afaste a probabilidade de problemas genéticos hereditários.

Sobre Antônio Pereira — o 'Gordo' — paira o folclore de que era capaz de devorar uma galinha inteira numa só refeição. É um personagem que, pela descendência e legado, torna-se inesquecível, embora sua história tenha ficado retida na memória oral, carente de registros literários. 

Sequer há certeza sobre onde residiu na Ribeira da Acauã. Teria sido na casa-grande onde mais tarde viveu seu filho Félix Pereira, Félix Eufrásio de Araújo (1899–1979) e, onde hoje reside Novinho, filho de Ozanan? Vale lembrar que Ozanan descende do Coronel João Damasceno Pereira de Araújo (1827-1908), tio do próprio Antônio Pereira Gordo.

Para Fernando, a extensão territorial que os herdeiros lograram alcançar desenhava-se vasta na memória. Estendia-se desde a Acauã, onde morou o caçula Sérvulo Leodegário e cruzava o rio, hoje marcado por uma recente passagem molhada, adentrando as terras do espólio de Ozanan, onde residiu Félix Araújo. 

A gleba serpenteava por Bulhões até a Soledade, berço do escritor Bianor Medeiros (bisneto do personagem em testilha Antônio Pereira Gordo), abarcando toda a área que atualmente pertence aos filhos de José Braz Filho: Jarbas, Jarleno, Magnólia e Zé Neto.

Toda essa geografia é rememorada no alpendre da fazenda de Gustavo Braz, sobrinho de José Braz Filho, um solar de feições coloniais, adornado por um sótão e por uma imponente escadaria de madeira. Esta peça, relíquia histórica, provinha da antiga Fazenda Machado, outrora pertencente a Thomaz Lopes, o conhecido Thomaz Medelha, e atualmente em mãos de Magnólia e o esposo o galego sobrinho de Ozanan, nas vizinhanças da Acauã. 

É nesse cenário que o genealogista Fernando Galvão busca respostas. Na roda de prosa, ressurge com viva curiosidade a discussão sobre a localização da casa em que viveu dona Nanu. Seria essa matriarca, de fato, a avó de Juarez Pires?

Enfim, na roda da prosa ressurge, com viva curiosidade, a discussão sobre a localização da casa em que dona Nanu viveu. No alpendre da fazenda de Gustavo Braz — construção de feições coloniais, adornada por um sótão e por uma imponente escadaria de madeira proveniente da antiga Fazenda Machado, outrora pertencente a Thomaz Lopes, o conhecido Thomaz Medelha, na vizinhança da Acauã — o genealogista Fernando Galvão busca respostas. 

Ali, movidos por um sentimento quase arqueológico, ambos tentam identificar a morada mais remota, como se perseguissem o próprio marco zero daquelas memórias. O historiador e escritor Anderson Tavares, atento à conversa, também se fazia presente no diálogo.

Nesse ambiente impregnado de recordações, Gustavo Braz evoca a lembrança de alguns tijolos grandes e muito antigos, encontrados entre as ruínas da casa de dona Nanu, vestígios materiais que parecem conduzir às raízes mais profundas daquele passado.

Indaga-se, então, sobre o tipo de casa que ali existiu, se seria ampla, elevada, talvez típica de fazenda? Que espécie de distinção ou status teria representado em determinada época? Ainda que faltem datas precisas, o valor simbólico dessas construções, enquanto testemunhos históricos, permanece imenso. São fragmentos que integram, de modo indissociável, a memória ancestral da Ribeira da Acauã.

As memórias da Ribeira da Acauã não são feitas apenas de sol e bravura. Na verdade elas guardam também suas páginas tristes, marcadas pela dor de temas delicados, como mortes violentas e suicídios que, como cicatrizes, marcaram profundamente a região e suas famílias. 

Esse peso na história remete invariavelmente à década de 1930, um dos períodos mais instáveis e turbulentos do nosso Estado. Foi o tempo da derrocada da Primeira República, da ascensão centralizadora de Getúlio Vargas e de uma polarização ideológica visceral que opôs o governo ao comunismo, cujos reflexos se fizeram sentir com agudeza particular nas terras do Seridó.

Naquele cenário de incertezas, os grandes abalos nacionais reconfiguraram o tabuleiro da política potiguar, desfazendo alianças seculares e derrubando lideranças. O marco inaugural desse tempo revolto foi a Revolução de 1930, movimento armado que depôs Washington Luís, impediu a posse de Júlio Prestes e sepultou a política vigente. 

A revolução, ao instaurar o Governo Provisório de Vargas, rompeu a hegemonia das elites do sudeste e atingiu o Rio Grande do Norte de forma certeira. O governador Juvenal Lamartine, aliado do deposto presidente, caiu, dando lugar a uma Junta Governativa e a sucessivas interventorias federais. 

Nesse vácuo de poder, despontou a figura de João Fernandes Campos Café Filho, voz da oposição local e entusiasta da Aliança Liberal, o mesmo que, outrora, partilhara os bancos escolares com José Braz de Albuquerque Galvão, filho de Francisco Braz e avô de Gustavo, laços que a história tece em silêncio antes de os destinos se separarem.

Dois anos mais tarde, os ânimos se acirraram com a Revolução Constitucionalista de 1932. Embora militarmente sufocada, a revolta paulista forçou a convocação da Constituinte de 1934. Entretanto, no Seridó, a desconfiança imperava. Na Fazenda Talhado, banhada pelos riachos afluentes do rio Acauã, o avô de Gustavo não esperou pela sorte: ergueu um casarão imponente, projetado para a defesa. 

No pavimento superior, o desvão do telhado transformou-se em trincheira e da sacada, orifícios camuflados miravam as cancelas e as tramelas das porteiras, vigiando o acesso à casa-sede. Ali, a prontidão era armada com o “Rifle Peba” ou o icônico “Papo Amarelo”, as famosas carabinas Winchester, modelos 1873 ou 92, símbolos bélicos do cangaço e das volantes, prontas para cuspir fogo com precisão nas mãos de quem ousasse bulir na tranca, fossem comunistas, cangaceiros ou revolucionários de qualquer patente.

Nesse passo, a violência política da década cobrou um preço altíssimo, muitas vezes pago com a própria vida. O episódio mais dramático abateu-se sobre o interior em 13 de fevereiro de 1935, com a morte de Octávio Lamartine, filho do ex-governador, assassinado na Fazenda Ingá, em Acari, diante da esposa e dos filhos. 

A culpa oficial recaiu sobre uma força policial composta, em parte, por mercenários recrutados em penitenciárias para o 'serviço sujo'. Mas Octávio não foi a única vítima. Lideranças locais, rotuladas de 'coronéis' pelos adversários, também tiveram seus filhos abatidos. Jovens como Arão Pires Galvão (1902-1935) — filho do ex-prefeito de Currais Novos, Joca Pires — e Sérvulo Leodegário Pereira (1900-1935) — caçula do influente Antônio Pereira Gordo —, além de vítimas de outras inúmeras mortes não elucidadas, pereceram em circunstâncias nebulosas.

Embora muitos casos tenham sido registrados como suicídios, paira até hoje uma densa bruma de desconfiança. Num Brasil sob a mão pesada da ditadura varguista e desprovido de perícia forense moderna, a suspeita de que tais mortes foram assassinatos de conveniência política, maquilados de atos extremos, persiste na memória oral do povo, uma névoa que a história oficial jamais dissipou.

O ano de 1935 parecia não ter fim no Rio Grande do Norte. Cada mês chegava com o peso de uma tempestade seca, dessas que turvam o céu e deixam o seridoense com a impressão de que o mundo anda meio torto. Enquanto Rio e Recife viam seus levantes comunistas ruírem quase antes de nascer, foi Natal quem sentiu de frente o calor da Intentona: soldados do 21º Batalhão de Caçadores, misturados a civis da ANL e do PCB, varreram o governo de Rafael Fernandes e instalaram, por quatro dias improváveis, um “Soviete de Natal”. Bondes de graça, bancos expropriados, discursos inflamados, até que o entusiasmo vermelho começou a esmorecer, como brasa que arrefece na ventania.

A queda de Rafael, que meses antes vencera Mário Câmara e desestabilizara o domínio de Câmara e Café, ferozes inimigos dos Lamartine e dos perrepistas, só fez atiçar o ambiente de intrigas e conflitos. E foi nesse clima de fumaça e incerteza que a tropa insurgente decidiu mergulhar sertão adentro, imaginando que o Seridó lhes abriria veredas. 

A Serra do Doutor, fiadora de ventos e guardiã de fronteiras, ergue-se como sentinela entre o Trairi e o Seridó. Seu nome vem de tempos coloniais, quando o advogado português Dr. Antônio José Teixeira de Morais, homem letrado de Coimbra e sonhador de grandes fazendas, estendeu seus domínios pela Chapada da Borborema. A vastidão de suas terras, de Arara e Remígio à beira de Campo Redondo, fez com que a chapada adotasse o apelido do dono: Serra do Doutor. Mas o destino não o poupou, pois morreu assassinado em Areia. Mas seu nome, entranhado na geografia como raiz antiga, permaneceu ecoando na boca do povo.

Quando Natal caiu, a coluna comunista seguiu estrada acima em dez caminhões trêmulos de poeira, soldados e civis com os “lenços vermelhos” no pescoço balançando ao vento. Desciam confiantes, mas sem rumo. Do outro lado, o Seridó já se movia.

Em Acari, o Monsenhor Walfredo Dantas Gurgel (1908-1971), na época padre recém chegado de Roma, homem de pulso e palavra, convocou a gente da fé e da terra. Integralistas de Acari e Carnaúba dos Dantas, moradores dos sítios, rapazes do Tiro de Guerra de Parelhas, todos acudiram. Entre eles, ganharam fama os quatro irmãos Lúcio, Joel, Manuel e Felinto, de fibra e peito firme. E à sombra dessa mobilização, o nome de Dinarte Mariz começava a se entrelaçar ao da resistência, como prenúncio de futuro.

Foi José Vinício Dantas (1910-2000), o Dr. Zé Vinício, neto do Antônio Pereira Gordo, quem guardou na memória a força daquelas horas. No alpendre da Granja Mocolôndia, entre um gole de café e outro, ele dizia: “A Serra do Doutor não foi cenário, meu filho. Foi muralha. Quem viesse de Natal com ideia de botar ordem nova no Seridó tinha de passar por ali, e não passou.”

A estratégia, contava ele, era simples, bastava fechar a garganta estreita da serra, único rasgo por onde os caminhões poderiam subir. Homens de lida, calejados de couro e sol, transformaram pedra em trincheira. E a turma do Seridó, carregou pedra por pedra sobrepostas aos lajeiros que já existiam na formação natural do relevo. 

Era tarde de 25 de novembro de 1935 quando os motores insurgentes fizeram vibrar a encosta. A poeira subiu como neblina seca. Os seridoenses, já firmes em suas posições, deixaram os obstáculos na estrada e esperaram. Três explosões do fogo de dinamite para cortar pedras lá no Seridó, era a arma dos irmãos integralistas carnaubenses, sacudiram a garganta do desfiladeiro, destruindo caminhões e espalhando gritos.

Sargentos Abel e Cantídio enlaçados pelos lenços encarnados ao pescoço ainda ousaram erguer uma metralhadora pesada, cuspindo fogo na direção das pedras. Mas o terreno favorecia os que estavam no alto. Cada disparo dos defensores era pensado, contado, economizado como água em ano de estiagem.

Os rapazes do Tiro de Guerra, tomados pelo ímpeto e depois pelo medo, recuaram; os integralistas, mais acostumados com disciplina e crença, sustentaram a linha. A luta durou cerca de uma hora, mas pareceu um século. Quando a noite adendrou, por volta das 19h, os rebeldes, sem mobilidade, sem comandante, sem coragem, debandaram pela mata, deixando mortos, armas e o próprio sonho espalhado na areia da estrada.

Enquanto isso, em Acari, o prefeito Gil de Brito temia ser capturado. A fama dos comunistas de prender autoridades ao tomar cidades corria ligeiro. O homem fugiu para a Casa de Pedra, encravada na Serra do Bico da Arara. Ali ficou, protegido por pedras antigas e por mensageiros de confiança que lhe levavam comida e esperança. Só voltou quando a notícia do fracasso chegou. O Seridó estava a salvo e, pelo visto, os covardes também.

Entre os feridos daquele ciclo de violência, a história guarda o nome do soldado Zusa Pinheiro, que perdeu um braço no combate. Mal-afamado pelos conselheiros do governador, mas lembrado como combatente da legalidade, Zusa quase recebeu de Rafael Fernandes uma aposentadoria honrosa. Os conselheiros o dissuadiram. Amargurado, Zusa tomou o rumo do Mato Grosso, onde, segundo contam, deu cabo da própria vida.

A batalha, embora pequena no número de homens, tornou-se gigantesca no imaginário potiguar. Dinarte Mariz soube associar seu nome à defesa do Seridó e ergueu dali parte de sua carreira política. O Monsenhor Walfredo, por sua vez, ganhou o respeito do Estado como símbolo de liderança comunitária. Assim, a Serra do Doutor, calada e firme, ficou como testemunha da tarde em que dois mundos se encontraram: de um lado, a tropa que queria reinventar o Brasil; do outro, o povo que desejava conservar o que era seu. Aquele confronto breve, feito de pólvora, pedra e coragem, marcou o Seridó para sempre.

Hoje, a serra repousa quieta. Mas quem passa por ali, se reparar bem, ainda sente o rumor distante daquela luta, como se as pedras guardassem, em silêncio, a memória do dia em que o sertão disse não.

O ciclo de turbulência encerrou-se, enfim, com o golpe do Estado Novo em 1937. Valendo-se do fictício “Plano Cohen”, Vargas fechou o Congresso e outorgou a "Polaca", instaurando uma ditadura nacionalista de censura férrea e repressão implacável. 

No Rio Grande do Norte, o trauma da Intentona legitimou o endurecimento do regime sob interventores federais. Ao final da década, contudo, o estado já começava a vislumbrar um novo horizonte, preparando-se para assumir sua vocação estratégica global como o "Trampolim da Vitória" na Segunda Guerra Mundial. 

Assim, entre o estalo seco dos Winchesters, o luto das famílias tradicionais e as utopias revolucionárias, a década de 1930 inscreveu-se como um período definitivo, onde as experiências locais refletiram, com sangue e pólvora, as dores de um Brasil em profunda transformação.

E assim, os traumas ficam, o tempo passa, e novas gerações surgem, com o peso do passado nas costas. Mas os fortes, como o próprio Gustavo Braz, toca a vida de forma heróica, e consegue preservar valores, conceitos, tradição. De construir e reconstruir a memória familiar em volta dos acontecimentos, por vezes, não bons. Seria alguma sina psicológica, sociológica, econômica, o que é inegável na memória familiar. 

Ficam, pois, os traumas enraizados, enquanto as eras se sucedem e os filhos herdam o peso da história. Entretanto, espíritos inquebrantáveis como Gustavo Braz sustentam a tradição, reconstruindo a narrativa familiar ante as adversidades, movidos por uma sina inegável e sólida como a pedra.

Nessas reminiscências, o Rio Acauã corre ainda largo e farto, uma artéria vital que chegava a medir meio quilômetro de margem a margem, alimentando a ubertade das vazantes. Mas a engrenagem do tempo triturou aquela abundância. 

A economia mudou, o rio mudou, e com eles desapareceram tesouros da terra: o feijão nativo, o peculiar 'miudinho preto', o macassar rústico, culturas que brotavam silvestres, ofertas gratuitas da natureza. Tragicamente, não foram honradas pelos seus; prevaleceu a ingrata sentença de que 'santo de casa não faz milagre'. O que se perdeu foi muito mais que o grão no prato; foi-se a identidade, o patrimônio genético e a sabedoria de plantas que sabiam, como ninguém, sobreviver naquele sertão.

Ressalte-se a natureza efêmera da memória local, desprovida que é, muitas vezes, do amparo dos arquivos oficiais como bibliotecas etc. Essa verdade impõe-se nos registros do poeta José Gonçalves, tio de Gustavo. Zélia Gonçalves, matriarca e irmã zelosa, custodiu durante anos o que restou do poeta: um compêndio de cartas, iconografia e lírica inédita. Era um material de valor inestimável.

Quis o acaso, todavia, que, antes do declínio de sua saúde e memória, Zélia cedesse o acervo, por empréstimo, ao douto Paulo Bezerra. O pesquisador honrou o poeta com escritos significativos, mas a morte o surpreendeu em julho de 2017, deixando o retorno dos documentos em suspenso. 

Paira hoje a incerteza, onde se encontra tal tesouro? O episódio é um alerta severo sobre a vulnerabilidade dos acervos privados, sujeitos às intempéries do tempo e do acaso, longe da segurança dos museus. Fica a lição de que, sem a preservação ativa e a partilha do saber, a história se esvai, subtraindo de nós um passado que jamais retornará.

Eis que no cenáculo, composto pelo narrador, pelo genealogista Fernando Galvão e pelo historiador Anderson Tavares, o debate se atreveu a cruzar oceanos, pousando sobre a ovelha Damara. Animal de constituição rústica, vindo das terras dos Damara na África, ele carrega em si a sabedoria da sobrevivência. Prolífico, imune a pragas e capaz de converter a escassez de arbustos em vida, dispensando a tosquia por ser raça de pelo.

Mas a indagação que pairou no ar foi de natureza histórica, qual o fio condutor que trouxe tal genética ao Seridó? A resposta reside na sua cauda gorda, reserva estratégica semelhante à dos camelídeos, essencial tanto para a vida do animal quanto para a subsistência humana em regiões onde a manteiga é luxo e o porco, por vezes, tabu. 

Essa presença insuspeita no sertão revela que a aridez aproxima geografias distantes. Não é mero acaso biológico. Na verdade é adaptação cultural e religiosa manifesta na paisagem. O Seridó, assim, revela-se cosmopolita em sua essência rústica, provando que a história local é um colcha de retalhos de influências, onde cada ser vivo é um capítulo de uma narrativa global.

Por derradeiro, esta prosa revela como a história palpita nas minúcias. Ela respira na toponímia que muda, nos escombros que ainda dialogam com o presente, nas lendas que povoam a tal Serra da Adorna e no espólio de júbilos e amarguras repassado entre gerações. 

A história reside até na saudade de uma paisagem pretérita, compondo um roteiro vivo e complexo, feito tanto de documentos quanto de narrativas pessoais, de interpretações, emoções e, crucialmente, de silêncios e esquecimentos seletivos que também comunicam.

Cada fragmento de memória é um tijolo na compreensão do todo. E aqui cabe a inquietante reflexão: a história oficial, aquela lecionada nas escolas, não passaria tantas vezes ao largo dessas micro-histórias e das memórias afetivas familiares? 

Talvez nosso entendimento do passado seja mais incompleto do que supomos. Quanta riqueza da experiência humana não depende da sorte dessas vozes serem ouvidas e registradas antes que o tempo as arrebate? O que mais repousa inédito nessas conversas de alpendre? Quantos segredos guardam lugares como o Vale do Acauã, apenas aguardando para narrar uma versão mais íntegra e profunda da nossa própria história?





Clemente de Araújo Pereira (1848-1929), patriarca da linhagem que viria a ser conhecida como "Família Panela", nasceu em 5 de setembro de 1848 na Fazenda Timbaúba, hoje pertencente ao município de Timbaúba dos Batistas. Filho legítimo de Manoel de Araújo Pereira e Ana Maria da Conceição, a "Dinha", Clemente passou sua infância na terra natal, cercado por pais, avós, tios e irmãos.

Em 19 de julho de 1871, Clemente desposou Ana Francelina de Brito, conhecida carinhosamente como "Aninha". Nascida em 17 de novembro de 1854, ela era filha de Manoel Pereira Torres e Isabel Francelina de Brito. O casal teve quinze filhos, dos quais catorze sobreviveram, construindo uma grande família que se tornaria uma das mais notáveis da região.

Clemente se destacou como um homem empreendedor e visionário. Ele transformou a sua propriedade rural, a Fazenda Riacho da Volta, em um empreendimento agrícola próspero e produtivo, que serviu de base para as gerações futuras. Com a ajuda de seus escravos, da esposa e dos filhos mais velhos, e utilizando métodos rudimentares, ele construiu o Açude dos Clementes, um dos maiores reservatórios de água da região, que se tornou um símbolo de seu sucesso e perseverança.

Além de agropecuarista, Clemente era um pescador exímio, reconhecido por sua habilidade em confeccionar tarrafas e redes de arrasto. Sua fama como fundador da "Família Panela" tem uma origem curiosa: após trabalhar em uma grande moagem de cana a convite de seu tio materno, Major Salviano, ele recebeu como pagamento uma panela de mel. No caminho de volta para casa, ao tropeçar em uma passarela, a panela caiu e se quebrou no chão. O episódio, presenciado por seu sobrinho Manoel Domingos, deu origem ao apelido "Clemente Panela" ou "Velho Panela", que foi transmitido a todos os seus descendentes.

Ana Francelina de Brito faleceu em 11 de abril de 1925, aos 70 anos. Clemente de Araújo Pereira partiu quatro anos depois, em 5 de dezembro de 1929, com 81 anos. O casal está sepultado no cemitério São Vicente de Paula, em Caicó.

 Antonio Pereira de Araújo (1848-1904)





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