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1830

  Thomaz de Araújo Pereira Júnior – O Thomaz Bengala era filho de Thomaz de Araújo Pereira Júnior, conhecido como Thomaz Bengala (1830–1862), e de Ritta Regina Maria Miranda de Albuquerque (1840–1910), Ladislau de Vasconcelos Galvão descende de uma linhagem que remonta a antigas gerações do sertão potiguar. Pelo lado paterno, é neto de Thomaz de Araújo Pereira (1771–1833) e Antônia Maria Gomes (nascida em 1782), bem como bisneto, nessa mesma linha patriarcal, de José de Araújo Pereira (1738–1796) e Elena Barbosa de Albuquerque (falecida em 1809). Sua ascendência remonta ainda mais longe, até o português originário do Minho, Thomaz de Araújo Pereira (1701–1781), e Maria da Conceição Mendonça (1718–1799), primeiros Thomazes documentados no sertão do Rio Grande do Norte.

O Major Benvenuto foi marido de Ana Isabel de Medeiros Galvão, conhecida como Aninha, filha do Capitão Laurentino Bezerra de Medeiros Galvão e de Teresa Ursulina de Jesus. Dessa união nasceram diversos filhos: Tomaz Pereira de Araújo, que se casou duas vezes com filhas do Major Sérvulo Pires de Albuquerque Galvão; Aproniano Pereira, esposo de Mariinha Araújo, também filha do Major Sérvulo; Artur Pereira de Araújo; Pedro Pereira de Araújo, que casou com Auta Galvão, filha do Major Ladislau Galvão; Laurentino Pereira de Araújo, casado com Maria Pureza da Câmara; Abel Pereira de Araújo, esposo de Maria Medeiros; Juventino Pereira de Araújo, casado com Auleta Galvão; Benvenuto Pereira Filho, marido de Auriceta Pereira Galvão; Antônio Pereira de Araújo, esposo de Dulce Coelho; Rainel Pereira de Araújo, que se casou com Aurina Pereira Galvão, filha do Major Ladislau; Ritinha Araújo, esposa de Vivaldo Pereira de Araújo; e Ananília Regina, que se uniu ao Coronel Salustiano Gomes de Macedo, cujos descendentes integram a família Gomes.

A origem genealógica de Thomaz de Araújo Pereira Júnior, o Thomaz Bengala, permanece um enigma da genealogia potiguar, aparentemente sem solução definitiva. Contudo, existem duas hipóteses principais acerca de sua filiação, ambas envolvendo indivíduos chamados Thomaz de Araújo Pereira, naturais de São Gonçalo do Amarante.

A primeira hipótese apresenta Thomaz de Araújo Pereira, nascido em 6 de outubro de 1799, filho de Antônio Pedro de Araújo (1764–1848) e Tereza de Jesus da Rocha (1774–1838), casados antes de 1794. Este Thomaz casou-se com Joana Maria do Sacramento, natural do Assu, e teve nove filhos batizados em diversas localidades, entre os quais não consta registro formal de um filho chamado Thomaz. No entanto, levanta-se a possibilidade de que um filho com esse nome tenha existido, sobrevivido à infância e se tornado o Thomaz de Araújo Pereira Júnior conhecido como Thomaz Bengala.

A segunda hipótese, preferida pelo pesquisador, refere-se a Thomaz de Araújo Pereira, nascido em 11 de dezembro de 1771, filho de José de Araújo Pereira e Helena Barbosa de Albuquerque. Este Thomaz, irmão de Antônio Pedro, casou-se por volta de 1797 com sua prima legítima Antônia Gomes Carneiro (nascida em 8 de fevereiro de 1782), descendente de famílias tradicionais da região. Entre os sete filhos do casal destaca-se um Thomaz, nascido em 1813 e batizado em 1º de janeiro de 1814, que, caso tenha sobrevivido à infância, seria o Thomaz Bengala, identificado no inventário de 1862 com o nome completo de Thomaz de Araújo Pereira Júnior. O registro desse batismo confirma a legitimidade do filho do casal e sua existência na localidade, mencionando padrinhos ligados a importantes famílias da região.

O casamento de Thomaz Bengala com Rita Regina de Miranda, filha de João Ferreira de Miranda (1802–1892) e Joaquina Maria da Conceição, reforça a complexa teia de parentesco familiar. Pesquisas indicam que Thomaz Bengala e sua esposa eram primos em terceiro grau, e que ele próprio era parente próximo do sogro João Ferreira de Miranda, possivelmente primo em segundo grau. Tal relação decorre da ligação entre a provável avó materna de Thomaz Bengala, Ana Maria Carneiro, e Alexandre Ferreira de Miranda, pai de João Ferreira, que eram irmãos, evidenciando a forte endogamia entre as famílias tradicionais da região.

Após a morte de Thomaz Bengala, sua viúva Rita Regina da Câmara contraiu novo matrimônio em 30 de setembro de 1869, no sítio Cascavel, na freguesia de Acari, com Manoel Pires de Albuquerque Galvão. O registro desse casamento menciona a obtenção de dispensas de parentesco por afinidade, necessárias em virtude dos vínculos familiares anteriores. Essa dispensa evidencia que a bisavó materna de Manoel Pires de Albuquerque Galvão, Ana de Araújo Pereira, irmã do provável avô paterno de Thomaz Bengala, era elemento central na complexa rede de parentescos, refletindo a intensa interligação entre as famílias Araújo e Galvão no sertão potiguar.

Diante das evidências reunidas, o autor conclui pela prevalência da segunda hipótese genealógica para explicar a origem de Thomaz de Araújo Pereira Júnior, o Thomaz Bengala, ao mesmo tempo em que deixa ao leitor a liberdade de optar pela tese que melhor lhe parecer. Esse estudo meticuloso e detalhado contribui para esclarecer um mistério da genealogia regional, valorizando a riqueza histórica e social das famílias envolvidas, assim como a complexidade dos vínculos que estruturaram o tecido social do Seridó e arredores no século XIX.

Capítulo: 

A origem de Thomaz de Araújo Pereira Júnior, popularmente conhecido como Thomaz Bengala, constitui um dos mais intrigantes enigmas da genealogia potiguar. Embora sua identidade civil esteja plenamente documentada — constando em seu inventário de 1862 como Thomaz de Araújo Pereira Júnior, e posteriormente em registros de seus netos como Thomaz Pereira de Araújo —, a definição precisa de sua ascendência permanece objeto de estudo e reflexão.

Dois caminhos principais foram levantados para elucidar sua genealogia, ambos apontando para indivíduos homônimos nascidos em São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, o que contribui para a complexidade da investigação.


A primeira tese sustenta que Thomaz Bengala seria filho de Thomaz de Araújo Pereira, nascido em 6 de outubro de 1799, filho de Antônio Pedro de Araújo (1764–1848) e de Tereza de Jesus da Rocha (1774–1838). Esse Thomaz teria casado com Joana Maria do Sacramento, natural do Assu, com quem gerou nove filhos registrados:

  • Manoel Thomaz de Araújo (c. 1824)

  • Ana (1828)

  • Francisco (1830)

  • Joaquim (1831)

  • José (1834)

  • João (1835)

  • Sebastião (1837)

  • Conegundes Maria de Araújo (bat. 1839)

Todavia, não se encontrou qualquer registro de batismo para um filho chamado Thomaz, o que fragiliza esta hipótese. Ainda assim, admite-se a possibilidade de que o casal tenha tido um filho homônimo, cujo batismo não foi registrado ou cujo registro se perdeu, e que este tenha chegado à idade adulta, assumindo posteriormente o nome completo de Thomaz de Araújo Pereira Júnior.


A segunda e mais sólida hipótese indica que Thomaz Bengala era filho de Thomaz de Araújo Pereira, nascido em 11 de dezembro de 1771, em São Gonçalo do Amarante, fruto da união de José de Araújo Pereira e Helena Barbosa de Albuquerque. Casado por volta de 1797 com sua prima legítima Antônia Gomes Carneiro (n. 1782), o casal teve ao menos sete filhos documentados:

  • José de Araújo Pereira (bat. 1797)

  • Jerônima (n. 1802)

  • Helena (n. 1804)

  • Ana Ferreira de Miranda (bat. 1800)

  • Thomaz (n. 1813, bat. 1º de janeiro de 1814)

  • João de Araújo Pereira (bat. 1815)

  • Antônio de Araújo Pereira (bat. 1820)

O registro de batismo de Thomaz, ocorrido em 1º de janeiro de 1814, na Fazenda Pedra do Navio, menciona-o como filho legítimo de Thomaz de Araújo e D. Antônia Maria. Este dado é considerado decisivo, pois se este Thomaz sobreviveu à infância, é plausível que tenha assumido o nome completo de Thomaz de Araújo Pereira Júnior.


Thomaz Bengala casou-se com Rita Regina de Miranda, filha de João Ferreira de Miranda e Joaquina Maria da Conceição. As relações entre as famílias indicam que Thomaz e sua esposa eram primos de terceiro grau, além de Thomaz ser parente próximo de seu sogro, possivelmente primo em segundo grau, dado que a provável avó materna de Thomaz (Ana Maria Carneiro) era irmã de Alexandre Ferreira de Miranda, pai de João Ferreira de Miranda.


Após o falecimento de Thomaz Bengala, ocorrido em 31 de outubro de 1862, sua viúva, Rita Regina de Miranda, contraiu novo matrimônio em 30 de setembro de 1869, na cidade de Acari, com Manoel Pires de Albuquerque Galvão. O registro desse casamento menciona a obtenção de “dispensas de parentesco de afinidade”. Tal exigência aponta para uma relação de consanguinidade entre o novo esposo e o falecido, reforçando a hipótese de parentesco entre as famílias. De fato, a bisavó materna de Manoel, Ana de Araújo Pereira, era irmã do provável avô paterno de Thomaz Bengala, José de Araújo Pereira.


Um dos registros mais elucidativos é o batismo de João, filho legítimo do Capitão José de Araújo Pereira (natural da Freguesia de Santa Ana do Caicó) e de Elena Barbosa de Albuquerque (natural de São Gonçalo), neto paterno do Tenente-Coronel Thomaz de Araújo Pereira, natural da vila de Viana, Portugal, e neto materno do Alferes Hipólito de Sá Bezerra, também originário da mesma vila portuguesa. O batismo, realizado em 25 de abril de 1770, na Capela de São Gonçalo, documenta a presença de figuras de prestígio da época, como o Padre Miguel Pinheiro Teixeira e o vigário Pantaleão da Costa de Araújo.

Outro filho do casal, Thomaz, nasceu em 11 de dezembro de 1771, sendo batizado em 10 de fevereiro de 1772. Teve como padrinhos João Damasceno Pereira e Maria dos Santos Pereira, moradores do Sertão do Seridó, os quais figuram como ancestrais de muitos ramos familiares seridoenses.


Diante do conjunto de evidências documentais, laços de parentesco e tradições genealógicas, o historiador Anderson Tavares de Lyra conclui pela validade da segunda hipótese: Thomaz Bengala teria sido, de fato, o filho nascido em 1813 de Thomaz de Araújo Pereira (n. 1771) e Antônia Gomes Carneiro. Embora a ausência de registros absolutos impeça uma afirmação categórica, esta linha genealógica se mostra a mais coerente com os dados conhecidos. O autor, no entanto, respeitosamente deixa ao leitor o julgamento final sobre qual tese melhor satisfaz os critérios da verdade histórica e genealógica.

FONTE: Anderson Tavares de Lyra

 

O tenente Antônio Dantas Correia de Medeiros, oficial da guarda nacional e figura de relevo econômico na região, foi proprietário das fazendas Camelo e Limoeiro, situadas no termo de Açu, cujas terras atingiam a expressiva marca de oito mil hectares; além de sua atuação latifundiária, destacou-se como um dos grandes comerciantes da época, exercendo o comércio de importação de artigos e miudezas provenientes do continente europeu para o abastecimento do mercado local.

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TOMAZ PEREIRA DE MEDEIROS foi filho legítimo de Antônio de Araújo Pereira e de Romana de Jesus Maria e contraiu matrimônio com ANA GERTRUDES DE SANTA RITA, filha legítima de José Tomaz de Araújo,  da descendência de Alexandre Rodrigues da Cruz, e de Teresa de Jesus Maria, sendo ambos naturais e moradores desta freguesia, casamento celebrado aos vinte e cinco dias do mês de agosto de mil oitocentos e trinta, pelas dez horas, na Fazenda denominada Campo Grande, filial desta freguesia, ocasião em que, precedendo dispensa de sanguinidade, realizadas as canônicas denunciações sem impedimento, bem como confissão, comunhão e exame de doutrina cristã, em presença do celebrante e das testemunhas Alexandre de Araújo Pereira e Pedro Paulo de Medeiros, casados e moradores nesta freguesia, receberam-se os nubentes em matrimônio por palavras de presente, tendo-lhes sido concedidas as bênçãos nupciais na forma do rito da Igreja.


Maria de Morais Severa, nascida em 1830, contraiu matrimônio antes de completar quinze anos de idade com Pedro Alves de Oliveira Nóbrega, nascido em 1815, filho do casal João Alves da Nóbrega, integrante da descendência de Pedro Ferreira das Neves, e de Joana Francisca de Oliveira. Conhecida no meio familiar e regional como Mariquinha do Bom Sucesso, veio a falecer nonagenária, por volta do ano de 1920, tendo o casal residido na fazenda Bom Sucesso, situada na ribeira do Quipauá, onde ainda subsiste a antiga casa de morada que lhes pertenceu. Consta do assento de batismo que Maria, filha legítima de Cosme Pereira da Costa, natural da freguesia de Mamanguape, e de Maria Thereza de Jesus, natural da freguesia dos Patos, ambos então moradores na freguesia do Seridó, nasceu aos quatorze dias do mês de abril de mil oitocentos e trinta e foi batizada com os santos óleos na Fazenda Umari, da mesma freguesia, aos dezessete dias de maio do referido ano, pelo reverendo Joaquim Álvares da Costa, com licença do vigário, tendo sido padrinhos Manoel Vieira da Cunha, solteiro, e Anna d’Araújo Pereira, casada.

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