FRANCISCO BEZERRA DE ARAÚJO GALVÃO (1874/1970) filho do Coronel Manoel Bezerra de Araújo Galvão e Ana Maria de Jesus. Pela linha materna, neto do Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão.
LADISLAU EPAMINONDAS DE VASCONCELOS GALVÃO (1874 - 1943). Em 1º de janeiro de 1911, o Major Ladislau de Vasconcelos Galvão assumiu a Intendência de Currais Novos, destacando-se como um renomado comerciante e criador de gado, amplamente reconhecido em toda a região e com significativa influência política junto ao governador do Estado da época. Seu prestígio e capacidade de articulação política foram decisivos para a obtenção da primeira escola pública estadual para Currais Novos, o Grupo Escolar Capitão Mor Galvão, instituído pela Lei nº 256, em 25 de novembro de 1911.
Durante sua gestão, o Major Ladislau promoveu a reforma do prédio da Intendência e a construção de um anexo destinado a abrigar o referido Grupo Escolar, que passou a funcionar ali a partir de 1912. A obra foi financiada pela Intendência, enquanto o Estado assumia a responsabilidade pelo pagamento dos professores. Este prédio serviu como sede do Grupo Escolar até o ano de 1927.
Dedicado e incansável em suas funções, o Major Ladislau demonstrou um compromisso exemplar com a melhoria das condições urbanas da Vila. Ele determinou que todos os moradores deveriam manter, no mínimo, a limpeza das fachadas de suas residências; para aqueles que não tinham condições de realizar tal tarefa, a Intendência providenciava a limpeza por conta própria. Além disso, impôs a obrigatoriedade da construção de instalações sanitárias em todas as casas, medida que foi rigorosamente cumprida.
Graças a essas iniciativas, ao término de sua administração, em 31 de dezembro de 1914, Currais Novos recebeu o reconhecimento de ser a vila mais limpa do Estado, um marco que refletia seu zelo e comprometimento com o bem-estar da população e o desenvolvimento urbano da localidade.
José Bernardo de Medeiros Júnior, o sexto filho do Senador José Bernardo de Medeiros e de Paulina Engrácia Fernandes, nasceu em Caicó, no dia 2 de novembro de 1874. Sua vida, no entanto, o levaria para longe de sua terra natal.
Em 1898, ele concluiu seus estudos em Olinda, bacharelando-se em Ciências Jurídicas e Sociais. No mesmo ano, transferiu-se para o Rio Grande do Sul, onde, em 1899, foi nomeado Juiz de Comarca em Caçapava do Sul. Em 1912, foi promovido e transferido para a Comarca de Bagé e, dez anos depois, mudou-se para Porto Alegre, onde se aposentou em 1929.
Em 9 de novembro de 1901, casou-se na cidade de Lavras do Sul com Clotilde de Barros Cachapuz, natural de Bagé, nascida em 11 de julho de 1883. Ela era filha de José de Barros Cachapuz e Elisiária de Morais Rodrigues, e neta paterna de João de Souza Pinto Ribeiro de Barros Cachapuz e Joaquina Maria Martins, e materna de José Rodrigues Nunes e Custódia Soares de Morais. O casal teve dez filhos, que foram:
Paulina Cachapuz de Medeiros (1902-1904)
Poty Irineu Cachapuz de Medeiros (1903-1978)
Júlio de Castilhos Cachapuz de Medeiros (1905-1990)
Dirceu Cachapuz de Medeiros (1906-1986)
José Cachapuz de Medeiros (1909-1958)
Ruben Cachapuz de Medeiros (1910-1984)
Maria de Lourdes Cachapuz de Medeiros (1915-1979)
Inah Francisca Cachapuz de Medeiros (1917-2005)
Paulo de Tarso Cachapuz de Medeiros (1920-1972)
Maria Tereza Cachapuz de Medeiros (1925-)
Dr. José Bernardo de Medeiros Júnior faleceu em Porto Alegre em 6 de julho de 1954, aos setenta e nove anos. Sua viúva, Clotilde, faleceu na mesma cidade em 2 de setembro de 1965, onze anos depois.
TEREZA CRISTINA BEZERRA DE ARAÚJO GALVÃO (1874/1943) irmã de Antônio Eduardo Bezerra de Araújo Galvão. Ao casar-se adota o sobrenome COSTA PINTO.
LUIZ PIRES DE MEDEIROS (1874/1948) filho do Capitão Luiz de Medeiros Galvão Júnior e Guilhermina Francisca de Medeiros. Luiz Pires era irmão de Porfíria Isabel Pires Galvão e de Antônio Pires de Medeiros, bisavó materna do Dr. Manoel Pinheiro Galvão.
A seguir apresento uma redação contínua, histórica e literária, sem cortar informações, preservando tudo o que você forneceu e fundindo integralmente todos os conteúdos, de modo coeso, elegante e rigoroso segundo a norma-padrão:
Dr. Juvenal Lamartine de Faria: Estadista, Intelectual e Visionário do Rio Grande do Norte
Dr. Juvenal Lamartine de Faria (1874–1956), nascido em 9 de agosto de 1874, na Fazenda Rolinha, em Serra Negra do Norte — então vila recentemente elevada à categoria por força da Lei Provincial nº 688, de 3 de agosto de 1874 — foi uma das figuras mais expressivas, complexas e influentes da história política, intelectual e cultural do Rio Grande do Norte. Filho de Clementino Medeiros de Faria, líder político local, prefeito de Serra Negra e deputado estadual, e de Paulina Monteiro de Faria, cresceu no seio de uma família profundamente vinculada ao Seridó, cujo ethos sertanejo moldaria de forma indelével sua personalidade e seu entendimento das instituições públicas.
Sua formação inicial, conduzida pelo próprio pai, foi complementada em Caicó, onde estudou Latim e Francês com o professor Manoel Augusto Bezerra de Araújo. Em 1891 ingressou no Atheneu Norte-Rio-Grandense, em Natal, e logo se destacou pela inteligência inquieta e pela precoce atuação política. Em 1893, liderou a primeira greve estudantil do Estado, movimento que resultou no fechamento da instituição por ordem do Governador Pedro Velho. Essa vocação combativa o acompanharia durante toda a vida. Com o fechamento do Atheneu, transferiu-se para João Pessoa, onde concluiu os estudos no Liceu da Paraíba. Posteriormente ingressou na Faculdade de Direito do Recife, graduando-se em 1897 como orador de sua turma, sendo agraciado com um prêmio de viagem à Europa, que recusou para regressar ao Rio Grande do Norte.
A educação que recebeu foi descrita por estudiosos como “resultante tanto de uma formação escolar literária, científica, moral, pedagógica e jurídica quanto originária da militância política, da imprensa e da leitura dos clássicos”. No Recife, colaborou com jornais potiguares e já demonstrava sensibilidade literária e vocação intelectual. Seu espírito de liderança, por sua vez, vinha desde a juventude: aos 17 anos, em Natal, fundou o “Grêmio Literário Natalense” e o jornal “O Athleta”, tornando-se o criador da primeira sociedade estudantil estadual do regime republicano e protagonista de seu primeiro movimento grevista.
Em 1880, contraiu matrimônio com Silvina Bezerra de Araújo Galvão, filha de Silvino Bezerra, influente líder político de Acari. A união o inseriu na poderosa “facção do Seridó”, eixo decisivo das articulações políticas da Primeira República no Rio Grande do Norte. Do casamento nasceram dez filhos, entre os quais o agrônomo Otávio Lamartine de Faria e o escritor Oswaldo Lamartine, cujas obras continuariam, em outro registro, o legado cultural e sertanista do pai.
Magistrado, Parlamentar e Governante
A carreira pública de Juvenal Lamartine iniciou-se cedo e se expandiu de maneira contínua. Em 1898, nomeado por Pedro Velho, assumiu o cargo de vice-diretor do Atheneu e acumulou a função de redator do jornal A República. No mesmo ano tomou posse como Juiz de Direito em Acari, onde permaneceu até 1905, exercendo uma magistratura reconhecida por contemporâneos como “respeitada, estimada e de confiança ampla entre seus jurisdicionados”, apesar de sua intensa participação política.
Entre 1904 e 1906 foi Vice-Governador do Estado na chapa de Augusto Tavares de Lira. Em seguida, elegeu-se Deputado Federal, cargo que exerceu por sete legislaturas consecutivas (1906–1926), integrando comissões de grande relevância, como as de Constituição e Justiça, Marinha e Guerra, e Instrução Pública. Seu trabalho em defesa do voto feminino, tema ao qual se dedicou antes mesmo de se tornar governador, é especialmente lembrado. Em 1927, após reorganizar a “facção do Seridó”, conquistou uma cadeira no Senado da República.
Em 1º de janeiro de 1928 assumiu o governo do Rio Grande do Norte. Sua administração, que duraria apenas dois anos e nove meses, foi uma das mais dinâmicas e ousadas da história política estadual. Nilo Pereira o descreveu como “um homem público com trinta anos de adiantamento em relação à época em que viveu”.
Pioneirismo e Modernização
O governo Juvenal Lamartine foi marcado por iniciativas inovadoras, nascidas de uma visão clara do papel estratégico do Rio Grande do Norte no cenário nacional e internacional.
Na aviação, foi o principal impulsionador do desenvolvimento do setor no Estado. Fundou o Aero Clube de Natal e sua escola de pilotagem civil, sob a direção do comandante Djalma Lins Petit; incentivou e construiu entre 28 e 30 campos de pouso no interior, inaugurando muitos deles em biplanos Blue Bird; e trouxe ao Estado empresas aéreas internacionais como Latecoère (Air France), Condor e Panair. Sua percepção geopolítica o levou a defender no Senado a instalação de uma base aérea internacional em Natal, décadas antes de Parnamirim Field tornar-se decisiva na Segunda Guerra Mundial.
No campo dos direitos políticos, foi o grande precursor do voto feminino no Brasil. Em 1927, introduziu na Lei nº 660 o dispositivo que autorizava mulheres potiguares a votar e serem votadas, cinco anos antes do Código Eleitoral de 1932. Essa ação possibilitou a eleição de Alzira Soriano, prefeita de Lages em 1928 — a primeira mulher a governar um município na América Latina — e fez de D. Júlia Barbosa a primeira eleitora registrada do país. Bertha Lutz, líder do movimento sufragista, reconheceu publicamente o seu papel.
Na infraestrutura e economia, construiu 416 quilômetros de rodovias, pontes de concreto e estradas modernas; reorganizou o Fisco e a Imprensa Oficial; fortaleceu a pecuária e a diversificação agrícola; modernizou a saúde pública com o início da construção do Leprosário São Francisco de Assis, sob consultoria de Adolfo Lutz; edificou o prédio da Saúde Pública; e incentivou a educação rural com a construção de quase cinquenta escolas.
Na urbanização, manteve à frente da prefeitura de Natal o engenheiro Omar O’Grady, responsável pela execução do plano do arquiteto italiano Giácomo Palumbo. O estádio de futebol erguido em seu governo, no Tirol, hoje leva seu nome.
Na segurança pública, reorganizou a Polícia Militar e combateu com rigor o cangaço, eliminando-o do território potiguar — ação que lhe rendeu elogios e críticas.
No sistema financeiro, transformou o Banco de Natal em Banco do Rio Grande do Norte, ampliando sua rede e evitando a falência da instituição.
Deposição, Exílio e Tragédias Familiares
A Revolução de 1930 pôs fim ao seu governo. Apesar da amizade com Getúlio Vargas, Lamartine havia apoiado Júlio Prestes e, assim como os demais governadores eleitos, foi deposto. Exilou-se na Europa entre 1930 e 1933, vivendo entre França e Alemanha. Seu retorno ocorreu no governo de Rafael Fernandes.
Pouco depois, enfrentou um dos episódios mais dolorosos de sua vida: o assassinato de seu filho Otávio Lamartine pela polícia militar em 1935, episódio sobre o qual deixou emocionadas correspondências e que foi recordado por seu filho Oswaldo.
Intelectual, Acadêmico e Guardião da Memória do Seridó
No pós-exílio, Juvenal Lamartine retirou-se parcialmente da política, dedicando-se à vida agrícola e à escrita. Atuou como jornalista em A República, Diário de Natal e Tribuna da Imprensa, abordando temas políticos, econômicos, históricos e genealógicos. Produziu obras fundamentais para a memória cultural do Estado: O Meu Governo (1933), Patriarcas Seridoenses e Velhos Costumes do Meu Sertão (1965), este último elogiado por Luís da Câmara Cascudo.
Foi sócio-fundador da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras, primeiro ocupante da cadeira 12, e seu terceiro presidente (1943–1949), conduzindo a instituição com notável energia. Presidiu também o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, a Federação Rural e o Rotary Club de Natal. Na política partidária, foi um dos fundadores da UDN e do PSP.
Relações e Redes de Poder
Seu casamento o aproximou definitivamente das tradicionais famílias do Seridó. Tornou-se cunhado de Dinarte Mariz — futuro governador e senador — e avô de Vilma de Faria, que também governaria o Estado. Manteve relações com figuras como Clóvis Beviláqua, que elogiou sua participação na elaboração do Código Civil, e dialogou com Bertha Lutz no movimento sufragista.
Críticas e Complexidade
Como todo líder de grande projeção, sofreu críticas severas. Adversários o acusavam de autoritarismo e manipulação eleitoral, como fez João Café Filho ao afirmar que Lamartine havia ordenado a queima de atas eleitorais em 1928. Contudo, estudiosos como Manoel Rodrigues de Melo ponderam que tanto os homens da República Velha quanto os da Revolução tinham “defeitos e virtudes”, e que a história posterior reconheceu sua estatura como estadista.
Falecimento e Legado
Juvenal Lamartine faleceu em Natal em 18 de abril de 1956. Seu legado permanece vivo nas instituições, obras públicas, leis pioneiras e textos que deixou. O estádio que leva seu nome, o Centro de Estudos e Pesquisas da Fundação José Augusto (CEPEJUL), as ruas batizadas em sua homenagem e, sobretudo, sua atuação visionária na aviação civil e no voto feminino são marcas indeléveis de sua trajetória.
Aluízio Alves sintetizou sua personalidade ao dizer que ele possuía “a capacidade de esquecer a mesquinhez dos homens e conviver com ela e com eles, mesmo talvez sem perdoá-los, pela fé que tinha nas ideias e pela obstinação de torná-las triunfantes”.
Assim, Juvenal Lamartine de Faria permanece como um dos mais importantes estadistas do Rio Grande do Norte: um homem que, de olhos postos no futuro, buscou conduzir seu Estado às portas da modernidade, sem jamais romper os laços afetivos, culturais e simbólicos com o sertão que o formou.




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