Manoel Batista Pereira, coronel da Guarda Nacional e comandante superior em Caicó, nasceu no dia 4 de março de 1822, consolidando-se como uma das figuras mais proeminentes da história política seridoense. Em sua atuação como administrador, legou à cidade a construção do mercado público na praça da Liberdade, edificação que perdurou até sua demolição por volta de 1918. No cenário político do Império, dirigiu com vigor o Partido Conservador, travando célebres embates democráticos contra o Partido Liberal, liderado pelo professor Joaquim Apolinar Pereira de Brito. A hegemonia de sua linhagem no comando partidário experimentou sua primeira grande transição apenas em julho de 1922, com o falecimento do coronel Joaquim Martiniano Pereira. Com o ocaso do Pinheirismo, a corrente política entrou em declínio, culminando no afastamento do coronel Quincó para São Paulo em 1915 e na ascensão de Janúncio Nóbrega como candidato à deputação estadual em 1918. No âmbito pessoal, o coronel vinculou-se a duas importantes estirpes por meio do matrimônio. Em primeiras núpcias, desposou sua tia, Isabel Sabina de Araújo, conhecida como Bilinha, filha de Joaquim de Araújo Pereira e Maria dos Santos Silva. Posteriormente, em 11 de setembro de 1871, uniu-se em Acari a Liliosa Ermelinda Pereira da Nóbrega, filha do coronel Joaquim Pereira de Araújo, o Quincoló, e de Guilhermina Nóbrega. Essa rede de alianças familiares projetou diversos descendentes a cargos de relevância: Manoel Basílio de Araújo ocupou uma cadeira na Assembleia Provincial nos biênios de 1870-71 e 1872-73; Lindolfo Batista de Araújo presidiu o Conselho de Intendência no início da década de 1890; Eduardo Gurgel de Araújo serviu como prefeito de Caicó; Edmundo Gurgel atuou como suplente de deputado estadual pela UDN em 1950; e Garibalde Gurgel representou a família na Assembleia Legislativa de Pernambuco por várias legislaturas. Entre os filhos de seu primeiro leito, destaca-se Manoel Basílio de Araújo, que, apesar de sua morte prematura e em estado de solteirice, exerceu funções públicas de destaque e representou o Rio Grande do Norte como deputado provincial. Sua irmã, Aureliana Jovita de Araújo, a Lelinha, casou-se com Antônio da Cruz Pereira de Araújo, descendente de Quinca Pereira da Fazenda Acauã. Dessa união, floresceu uma descendência composta por Felisbela, que se uniu a Manoel Praxedes; Maria Isabel, casada com Napoleão Batista; e Manoel, conhecido como Neco de Lelinha, que desposou Isabel Araújo, além de outros filhos que deram continuidade ao prestígio da família na região.
------------------------
Isabel Sabina de Araújo, nascida no ano de mil oitocentos e vinte e seis, contraiu matrimônio com seu sobrinho Manoel Batista Pereira, filho legítimo de José Batista dos Santos e de Josefa Freire de Medeiros. Manoel Batista Pereira nasceu aos quatro dias do mês de março do ano de mil oitocentos e vinte e dois, sendo batizado aos vinte dias do mês de abril do mesmo ano, na Capela do Jardim das Piranhas, filial da Matriz do Seridó, pelo Reverendo Norberto Madeira Barros, com a devida licença, ocasião em que lhe foram administrados os santos óleos, tendo servido como padrinhos Joaquim José de Medeiros e Maria da Costa, ambos casados e moradores da freguesia, conforme assento lavrado e assinado pelo vigário Francisco de Brito Guerra. Manoel Batista residiu na fazenda Cipó, situada ao norte da atual cidade de Timbaúba dos Batistas, exercendo papel de relevo na vida pública regional, constando que no ano de mil oitocentos e sessenta e oito ocupava o cargo de delegado de polícia no Caicó, sendo reconhecido como figura de destaque na política local, tendo falecido antes do ano de mil oitocentos e setenta e três, enquanto Isabel Sabina de Araújo já era falecida em mil oitocentos e setenta e um. Isabel Sabina era filha legítima de Joaquim de Araújo Pereira e de Maria dos Santos Silva, tendo nascido aos quatro dias do mês de julho do ano de mil oitocentos e vinte e seis e sido batizada solenemente na Igreja Matriz de Santa Ana do Seridó aos trinta dias do mesmo mês e ano, pelo Padre Manoel José Fernandes, figurando como padrinhos o próprio celebrante e Dona Maria dos Santos Silva, então solteira, conforme assento assinado pelo vigário Francisco de Brito Guerra. Do mesmo casal Joaquim de Araújo Pereira e Maria dos Santos Silva nasceram ainda outros filhos, entre os quais José, que veio ao mundo aos nove dias do mês de julho do ano de mil oitocentos e vinte e oito e foi batizado na Igreja Matriz aos vinte e cinco do mesmo mês e ano, com os santos óleos, pelo Padre Manoel Cassiano da Costa Pereira, com licença, tendo servido como padrinhos João de Deus Silva e Josefa Victorina da Silva, ambos solteiros e moradores da vila; Teresa Maria de Jesus, nascida aos treze dias do mês de dezembro do ano de mil oitocentos e vinte e nove e batizada aos vinte e sete do mesmo mês e ano, na Igreja Matriz, com os santos óleos, tendo como padrinhos Rodrigo Freire de Medeiros e sua esposa Joanna Faustina da Silva, moradores da vila, vindo posteriormente a casar-se com Francisco Borges de Melo; e Antônio Aladim de Araújo, nascido aos três dias do mês de outubro do ano de mil oitocentos e trinta e dois, batizado na Igreja Matriz aos três dias do mês de novembro do mesmo ano pelo Padre Thomaz Pereira de Araújo, com licença, tendo como padrinhos José Batista dos Santos e sua esposa Josefa Freire de Medeiros. Antônio Aladim de Araújo formou-se em Direito, estabeleceu-se no Caicó, onde exerceu as funções de Juiz Municipal e Promotor Público, além de dedicar-se à atividade rural como proprietário da fazenda Soledade, tendo-se casado com Maria Dativa de Azevedo e Araújo, filha de José Antônio de Azevedo Santos, nascida no ano de mil oitocentos e quarenta e dois e falecida em mil novecentos e quatorze. O falecimento de Antônio Aladim de Araújo ocorreu aos quatro dias do mês de maio do ano de mil oitocentos e oitenta e nove, pelas quatro horas da tarde, na então Cidade do Príncipe, vitimado por insuficiência e estreitamento aórticos, contando cinquenta e sete anos de idade, tendo recebido os sacramentos da Igreja, sido solenemente encomendado na Igreja Matriz no dia seguinte e sepultado no cemitério público da mesma cidade, conforme consignado no respectivo assento fúnebre.
Comentários
Postar um comentário