Nascido em 1867, Basílio Ferreira da Silva emergiu como uma figura central na historiografia agrária de sua região, sendo filho de Vicente Pereira da Silva — em algumas fontes referido como Vicente Basílio — e de Josefa Ferreira da Silva. Irmão de Vicente Ferreira da Silva Júnior, Basílio consolidou sua linhagem e influência através de laços matrimoniais, notadamente com Isabel Maria da Conceição, com quem constituiu uma numerosa prole, muito embora tenha contraído núpcias três vezes ao longo de sua existência. Dentre seus descendentes, destacaram-se figuras como Lino Ferreira (1900–1959), Gentil Ferreira da Silva (1912–1989), Francisco Ferreira — que se distanciou do núcleo familiar ainda na juventude, aos dezessete anos —, e as filhas Inês Segunda Marçal, popularmente conhecida em Cruzeta como “Inês da Ilha”, e Ana Ferreira, que uniu-se em matrimônio a um descendente do Padre Thomaz Pereira de Araújo (1809–1893).
A materialização da fortuna e do prestígio de Basílio Ferreira deu-se, sobretudo, através de suas propriedades fundiárias, com ênfase na imponente Fazenda Garrotes. Esta gleba, que no século XIX pertencera a Félix Araújo, foi adquirida das mãos de Sóter Pereira, neto de Félix, mediante o pagamento de vinte contos de réis. Para compreender a magnitude desta transação, faz-se necessário um olhar analítico sobre a economia da época: a expressão “conto”, derivada do latim computus (referente à conta de dez vezes cem mil), designava um milhão de réis (Rs 1:000$000). O valor intrínseco de tal montante era extraordinário; a título comparativo, enquanto em 1833 um conto de réis equivalia a cerca de 1,4 quilogramas de ouro de vinte e dois quilates, em 1920 essa soma corresponderia, em uma conversão de poder de compra para valores contemporâneos, a aproximadamente cinquenta e seis mil reais, denotando o elevado status socioeconômico que a aquisição da fazenda representava.
A arquitetura da casa-grande da Fazenda Garrotes refletia essa opulência: uma edificação de telhado em duas águas, guarnecida por um amplo alpendre que percorria toda a fachada, e anexos funcionais como a “casa de farinha”. A robustez da construção evidenciava-se nas paredes largas, erguidas com tijolos de setenta e um centímetros, e nas generosas esquadrias. Um detalhe peculiar, revelador da insegurança e da necessidade de salvaguarda patrimonial daquele tempo, residia em uma das janelas, cuja soleira de madeira ocultava um compartimento secreto destinado ao armazenamento de armas, documentos e valores.
Sob a gestão de Basílio, a propriedade tornou-se um símbolo de prosperidade e abundância. Ali, dedicou-se à criação de gado da raça Polled Angus, de origem inglesa — especificamente do condado de Angus —, animal "mocho" e valorizado pela robusta musculatura dos quartos traseiros e pela carne marmorizada, cuja gordura entremeada garantia sabor e maciez ímpares. A riqueza da fazenda não se restringia à pecuária; nos períodos de estiagem, o recuo das águas do açude revelava férteis vazantes que propiciavam colheitas vultosas de frutas, verduras e tubérculos. A produção era tamanha que frequentemente abarrotava os armazéns e o alpendre, invadindo até mesmo a sala de estar da residência. Como testemunha silenciosa dessa rotina produtiva, havia no local um relógio solar de madeira, exemplar único na região, cujo quadrante dividido em seis espaços marcava a passagem do tempo, indicando o meio-dia exato através da projeção da sombra central.
Além do domínio em Garrotes, o patrimônio de Basílio estendia-se a terras nas imediações da Fazenda Remédios, território que hoje integra o município de Cruzeta. Contudo, a grandiosidade de suas posses contrastou, ao fim da vida, com a fragilidade da união entre seus herdeiros. Basílio Ferreira da Silva faleceu em 1950, sendo sepultado no cemitério público de Acari, no Rio Grande do Norte. Após seu passamento, a complexidade decorrente de seus três casamentos e a desarmonia entre os sucessores resultaram na dilapidação rápida do patrimônio; com exceção de Francisco, que já trilhava caminho próprio longe dali, muitos herdeiros venderam precipitadamente seus quinhões ao próprio tesoureiro do genitor, encerrando assim um ciclo de acumulação fundiária que marcou a história local. zabel Ferreira de Mendonça (1767–1826) casou com Antônio José de Barros (1760-1826) e tiveram treze filhos: Francisca Maria do Rosário, José Barros, Antônio José de Barros, Thereza Maria de Jesus, José Paz de Lira, Ana Joaquina dos Santos, Maria Paes do Nascimento, Ignez Maria da Conceição, Manoel de Azevedo Barros, Theodora Maria de Jesus, Joaquim José de Azevedo Barros, João Paz de Lira e Angelo Custódio da Silva.
FRANCISCA UMBELINA DE ARAÚJO GALVÃO (1867 - 1959)
filha do do Tenente Thomaz Lopes de Araújo Galvão e Maria Teodora de Jesus. Seu esposo Manoel Bezerra de Araújo Galvão Júnior.
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