Pular para o conteúdo principal

1852

 

  • O Coronel Ambrósio Florentino de Medeiros, personagem de destaque na tessitura social e política do Seridó entre os séculos XIX e XX, nasceu na Fazenda Umari, município de Caicó, a 7 de dezembro de 1852, sendo batizado no dia de Natal daquele mesmo ano na Capela de Santa Luzia. Era o sétimo filho do Tenente-Coronel da Guarda Nacional Francisco Antônio de Medeiros e de Ana Vieira Mimosa, pertencente, por ambas as linhagens, a famílias profundamente enraizadas na formação histórica da região. Pelo ramo paterno, descendia de João Damasceno de Medeiros Rocha e de Maria Joaquina dos Prazeres; pelo materno, de Cosme Pereira da Costa e de sua segunda esposa, Maria Teresa de Jesus, troncos familiares que marcaram com força a vida política, militar e econômica do velho Seridó.

    O Coronel Ambrósio contraiu matrimônio pela primeira vez em 1875, na cidade de Areia, na Paraíba, com Joana Francisca Lins Fialho, irmã do Padre Joel Esdras Lins Fialho e filha de Francisco Lins Fialho e Ana Rosa de Medeiros. Pelo lado paterno, Joana era neta do Capitão-mor Bartolomeu da Costa Pereira e de sua primeira mulher, Maria do Nascimento de Albuquerque. Esse Bartolomeu da Costa Pereira era irmão de Cosme Pereira da Costa, avô materno do próprio Coronel Ambrósio, elo que demonstra o intricado entrelaçamento das famílias sertanejas no século XIX, fenômeno que consolidou alianças políticas e patrimoniais e, ao mesmo tempo, preservou a coesão entre os clãs que dominavam o cenário regional.

    Viúvo, o Coronel Ambrósio contraiu segundas núpcias em 11 de agosto de 1885, com Laura Elísia da Cunha Medeiros, filha de Manuel José da Cunha Poconino e Ana Teresa de Oliveira Cunha, pertencente a famílias que remontam aos antigos troncos dos Cunha, Azevedo Maia, Dantas Pereira e Araújo Pereira, tão presentes na história do Seridó. Laura era neta paterna de Manuel José da Cunha (Júnior) e de Antônia de Deus Bezerra, e bisneta do primeiro Manuel José da Cunha e de Joana Maria do Carmo. Também descendia, pelo lado paterno, de Antônio de Azevedo Maia (Júnior) e de Micaela Dantas Pereira, esta filha de Caetano Dantas Correia e de Josefa de Araújo Pereira, neta direta do grande patriarca Tomás de Araújo Pereira e de Maria da Conceição Mendonça. Pelo lado materno, era neta de Antônio de Azevedo Maia (Neto), conhecido como Antônio Padre, e de Úrsula Leite de Oliveira, ele filho do já citado Antônio de Azevedo Maia (Júnior) e de Micaela Dantas Pereira, e ela filha de José Leite de Oliveira e de Maria Pereira de Almeida.
    O termo de casamento religioso, registrado às folhas 198v do Livro 1 de Casamentos da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Jardim do Seridó, assim diz: “Ambrosio Florentino de Medeiros, viúvo de Joanna Francisca Lins Fialho, recebeo em matrimonio em minha presença e das testemunhas Dr Manoel Augusto de Medeiros e Luis Francisco de Medeiros em oratório privado no dia onze de agosto de mil oitocentos e oitenta e cinco a Laura Elisa da Cunha, filha legitima de Manuel José da Cunha Pocunino e Anna Thereza de Oliveira Cunha ambos moradores nesta Freguesia d’onde é natural a nubente sendo o nubente da Freguesia do Principe, e dispensados do 4° grau de affinidade licita, de que fiz este assento que assigno. O encarregado da Frega Pe Luis Ignácio de Moura.”

    Depois desse casamento, o Coronel Ambrósio fixou residência no município de Jardim do Seridó, alternando-se entre a cidade e a Fazenda Malhada d’Areia. Durante o triênio de 1899 a 1901 exerceu o cargo de Intendente Municipal, função equivalente à de vereador no período de 1890 a 1920, quando as Câmaras Municipais foram substituídas pelos Conselhos de Intendência. Sua atuação política, em momento de transição administrativa, confirma sua relevância entre os notáveis do Seridó.

    Em 1928, já com idade avançada, mudou-se com a família para a então Cidade da Paraíba, atual João Pessoa, onde alguns de seus filhos já residiam. Ali faleceu a 6 de dezembro de 1943, na véspera de completar noventa e um anos de idade. Sua esposa Laura Elísia viveria até 1950, também na capital paraibana.

    A numerosa descendência do Coronel Ambrósio distribui-se entre seus dois casamentos. Do primeiro enlace nasceram Rita de Cássia, falecida ainda criança; Pedro Regalado de Medeiros Lins, que se casou primeiro com Maria Cristalina de Oliveira Medeiros e, depois, com Mariana Umbelina da Nóbrega; Lídio Florentino Lins de Medeiros, casado com sua prima Ana Filgueira de Araújo Medeiros; Sebastião Almir de Medeiros Lins, casado em primeiras núpcias com Ana Senhorinha de Medeiros Lins e, em segundas, com Ana dos Anjos de Medeiros Lins; e as gêmeas Joana Francisca Lins Fialho, casada com José Porfírio de Azevedo, e Rita de Cássia Lins de Medeiros, unida a seu primo José Alves Coringa, filho de Manuel Inácio de Medeiros e de Maria Teodora de Medeiros.

    Do segundo casamento nasceram vinte filhos, entre eles Alzira da Cunha Medeiros, primeira filha dessa união, nascida a 13 de julho de 1886, em Jardim do Seridó, e falecida em 1989, aos 103 anos, em João Pessoa, onde, durante mais de meio século, exerceu o magistério particular em sua própria casa. Seu assento de batismo registra: “Alzira, filha legitima de Ambrosio Florentino de Medeiros e Laura Elysia da Cunha Medeiros, nasceu aos treze de julho de mil oitocentos e oitenta e seis e foi baptisada aos vinte e dois de agosto do dito anno. P.P. Manoel José da Cunha Pocunino e Anna Thereza de Oliveira Cunha. De que fiz este assento que assigno. O Vigro José Antonio da Silva Pinto.”

    Seguem-se Ciro da Cunha Medeiros, casado primeiro com Alzira Adelaide de Vasconcelos Monteiro e depois com Clarice Tavares Romero; Ester da Cunha Medeiros, falecida na infância; Godofredo da Cunha Medeiros, casado com Mariana de Medeiros Nóbrega; Isibina da Cunha Medeiros, nascida a 12 de dezembro de 1890 e falecida aos vinte anos; o Coronel Kyval da Cunha Medeiros, que se casou primeiro com Maria Emília Gondim de Medeiros e depois com Elisa Beltrão de Medeiros; Manuel da Cunha Medeiros, casado com Stella Campolina de Medeiros; e Odon da Cunha Medeiros, cujo assento civil, registrado no Distrito Judiciário de Jardim, assim relata: “Aos vinte e quatro dias do mez de junho de mil oitocentos e noventa e quatro [...] declarou que no dia vinte e dois do corrente mez e anno, as quatro horas da noite, nesta Cidade, em sua rezidencia, nasceu uma creança do sexo masculino que terá o nome e sobrenome de Odon da Cunha Medeiros, filho legítimo delle declarante Ambrosio Florentino de Medeiros e Laura Elisia da Cunha Medeiros [...] sendo avós paternos Coronel Francisco Antonio de Medeiros e Anna Vieira Mimosa e maternos Tenente Manuel José da Cunha Pocunino e Anna Thereza d’Oliveira Cunha.”

    Quintila de Medeiros Macêdo, nascida a 2 de outubro de 1895, casou-se em João Pessoa, então Cidade da Paraíba, a 4 de maio de 1918, com Manuel de Macedo, fluminense de Valença, filho de Jerônimo de Macedo e Maria Delfina de Macedo. Seu registro civil diz: “Que no dia treze do corrente mez às quatro horas do dia em sua rezidencia no lugar Malhada de Areia nasceu uma creança do sexo feminino que terá o nome e sobrenome de Quintilla da Cunha Medeiros [...] tendo por avós paternos Tenente Coronel Francisco Antonio de Medeiros e D. Anna Vieira Mimoza [...] e maternos Manuel José da Cunha Pocunino fallecido e D. Anna Thereza de Oliveira Cunha.” Foi batizada na Matriz de Nossa Senhora da Conceição em 5 de dezembro de 1895, tendo como padrinhos Francisco Justino de Medeiros e Modéstia Natália de Medeiros.

    O casal deixou descendência, entre os quais Maria Delfina Macêdo Bezerra, nascida em Jardim do Seridó em 3 de janeiro de 1919 e casada com José Marques Bezerra; Jerônimo de Macedo Bezerra, nascido em 1938; Ana Maria de Macedo Bezerra, nascida em 1942; Laura Medeiros de Macedo, falecida na infância; Júlia Medeiros de Macedo, nascida em 1921 e já falecida; Manuel de Macedo Júnior, nascido em 1922; e José Medeiros de Macedo, nascido em 1924, falecido solteiro.

    Seguem ainda Solon da Cunha Medeiros, casado com Adiles Dinoá Medeiros e progenitor dos autores da genealogia mencionada; Ulisses da Cunha Medeiros, médico formado no Rio de Janeiro, nascido em 1° de maio de 1900 e batizado na Matriz de Jardim do Seridó a 23 de junho do mesmo ano, casado no Rio em 19 de março de 1938 com Arlete de Assunção Medeiros, pai de Laura Maria de Assunção Medeiros, nascida em 6 de setembro de 1943; Ambrósio da Cunha Medeiros, nascido e batizado em 1901, falecido na infância; Laura Medeiros de Alverga, casada com Sílvio Coelho Alverga; e Zilda da Cunha Medeiros, nascida em 1908 e falecida aos onze anos, cujo registro civil assim informa: “Aos treze dias do mez de março de mil novecentos e oito [...] compareceu Ambrosio Florentino de Medeiros e disse [...] que no dia sete do corrente, a uma hora em sua rezidencia no lugar Malhada d’Areia nascêo uma creança do sexo feminino que terá o nome e sobrenome de Zilda da Cunha Medeiros [...] filha legítima d’elle declarante e de Laura Elisia da Cunha Medeiros.”

    Toda essa vasta descendência — enumerada em registros, batistérios e escrituras — revela a amplitude das conexões familiares que cercavam o Coronel Ambrósio, expressão concreta das redes que sustentaram a vida política, social e econômica do Seridó. Sua trajetória, pontuada pela participação na Guarda Nacional, por suas funções administrativas, por seus casamentos inseridos em linhagens seculares e por sua longa vida, que atravessou monarquia, Império, República e reorganizações municipais, espelha o caminho percorrido pelas famílias sertanejas que moldaram a identidade regional.

    Assim, a figura do Coronel Ambrósio Florentino de Medeiros permanece entrelaçada às tradições do Rio Grande do Norte e da Paraíba, perpetuada pela numerosa prole e pela memória genealógica e histórica que, ainda hoje, ecoa nas famílias descendentes e nas narrativas que preservam a alma do Seridó.




  •  Cel. FELINTO ELÍSIO DE OLIVEIRA AZEVEDO (1852/1944) Foi uma das maiores expressões políticas do Seridó potiguar. Homem íntegro e dedicado à causa pública, Felinto Elísio nasceu em 29 de novembro de 1852, na fazenda Sombrio, município de Jardim do Seridó. Filho do casal Manoel Ildefonso de Oliveira Azevedo e Teresa Florindo de Jesus, era, pelo lado paterno, bisneto de Antônio de Azevedo Maio, patriarca da família Azevedo na região e fundador da fazenda Conceição, núcleo inicial da cidade de Jardim do Seridó.

    Iniciou sua carreira política aos dezoito anos, assumindo a chefia do Partido Conservador no município de Jardim do Seridó, em substituição ao pai, que transferiu-se para Campina Grande, na Paraíba, com a família. Eleito membro do Conselho da Intendência (1877-1884), administrou o município de Jardim do Seridó entre 1878 e 1880, substituindo o padre João Avelino de Albuquerque Silva. Homem de vasta cultura jurídica, ocupou o cargo de promotor público da comarca de Jardim do Seridó entre 1886 e 1890.

    Segundo Antídio de Azevedo, o Coronel Felinto Elísio, na juventude, “era tido como um dos rapazes mais elegantes de sua terra” e “um homem leitor, com amplo conhecimento dos acontecimentos da época. Tinha uma agradável oratória, de palavras fáceis, embora gago. Tornou-se, portanto, um homem ilustre, considerado grande conhecedor da história política da Província e do Estado”.

    Prestigiado em seu partido, foi eleito deputado provincial por duas legislaturas. Com a proclamação da República, assumiu a chefia política do município de Jardim do Seridó, cargo do qual somente foi destituído pela Revolução de 1930. Como membro do Conselho da Intendência Municipal, administrou sua terra natal nos períodos de 1894-1896, 1905-1907, 1908-1910, 1911-1913 e 1914-1916, quando passou o cargo ao Dr. Heráclito Pires Fernandes, seu amigo e correligionário.

    Eleito deputado estadual por várias legislaturas, presidiu a Assembleia Legislativa Estadual e, na condição de vice-governador, administrou interinamente o Rio Grande do Norte por duas vezes. Até hoje, é o único filho de Jardim do Seridó a governar seu estado.

    Em sua terra natal, Felinto Elísio ocupou diversas funções públicas. Capitão da antiga Guarda Nacional desde 2 de janeiro de 1877, foi agraciado com a patente de coronel por decreto datado de 23 de janeiro de 1893, assinado pelo marechal Floriano Peixoto, então vice-presidente da República em exercício.

    Figura das mais ilustres da política norte-rio-grandense durante a Primeira República, o Coronel Felinto Elísio foi vítima da onda de violência promovida pelo governo de Mário Câmara no estado. Em 1935, numa flagrante demonstração de abuso de autoridade, o delegado Francisco Efraim, movido por ódio partidário, invadiu a residência do patriarca, na fazenda Sombrio, espancando-o e prendendo-o, simplesmente por ser opositor ao governo estadual naquele município.

    Com o início do processo de reconstitucionalização do país, Felinto Elísio filiou-se ao Partido Popular, fundado e dirigido no estado por José Augusto. Em seu município, contribuiu decisivamente para a vitória dos candidatos populares à Assembleia Estadual Constituinte de 1935, responsável pela eleição do sucessor do interventor Mário Câmara.

    Durante mais de meio século, o Coronel Felinto Elísio dedicou-se à política e foi um autêntico representante de seu povo.


    Felinto Elísio de Oliveira Azevedo, coronel e figura de proa da política seridoense, nasceu em 29 de novembro de 1852, na Fazenda Sombrio, no então território do município de Jardim do Seridó, vindo a se afirmar como uma das maiores expressões públicas do Seridó potiguar. Filho de Manoel Ildefonso de Oliveira Azevedo e de Teresa Florindo de Jesus, trazia pelo ramo paterno a herança de Antônio de Azevedo Maia, de quem era bisneto, patriarca da família Azevedo na região e fundador da Fazenda Conceição, núcleo originário da atual cidade de Jardim do Seridó. Desde muito jovem revelou vocação para a vida pública, iniciando sua carreira política aos dezoito anos de idade, quando assumiu a chefia do Partido Conservador no município, em substituição ao pai, que se transferira com toda a família para a cidade paraibana de Campina Grande. Eleito membro do Conselho da Intendência entre 1877 e 1884, administrou o município de Jardim do Seridó no período de 1878 a 1880, substituindo o Padre João Avelino de Albuquerque Silva. Dotado de sólida formação intelectual e notável cultura jurídica, exerceu o cargo de Promotor Público da Comarca de Jardim do Seridó entre 1886 e 1890, consolidando sua reputação de homem íntegro e dedicado à causa pública. O memorialista Antídio de Azevedo registra que, em sua juventude, Felinto Elísio era considerado “um dos rapazes mais elegantes de sua terra”, além de assíduo leitor, possuidor de vasto conhecimento da atualidade de então, dono de conversa agradável e de palavras fáceis, embora marcado por certa gagueira. Tornou-se, assim, figura ilustre, reconhecida como profundo conhecedor da história política da Província e, posteriormente, do Estado. Prestigiado no seio de seu partido, elegeu-se deputado provincial por duas legislaturas e, com a Proclamação da República, assumiu a chefia política do município de Jardim do Seridó, liderança que somente lhe seria retirada com a Revolução de 1930. Como membro do Conselho da Intendência Municipal, administrou sua cidade natal em sucessivos períodos — 1894 a 1896, 1905 a 1907, 1908 a 1910, 1911 a 1913 e 1914 a 1916 —, ocasião em que transmitiu o cargo ao Dr. Heráclito Pires Fernandes, seu amigo pessoal e correligionário. Eleito deputado estadual por diversas legislaturas, chegou à presidência da Assembleia Legislativa do Estado e, na condição de vice-governador, exerceu interinamente o governo do Rio Grande do Norte por duas vezes, sendo, até hoje, o único filho de Jardim do Seridó a governar o Estado. Em sua terra natal, acumulou variadas funções públicas, sempre com reconhecida dedicação ao serviço coletivo. Capitão da antiga Guarda Nacional desde 2 de janeiro de 1877, foi agraciado com a patente de coronel por decreto de 23 de janeiro de 1893, subscrito pelo Marechal Floriano Peixoto, então vice-presidente da República em exercício, coroando uma trajetória marcada pelo compromisso cívico, pela liderança política e pela relevância histórica no cenário potiguar.


    Felinto Elísio de Oliveira Azevedo: Uma Vida Dedicada a Jardim do Seridó

    Felinto Elísio de Oliveira Azevedo, que viveu toda a sua vida em Jardim do Seridó, gozava de grande estima entre seus conterrâneos. Seus conselhos eram ouvidos e seguidos, e ele possuía uma vasta rede de amizades. Como homem público, "participou como elemento de conselho e decisão de todos os fatos relevantes da vida política da terra potiguar".

    Sua vida familiar foi marcada por dois casamentos. Ele se casou pela primeira vez com Noenísia Amélia Cunha de Azevedo. Após a morte dela, contraiu um novo matrimônio com Verônica Cunha de Azevedo, irmã de sua falecida esposa. Das duas uniões, nasceram dezesseis filhos.

    Reconhecido como um administrador probo, Felinto Elísio realizou grandes obras em Jardim do Seridó, com o objetivo de melhorar as condições de vida da população. Herdeiro natural das tradições seridoenses, ele faleceu em 11 de abril de 1944, aos 92 anos, mantendo-se lúcido até o fim. Seu corpo foi sepultado no Cemitério Público de Jardim do Seridó, acompanhado por uma grande multidão, que se despedia de um de seus mais ilustres filhos.



    José da Silva Pires Ferreira: O Primeiro Médico de Caicó Filho de João Crisóstomo Pires Ferreira e Amância Olindina do Sacramento, o paraibano Dr. José da Silva Pires Ferreira nasceu em 1852. Ele chegou a Caicó em 1887, aos 35 anos, já com o título de médico e uma tese defendida.

    Além de sua profissão, ele era um homem de vasto conhecimento, com vocação para as artes e um talento para a construção. Ele projetou e administrou a obra da Intendência Municipal de Caicó e era capaz de construir móveis, casas e barragens. Em 1904, atraído pela febre da borracha, ele se aventurou no Amazonas, mas retornou a Caicó.

    Dr. José da Silva Pires Ferreira foi o primeiro médico a residir em Caicó, exercendo a profissão como um verdadeiro sacerdócio. Ele cobrava 5 mil réis por uma consulta, mas continuou a atender e a receitar gratuitamente para aqueles que não podiam pagar, até sua morte, em 1948, aos 96 anos. Ele manteve sua lucidez plena até o fim.

    O texto, baseado na obra de Nóbrega (1981), relata que ele enviuvou em 1908 e viveu por 40 anos na viuvez. Sua vida, de quase um século, foi marcada pela dedicação à ciência e à comunidade.


  • ANTÔNIO GALDINO DE MEDEIROS (1852-1941) filho de José Martins de Medeiros (1807-1894) e de Gertrudes Maria da Encarnação (1813-1881). Casou com Ana Rosa da Conceição (1857-1942). Encontramos o registro de quatro filhas: Maria, Ana, Joseja e Gertrudes. Com a Proclamação da República, em novembro de 1889, o cotidiano político e administrativo de Acari, assim como o de tantas outras vilas do interior potiguar, foi profundamente sacudido por mudanças que vinham de cima para baixo, redesenhando antigas estruturas herdadas do Império. 

    As Câmaras Municipais, que por décadas haviam sido o coração da vida pública local, foram dissolvidas por força de decretos republicanos, abrindo espaço para uma nova forma de governo municipal que eram os Conselhos de Intendência. 

    No Rio Grande do Norte, essa reordenação foi conduzida pelo governador Adolpho Affonso da Silva Gordo, que, nos primeiros meses de 1890, decretou a extinção de todas as câmaras do Estado e instituiu, provisoriamente, conselhos encarregados de exercer o poder municipal até que se consolidasse o novo regime. 

    Esses conselhos, compostos por cinco membros nas cidades e três nas vilas, tinham seus integrantes escolhidos diretamente pelo governo estadual, sob a justificativa de que recaíssem em pessoas de reconhecida reputação e capacidade para desempenhar os deveres do cargo.

    Foi nesse contexto de transição, ainda marcado por incertezas e adaptações, que se instalou em Acari o primeiro Conselho de Intendência Municipal. A posse ocorreu em 4 de março de 1890, no Paço Municipal, em cerimônia registrada com o cuidado formal das atas oficiais. 

    Coube a Antônio Galdino de Medeiros, então presidente da extinta Câmara Municipal, receber o juramento e empossar os novos intendentes, simbolizando a passagem de uma ordem política para outra. 

    À frente do conselho foi nomeado Cypriano Bezerra Galvão Santa Rosa, figura que se destacaria como liderança constante nesse período inicial da República. Ao seu lado, integraram o conselho Manoel Maria do Nascimento, conhecido na vila como Manoelzinho do Navio, Antônio Pereira de Araújo, Antônio Bezerra de Albuquerque Galvão e Antônio Ernesto da Costa Pereira. 

    A composição refletia, como era comum na época, o predomínio de homens ligados às famílias influentes da localidade, cujos nomes já circulavam nos espaços de decisão e prestígio social.

    Encerrado o primeiro triênio, marcado pela nomeação direta e pela necessidade de adaptação às novas regras do regime republicano, Acari viveu, em 1º de outubro de 1892, um momento significativo que foi justamente a realização das primeiras eleições para a escolha dos intendentes municipais. 

    A apuração dos votos ocorreu no edifício da própria Intendência, com a presença de membros da antiga câmara e de juízes de paz, numa cena que mesclava práticas do passado imperial com os ritos inaugurais da República. Os resultados revelaram uma expressiva convergência eleitoral, com Cypriano Bezerra Galvão Santa Rosa, Manoel Maria do Nascimento, Antônio Pires de Albuquerque Galvão, Joaquim Silvério Dantas e Antônio Pereira de Araújo alcançando, cada um, cento e sessenta votos. 

    Outros candidatos, como Pedro Manoel Dantas e Joaquim Servitta Pereira de Brito, obtiveram cento e vinte votos, figurando em posição subsequente. Foram ainda escolhidos suplentes, entre eles Cypriano Pereira de Araújo, Cypriano Lopes de Araújo e Félix Pereira de Araújo Filho, assegurando a continuidade administrativa em caso de vacância.

    A verificação de poderes, realizada em 13 de outubro de 1892, consolidou oficialmente o resultado das urnas. Reunidos na Intendência Municipal, os eleitos apresentaram seus diplomas, e, não havendo contestação quanto à legalidade do pleito, foram reconhecidos como legitimamente eleitos para o triênio de 1893 a 1895. 

    A sessão foi presidida interinamente por Manoel Maria do Nascimento, escolhido por ser o mais velho entre os mais votados, conforme o costume. Cypriano Bezerra Galvão Santa Rosa voltou a ocupar a presidência do conselho, reafirmando sua centralidade na condução dos destinos administrativos de Acari nos primeiros anos republicanos.

    As eleições, ainda que consagrassem a vontade da maioria, deixavam marcas, divisões e ressentimentos, pois nem todos se viam representados nas decisões tomadas. A gestão pública, por sua vez, era atravessada por escolhas que, muitas vezes, contrariavam interesses particulares, tornando tênue a fronteira entre o que uns consideravam justo e outros julgavam equivocado, sempre conforme o ponto de vista de quem observava.

    Os documentos que registram a administração municipal de Acari entre 1890 e 1895 — atas de posse, de apuração de votos e de verificação de poderes — não se prestam, portanto, a emitir juízos morais definitivos sobre seus protagonistas. Seu valor reside em fixar, com fidelidade, a memória de um tempo de transição, em que homens comuns, investidos de autoridade pública, deram sua contribuição possível à construção da vida republicana no sertão. Cada qual, a seu modo e dentro das circunstâncias do momento, deixou marcas que ajudam a compreender como a República foi se enraizando no cotidiano de Acari, uma pequena cidade do Seridó, entre a herança do passado imperial e as promessas de um novo regime.

Vicente Rogério da Costa, cuja devoção profunda ao culto e aos ritos eclesiásticos rendeu à sua linhagem a respeitável alcunha de Frade, nasceu por volta do ano de 1852, consolidando-se como uma das figuras mais probas de sua estirpe. Produtor rural de notória eficiência, Vicente expandiu os horizontes de sua propriedade, a Fazenda Batentes de Baixo, mediante a aquisição estratégica de novas glebas, demonstrando talento tanto para a lida com a terra quanto para a gestão patrimonial. No âmbito da vida pública, atuou como homem de grande prestígio e vasta rede social, ocupando com distinção uma cadeira na Câmara Municipal de Caicó. Militante fervoroso da corrente partidária dos Batistas, figurou entre os parlamentares mais votados de sua época, tendo como seu suplente imediato o próprio irmão, Antônio Balbino da Costa.

No dia 29 de agosto de 1876, celebrou suas núpcias no oratório privado do Sítio Timbaúba, em cerimônia realizada sob dispensa de parentesco, com Santina Maria da Conceição, diletante filha do capitão Manoel Batista de Araújo e de Rita Maria da Conceição. A existência de Vicente Rogério findou-se de forma abrupta e inesperada no ano de 1932; colhido por um derrame cerebral nas primeiras horas da madrugada, uma queda fatal marcou o desfecho de sua trajetória terrena, encerrando a vida de um cidadão que personificou o status de homem público e o zelo religioso em sua comunidade.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

1809

Padre Tomás Pereira de Araújo (1809–1893)  inscreve-se entre as figuras mais influentes da história de Acari e do Seridó oitocentista. Nascido em 1809, era filho de Antônio Pereira de Araújo e Maria José de Medeiros, descendendo de linhagens tradicionais da região: pelo lado paterno, era neto de João Damasceno Pereira e Maria dos Santos de Medeiros; pelo lado materno, neto de Tomás de Araújo Pereira e Teresa de Jesus. Entre seus irmãos, destacaram-se Ana Marcolina de Jesus, afamadamente conhecida como “Aninha do Ingá”, e Porphíria Alexandrina de Jesus, que se uniu em matrimônio a Antônio Pires de Albuquerque Galvão Júnior. Sacerdote de vocação, mas também homem de ação, o Padre Tomás desempenhou papel decisivo na conformação religiosa e política do Seridó. Foi ele o idealizador e construtor da Igreja Matriz de Acari, monumento que se tornaria marco arquitetônico e expressão perene da religiosidade local. No âmbito da vida pública, sua influência estendeu-se além do púlpito: exer...

1814

Rodrigo de Medeiros Rocha, neto, conhecido na tradição local pelo cognome de Rodrigo Gordo, residente na fazenda São Paulo, contraiu matrimônio com Inácia Maria Madalena, filha de Alexandre Manoel de Medeiros e de Antônia Maria da Conceição, figurando esta na descendência de Pedro Ferreira das Neves, sendo o casal natural e morador da freguesia do Seridó, onde constituiu numerosa prole, iniciada com André, batizado na fazenda São Paulo aos vinte e quatro de março de mil oitocentos e quatro, com cerca de cinquenta e dois dias de nascido, filho legítimo de Rodrigo de Medeiros e de Inácia Maria, tendo por padrinhos Antônio Pereira e Inácia Maria da Purificação, seguindo-se Thomé de Araújo Pereira, nascido a vinte e um de dezembro de mil oitocentos e quatorze e batizado na mesma fazenda aos dez de janeiro seguinte, filho legítimo do então capitão Rodrigo de Medeiros Rocha e de Dona Inácia Maria Madalena, apadrinhado pelo capitão José Antônio de Lemos e sua mulher Dona Joana Maria de Je...