MARIA MARCIOLINA LINS DE VASCONCELOS (1837/1920) irmã de Rita Regina Maria de Miranda. Esposa de Cipriano Lopes de Vasconcelos Galvão. Genitora de Ladislau de Vasconcelos Galvão.
Francisco Procópio da Costa, patriarca estabelecido no Quipauá, nasceu aos oito dias de julho de 1832 e foi batizado na Matriz do Seridó, tornando-se conhecido na senectude pela alcunha de Chico Procópio Velho. Em sete de novembro de 1861, no Sítio Boa Esperança, uniu-se em matrimônio a Antônia Maria da Luz, a Dona Tonha, diletante filha de Joaquim José Batista e Ana José de Alexandria. O casal, descendente de Antônio Alves dos Santos — o Manopla da Fazenda Batentes — e de Maria Madalena da Conceição, gerou vasta prole que enfrentaria, no alvorecer do século XX, os flagelos da varíola. Entre os filhos, destaca-se Francisco Procópio da Costa Filho, o Chicó Procópio, que em primeiras núpcias desposou Clara Maria de Jesus e, posteriormente, Maria Madalena de Medeiros; Joaquim Tertuliano da Costa, o Terto, que se consorciou com Maria Leopoldina da Costa (Malilau) e veio a falecer de varíola em 1905, sendo sepultado no maciço da parede do açude do Quipauá; e Cicílio Procópio da Costa, casado com Izabel Maria da Conceição (Bilinha), também vitimado pela mesma epidemia. Romão Alves da Costa, o Romão Procópio, almocreve de ofício, foi o primeiro a contrair a "bexiga brava" em Timbaúba dos Mocós; embora tenha sobrevivido, a moléstia foi implacável com outros sete membros da família, incluindo a matriarca Dona Tonha.
Paralelamente, Galdino Alves da Costa, nascido em 1833 e de tez avermelhada, residiu no Patacorou de Cima e casou-se com sua prima carnal Josefa Maria da Conceição (Bela). De sua linhagem provieram Pedro Galdino, carpinteiro e agricultor; José Galdino Alves da Costa, o Zezinho, que deixou descendência na Serra; e João Galdino, consorte de Josefa Eduarda da Costa. Outra ramificação importante surge com Isabel Idalina da Costa, casada com José Alves de Azevedo, cujos descendentes, como o vereador Joaquim Gregório de Azevedo e o fazendeiro Daniel Cisto de Azevedo, mantiveram o prestígio da Fazenda Batentes. A tragédia também tocou este ramo com João Noberto de Azevedo, que faleceu por volta de 1940 em decorrência do veneno de uma cobra cascavel. Já Maria Izabel da Costa (Lóia), unida a Francisco Rodrigo de Medeiros, gerou Biluquinha, que se casou com seu primo Chico Neto, unindo novamente os troncos de Procópio Filho e Izabel Idalina.
A família estende-se ainda através de Fortunata Esmeraldina da Costa, falecida em 1924 e casada com Joaquim Januário da Silva. Seus filhos, como Vital Vitaliano da Costa e o poeta popular Antônio Januário da Silva, preservaram a memória oral e a cultura do Seridó; este último, através de seus versos, narrou os conflitos e as figuras da época, como o "velho Clementino" e o destemor dos "cabras do Quipauá". Outro filho deste tronco, João Alves da Silva (João Alves da Serra), encontrou um fim trágico ao ser assassinado na Serra da Formiga, deixando, contudo, uma descendência ilustre que incluiu o coronel José Alves da Silva e Joaquim Alves da Silva, ex-prefeito e deputado estadual. Já José Alves da Silva, o Zuza Januário, constituiu um dos maiores agrupamentos familiares da região, com um dossiê que registra mais de oitocentos descendentes.
Finalmente, os ramos de Antônio Balbino da Costa, suplente de vereador e figura política, e de Manoel Maximino da Costa, homem de autoridade e valentia hercúlea, encerram esta crônica de resistência e honra. Manoel Maximino, conhecido por defender a Fazenda Batentes de desordeiros com cabos de enxada e chibata, transmitiu sua firmeza aos filhos, como Ludugero Alves da Costa, cujo filho Neneco foi ex-combatente. O clã também se entrelaçou com o folclore das vaquejadas através de Pacífico Garcia do Amaral Júnior, o Pacífico Menino, mestre nas artes do mourão e vaqueiro do coronel João Damasceno, que serviu como inspetor de quarteirão e capturou os algozes do subdelegado Manoel Theodoro em 1918. Assim, entre casamentos consanguíneos, lutas políticas e a lida com a terra, a estirpe dos Costa e Januário consolidou-se como columna fidalga da história seridoense.
Salviano Batista de Araújo, imortalizado na crônica potiguar como o major Salviano do Tapuia, nasceu aos dois dias de julho de 1837, vindo a falecer em primeiro de fevereiro de 1902. Sob a égide de uma educação espartana ministrada por seu genitor, o major Batista da Inez, Salviano forjou-se como um exímio cavaleiro e administrador das lides da lavoura e da pecuária extensiva. Uniu-se em matrimônio com sua prima legítima, Guilhermina Iria de Araújo, filha de Manoel Batista dos Santos, união que consolidou os laços da estirpe. Homem de espírito afável e desportista nato, encontrava nas vaquejadas e no jogo de cartas dominical — ao lado de figuras como o capitão Félix Lopes — o modus vivendi para poldar as arestas políticas das acirradas campanhas eleitorais. No anedotário familiar, é célebre o episódio em que Salviano, agindo com sagacidade, conquistou as sobras de terra da Fazenda Toco, suplantando a arrogância de seu irmão Clementino, fato que até hoje desperta o riso dos mais longevos.
Sua ascensão à liderança política deu-se ipso facto com o falecimento de seu irmão, o deputado provincial major Lula, vitimado por uma queda de cavalo na Ladeira da Caridade em março de 1889. Salviano assumiu a chefia do Partido Conservador do Império na antiga Vila do Príncipe, embora sua atuação parlamentar tenha sido marcada pela ausência na derradeira sessão monárquica de setembro de 1889. Com o advento da República, período em que as mudanças políticas foram tão frenéticas quanto a "Viola do Preto Limão", Salviano operou magistralmente nos bastidores, articulando o apoio a Janúncio da Nóbrega e selando uma aliança histórica com Pedro Velho. Sua "cartada de mestre" foi o respaldo à candidatura de Augusto Severo, o que pavimentou o caminho para seu genro e sucessor, o coronel Joaquim Martiniano Pereira, o Quincó, tornar-se o grande chefe "pedrovelhista" no Caicó e deputado por seis legislaturas.
Contudo, a trajetória do coronel Quincó, marcada por uma vida desregrada entre o jogo e a política, culminou em seu trágico suicídio em 1922, em Campina Grande, levando à sucessão pelo tenente-coronel Gorgônio Ambrósio da Nóbrega. A agremiação dos Batista, que em sua essência histórica representa a gênese das correntes Moderada, Nortista e Saquarema — prolongando-se até o contemporâneo PMDB sob Manoel Torres de Araújo —, enfrentou décadas de declínio e dissensões, como o rompimento do pacto de honra entre a Pedreiras e os descendentes de Salviano. Após um longo período de ostracismo e derrotas para figuras como o capitão José da Penha, a corrente política só voltaria a triunfar plenamente pelo voto em 1963, com a vitória de José Josias Fernandes para a prefeitura, encerrando um ciclo de resistência e mutações daquela que foi uma das mais vigorosas linhagens do Seridó.
Senador JOSÉ BERNARDO DE MEDEIROS (1837/1907) , que se tornou uma das figuras mais influentes da história potiguar, nasceu em 20 de agosto de 1837, na Vila de Serra Negra. Filho de João Felipe de Medeiros e Joana Porfíria de Medeiros, casou-se com Paulina Engrácia Fernandes de Brito, com quem teve nove filhos: Themístocles, Ermelinda, Cândida Olindina, José, Esperidião Eloy, Euticiano, Joaquim Apolinar Fernandes, José Bernardo Júnior e Maria Cândida.
A vida de José Bernardo foi marcada por uma intensa atuação na vida pública e política. Em 1859, ele iniciou sua carreira como subdelegado de polícia em Caicó. No ano seguinte, tornou-se administrador da Mesa de Rendas e foi eleito vereador, chegando a presidir a Câmara Municipal. Posteriormente, foi suplente de juiz municipal (1861), coletor provincial (1862) e Tenente-Coronel Comandante de Batalhão da Guarda Nacional (1867).
Como político, exerceu o cargo de prefeito de Caicó em dois mandatos (1863-1864 e 1873-1875) e foi vereador por quatro legislaturas. Sua influência cresceu com a eleição para deputado provincial em 1867, cargo no qual também chegou a presidir a Câmara Provincial de 1882 a 1884, mesmo período em que atuou como vice-presidente da Província do Rio Grande do Norte.
Sua contribuição para o estado incluiu a participação na Guerra do Paraguai e um ativismo notável na causa abolicionista. Ele também foi sócio-fundador do Instituto Histórico Geográfico do Rio Grande do Norte e autor do livro A Função do Conselho Penitenciário.
Com a Proclamação da República, José Bernardo de Medeiros consolidou sua carreira parlamentar, sendo eleito senador por dois mandatos consecutivos: de 1890 a 1900 e de 1900 a 1907. Durante sua atuação no Senado, ele integrou a Comissão de Finanças e ocupou diversas posições na Mesa Diretora, como 2º Secretário e 1º, 3º, 4º e 5º suplente em diferentes anos. Ele militou no Partido Liberal durante o Império e, depois, no Partido Republicano Liberal.
Em 1904, sua saúde se fragilizou, levando-o a se afastar da vida pública. Ele faleceu em 15 de janeiro de 1907, na Fazenda Solidão, residência de seu genro Manoel Mariz, e foi sepultado no cemitério público de Caicó. O legado de José Bernardo de Medeiros, um estadista de destaque e uma das maiores lideranças do Seridó, continua a ser uma parte fundamental da história do Rio Grande do Norte.
Senador José Bernardo de Medeiros: Um Colosso Político no Seridó
José Bernardo de Medeiros, conhecido como "bispo do Seridó", nasceu em 20 de agosto de 1837 na fazenda Carnaubinha, que na época pertencia à Vila Nova do Príncipe (hoje Caicó), e hoje faz parte do município de São João do Sabugi. Filho de João Filipe de Medeiros e Joana Porfíria de Medeiros, pequenos proprietários rurais, sua trajetória política e pessoal foi marcada por ascensões, alianças e rupturas que moldaram a história do Rio Grande do Norte.
Iniciou seus estudos tardiamente, aos 11 anos, em São João do Sabugi. Aos 13, mudou-se para a Vila Nova do Príncipe, onde estudou latim na escola do padre Francisco de Brito Guerra, uma importante liderança política da região. Em 1858, casou-se com Paulina Engrácia Fernandes, filha de seu professor Joaquim Apolinário Pereira de Brito.
Sua carreira política começou em 1859, quando foi nomeado subdelegado de polícia. No ano seguinte, tornou-se administrador da Mesa de Rendas e foi eleito vereador, presidindo a Câmara Municipal de Vila Nova do Príncipe e sendo reeleito três vezes. Paralelamente, atuou como suplente de juiz municipal e coletor provincial. Em 1868, elegeu-se deputado provincial pelo Partido Conservador. No entanto, na década seguinte, transferiu-se para o Partido Liberal, seguindo a liderança de Amaro Cavalcanti, e foi eleito deputado provincial por quatro biênios consecutivos. Em 1883 e 1885, presidiu a Assembleia Provincial.
José Bernardo de Medeiros destacou-se como um defensor da causa abolicionista, fazendo parte da Comissão Libertadora dos Escravos no Seridó em 1888. Por sua forte liderança no Partido Liberal, foi apelidado de "bispo do Seridó" pelos jornais conservadores. Sua aliança com Amaro Cavalcanti terminou em 1889, após ser preterido na indicação para a vice-presidência da província. Em retaliação, apoiou Miguel Castro contra o candidato de Amaro na eleição para deputado geral, resultando em uma acirrada disputa em que José Bernardo saiu vitorioso, consolidando sua liderança na região.
Com a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, José Bernardo se uniu ao Partido Republicano do Rio Grande do Norte, liderado por Pedro Velho de Albuquerque Maranhão. Em 15 de setembro de 1890, foi eleito senador para o Congresso Nacional Constituinte, tornando-se signatário da Constituição de 1891. Sua relação com o grupo de Pedro Velho foi marcada por disputas e alianças. Ele apoiou Prudente de Morais para a presidência da República, enquanto seus oponentes apoiavam Deodoro da Fonseca. Após a vitória de Deodoro e a eleição de seu ex-protegido Miguel Castro para o governo do estado, José Bernardo e Pedro Velho se uniram para depor Castro. Contudo, essa aliança foi breve, pois uma nova disputa por uma vaga de deputado rompeu a parceria, resultando em uma intensa rivalidade que se arrastou por anos.
José Bernardo e Pedro Velho se reaproximaram em 1897, mas o poder no Rio Grande do Norte já estava consolidado nas mãos de Pedro Velho e de sua família. Em 1900, José Bernardo concorreu a mais um mandato de senador, sendo reeleito com o apoio de Pedro Velho. No entanto, sua saúde fragilizada o fez se retirar da vida pública em 1904. Ele faleceu em 15 de janeiro de 1907, na fazenda Solidão, em Caicó.
De seu casamento com Paulina Fernandes, teve oito filhos. Um de seus netos, José Augusto Bezerra de Medeiros, seguiu seus passos na política, tornando-se deputado federal, governador, senador e membro constituinte. A trajetória de José Bernardo, um líder político sagaz e influente, foi eternizada no livro Senador José Bernardo de Medeiros – o colosso do Seridó.
ASSENTO BATISMAL DE JOSÉ BERNARDO DE MEDEIROS |
JOZÉ, filho legitimo de João Felippe de Medeiros, e de Joanna Porfiria de Medeiros, naturaes, e moradôres nesta freguezia do Siridó, nasceo a vinte de Agosto de mil oito centos e trinta e sete, e foi baptizado com os Santos Óleos no Sitio Mulungu a vinte e quatro de outubro do dito anno pelo Padre Joaquim Felis de Medeiros, de minha licença: forão padrinhos Jozé Barboza de Medeiros e sua mulher Anna Violante de Medeiros; de que para constar mandei fazer este assento, que assigno. - O Vigr.o Francisco de Brito Guerra. |

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