JOSÉ LEÔNIDAS GALVÃO (1896 - 1973) Filho de LADISLAU EPAMINONDAS DE VASCONCELOS GALVÃO. Casou com Libânia Deolinda de Medeiros. Irmão de QUINTINO GALVÃO. Genitor de Walfredo Galvão.VENERANDA PREDICANDA BEZERRA GOMES DE MELO (1896- 1983) esposa de Napoleão Bezerra de Araújo Galvão. Genitora do escritor José Bezerra Gomes.
Tristão de Barros (1896–1936) nasceu em 21 de janeiro de 1896, na Fazenda Lajes Formosa, situada no município de Santana do Matos, no Rio Grande do Norte. Era filho do Coronel Luiz de Barros e de Dona Izabel Cabral de Macedo Barros, pertencentes a tradicionais famílias do sertão potiguar. Contraiu matrimônio com Dona Severina Araújo, filha do Capitão Antônio Florêncio, união da qual nasceu Genibaldo Barros, que mais tarde se destacaria como médico e vice-governador do Estado do Rio Grande do Norte. Farmacêutico de formação, Tristão de Barros teve breve, porém marcante, passagem pela vida pública, em um contexto político conturbado e marcado por intensas rivalidades. Em 1º de novembro de 1935, foi nomeado prefeito de Currais Novos, por indicação do então governador Rafael Fernandes, para substituir João Neto Guimarães, que exercera o cargo por menos de seis meses. Sua administração, contudo, foi abruptamente interrompida em meio ao clima de tensão política que caracterizou a década de 1930, agravado pelos desdobramentos do movimento conhecido como Intentona Comunista. Em 21 de abril de 1936, Tristão de Barros foi assassinado na cidade de Natal, em um atentado descrito como covarde, que o surpreendeu e lhe retirou qualquer possibilidade de defesa, episódio que se soma a outros crimes políticos do período, como o assassinato de Otávio Lamartine, em Acari, evidenciando a violência que permeava a cena política regional. Sua morte ocorreu após apenas cinco meses de exercício do mandato, deixando vaga a chefia do Poder Executivo municipal de Currais Novos por mais de dois meses. Somente em 1º de julho de 1936 assumiu a prefeitura Tomaz Silveira, homem descrito como sério, de poucas palavras e rigoroso no apreço pela ordem e pela moralidade administrativa, cuja gestão, embora breve, de um ano e treze dias, foi marcada por decisões firmes e diretas, preparando o caminho para a posse de seu sucessor, o Dr. José Bezerra de Araújo, que assumiu o cargo em 14 de julho de 1937.
Tomaz Bezerra de Araújo Galvão, conhecido como "Tomaz Coquinho" (1896-1979), foi uma figura de grande relevância no Seridó. Filho de Manoel Bezerra de Araújo Galvão Júnior e Francisca Umbelina Bezerra, ele se casou com Francisca Bezerra, neta do Padre Thomaz de Araújo.
Filogônio de Assis Bezerra, seu filho, descreveu o pai como uma pessoa de profunda sabedoria e princípios éticos. Apesar de ter cursado apenas até o segundo ano primário, Tomaz Coquinho transmitia aos filhos ensinamentos valiosos que demonstravam grande discernimento e coerência. Entre as frases que costumava usar, destacam-se:
"A medida do T nunca enche": Expressão que reforçava a ideia do egoísmo humano e a incessante busca por mais.
"Não fazer aos outros o que não deseja para si": Um princípio ético que incentivava a empatia e o respeito pelo próximo.
"Combinar, está combinado": Uma lição sobre responsabilidade e compromisso, alinhada com os deveres do cidadão.
"Respeito aos mais velhos": Enfatizava a importância de valorizar a experiência e a sabedoria da maturidade.
"Fumar é queimar dinheiro": Uma visão que ia além da economia, alertando sobre o alto custo e os malefícios do tabagismo para a saúde.
Segundo seu filho, referir-se a Tomaz Coquinho é lembrar de valores como honestidade, ética, moralidade, irreverência saudável e compromisso com a verdade. Ele foi um exemplo de vida e um mentor para seus descendentes, deixando um legado de caráter e integridade.
Pouco se conhece sobre a vida de Arthur Aprígio Pereira, o 18º maestro a reger a Banda de Música Euterpe Jardinense. Nascido em 4 de fevereiro de 1896, em Jardim do Seridó, filho de João Aprígio Pereira e Antônia Bezerra de Vasconcelos, foi batizado no mesmo ano, conforme registrado no Livro de Batismo da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Seus avós paternos eram Manoel Vicente Pereira e Josefa Paulina de Souto, e seus avós maternos, Vicente José Ferreira e Maria Angélica do Rosário. Arthur cresceu ao lado de seus irmãos, José, João Filho e Ivan, em uma cidade onde a música era uma das manifestações culturais mais expressivas.
É provável que a inspiração para seguir a carreira musical tenha vindo de seu pai, que foi regente da banda antes de falecer precocemente. O poeta Othoniel Menezes, que o conheceu na infância, o descreve como percussionista da banda, tocando a caixa. É provável que ele também tenha aprendido a tocar outros instrumentos, a exemplo de seu irmão João, que tocava pistão.
Em 29 de dezembro de 1939, por meio do Ato nº 19, seu padrinho de batismo e então prefeito de Jardim do Seridó, Pedro Isidro de Medeiros, nomeou-o regente da banda. Durante sua liderança, um dos marcos de sua gestão foi a criação do primeiro Regimento Interno da Banda de Música Euterpe Jardinense, que organizou e normatizou o funcionamento da instituição por meio do Decreto nº 3, de 15 de maio de 1940.
Além de músico, Arthur Aprígio era um exímio compositor, deixando obras notáveis, como a peça sinfônica "Cidade Progressista" e o dobrado "Prefeito Darcílio Wanderley da Nóbrega".
Em 29 de novembro de 1941, ele deixou a regência da banda, sendo substituído por Sebastião Gonçalves de Lima. Após sua saída, mudou-se para a Paraíba, onde se casou com Nair Moreira Pereira em Guarabira. Dessa união nasceram seus filhos Arnair, Arnides e Arnor.
Arthur Aprígio Pereira faleceu em Campina Grande, em 2 de junho de 1971, aos 75 anos, vítima de um edema pulmonar agudo. Com sua partida, a história musical do Seridó perdia uma de suas figuras mais importantes, deixando um legado de talento e dedicação que merece ser lembrado.
Agostinho Cassiano Pereira, nascido em 1896, surgiu como uma dessas figuras silenciosas, mas decisivas, que moldam a alma de uma região.
Filho de Sebastião Cassiano Pereira de Araújo e de Henriqueta Leopoldina do Espírito Santo, trazia no sangue as histórias antigas da região de Catolé do Rocha, no sertão paraibano do Brejo do Cruz, berço de sua gente, segundo o historiador Jayme da Nóbrega Santa Rosa.Partiu de lá ainda jovem, talvez guiado pelo chamado invisível das veredas que o conduziriam ao Seridó potiguar e ao chegar ao Seridó, precisamente no Saco dos Pereira, encontrou guarida na casa do Capitão José Sancho de Araújo, que ficava nas mediações do pouso de Orestes Pereira, que depois passou para a vizinha Fazenda Pinturas.Saco dos Pereira, território lendário, marcado por lidas antigas e memórias entranhadas na terra traz entre as cercas rústicas, currais poeirentos e o silêncio calcinante das tardes sertanejas, a versão de Agostinho Cassiano que fincou raízes e, pouco a pouco, encontrou novo sentido para a própria existência.Os registros do historiador confronta dados e informações sobre uma possível divergência cronológica, tendo em vista que Agostinho teria arribado àquelas paragens bem antes de 1910, mais precisamente em 1899, acompanhando o pai.
Já a tradição familiar, transmitida pelos próprios filhos, assegura que chegara sozinho na noite de festa do natal em 25 de dezembro de 1910, com apenas quatorze anos, e fora imediatamente acolhido e empregado pelo Capitão Sancho.
A coexistência dessas versões suscita uma pergunta que ecoa como enigma histórico: o que teria levado pai e filho a buscarem justamente a proteção do Capitão? Talvez a resposta resida na coincidência patronímica, pois o pai de Agostinho ostentava o mesmo sobrenome do influente anfitrião — Pereira de Araújo.
Seja qual for a data exata, certo é que o talento de Agostinho logo se impôs. Corria de boca em boca a história do burro mulo brabo, desses que só se curva diante do mais valente homem que ele conseguiu domar com destreza admirável.
Daquele gesto nasceu a promessa de casamento com Anna Santana Pereira, moça de sangue dos Pereira, parenta do Sargento Mor Manoel Esteves de Andrade e herdeira de pequena gleba encravada nas terras do Saco.
O matrimônio trouxe consigo a posse do pequeno quinhão, cuja primeira porteira se debruçava sobre a divisa com a Fazenda Pinturas. Assim, o Saco dos Pereira essa nesga de chão que carrega ecos de séculos — entrelaçou-se definitivamente à vida de Agostinho e de sua descendência. Ali nasceram seus filhos: Nemísia, Nísia, Josefa, Joanna, Inês Amerinda, José, Maria e Manoel Pereira, o “Manoel Vermelho”, nome que ainda ressoa nas lembranças dos mais moços.
A fama das habilidades de Agostinho espalhou-se pelos arredores. Era mestre em tudo aquilo que o sertão exige de mais duro: vergava a teimosia dos burros brabos, amansava bois para a canga, lidava com o perigo como quem dialoga com um velho conhecido.
Sua vida era a expressão serena do sertanejo que aprende cedo que a sobrevivência depende tanto da coragem quanto da paciência. Partiu deste mundo em 9 de abril de 1984, deixando atrás de si não apenas uma família numerosa, mas o rastro firme de um homem que abriu caminhos com as próprias mãos.
Entre seus descendentes, destaca-se Delmiro Pereira da Silva, o Ivo Pereira, filho de José Lino Pereira e de Anita Leonizia da Silva. Lembrando que José Lino era filho de Agostinho e Anita era filha de Orestes Pereira que também era o pai de Francisca Elita e com esta Agostinho se matrimoniosse pela segunda vez gerando três filhos, Francisco, Ana e Maria.
Ivo Pereira, por sua vez, traz em sua trajetória, o fio contínuo da linhagem de Agostinho. Casado com Elizabeti Tarouquela da Silva, é pai de Carolini, Ivan e João Pedro, todos nascidos no Rio de Janeiro, uma prova viva de como os ramos da árvore familiar se espalham pelo mundo, mas nunca rompem o vínculo com o tronco que lhes deu origem.
A história desse tronco, porém, remonta a tempos ainda mais recuados. Antes de 1802, as glebas do Saco passaram das mãos de Nicolau Mendes para seu primo, o Sargento-Mor Manuel Esteves de Andrade.
Sem herdeiros diretos, Manuel repassou-as aos sobrinhos Francisco Pereira e Antônio José Pereira, que aparecem em 1802 como proprietários em escritura que doa parte do território a Nossa Senhora da Guia. Desde então, o Saco dos Pereira se confundiu com o nome dos Pereira, que ali se enraizaram e moldaram a paisagem humana.
O topônimo “Saco dos Pereira”, ou “dos Pereiro”, sempre alimentou conjecturas. Há quem afirme que deriva do pereiro, árvore rústica de casca clara, guardiã de sombras na caatinga; outros sustentam que nasceu da presença marcante dos Pereira, que ali plantaram seu destino no alvorecer do século XIX.
Hoje, o Saco ainda respira história. Damiana Jacinta, neta da centenária Vicência, da família Inácio, traçou com mãos de memória um mapa do lugar, contendo casas dispersas, caminhos antigos, serras que vigiam o horizonte, limites que falam tanto quanto as pessoas. Sua cartografia afetiva revela que, embora o tempo transforme tudo por fora, o âmago permanece e a tal terra segue testemunhando a vida dos que ali nasceram, trabalharam, amaram e repousaram.
Assim se costura a narrativa dessa gente que é feita de bravura, de alianças familiares, de conquistas obtidas tanto pelo mérito quanto pelos laços matrimoniais de permanência numa terra que dá e exige; feita, sobretudo, da transmissão silenciosa de um legado que insiste em atravessar gerações.
No despontar do século XVIII, o sertão do Seridó desenhava-se como fronteira em franca expansão, um horizonte que atraía proprietários empenhados em erguer fazendas e consolidar domínios territoriais.
Entre esses desbravadores, figura já mencionado anteriormente o Sargento-Mor Manuel Esteves de Andrade, paraibano que fincou raízes profundas na região. E construir uma capela, naquele tempo, transcendia a devoção: era gesto civilizatório, ponto de partida para o ajuntamento humano, núcleo espiritual e social das almas dispersas na vastidão da caatinga.
Convém, então, voltar o olhar para o processo de fundação da Capela de Nossa Senhora da Guia, marco zero de Acari, e penetrar tanto nos trâmites oficiais quanto nas brumas da tradição oral, preservada por Manoel Vermelho, filho de Agostinho Cassiano, e por Onéssino Onésias, sobrinho da famosa comadre de Agostinho, Francisca Pereira, ou Chiquinha viúva, parente próxima do Sargento-Mor.
Para compreender a gênese do povoado, é imperioso consultar os alfarrábios eclesiásticos. Em 1736, o dito Sargento-Mor, já estabelecido, dirigiu petição a Dom José Fialho, Bispo de Pernambuco. Alegava, com pragmatismo, as dificuldades impostas pela distância de oito dias de jornada até a matriz mais próxima, o que comprometia o cumprimento dos sacramentos.
Como garantia de perpetuidade do templo que pretendia erguer, ofereceu meia légua de terra, cujo arrendamento anual renderia dez mil réis destinados à manutenção da igreja.
A provisão episcopal foi concedida em 12 de novembro de 1737. Concluída a obra, uma segunda súplica pediu autorização para benzer o templo e realizar nele os ofícios divinos. O fiat veio em 14 de abril de 1738, com a ordem para que se procedesse à bênção, comprovados os requisitos canônicos.
Mas se os documentos registram a obrigatória frieza burocrática, a voz do povo guarda a alma dos acontecimentos. Duas versões tentam explicar o que moveu o coração do fundador. Uma delas, romântica, atribui a construção a um pedido de sua mãe, devota residente na Bahia, que teria recusado mudar-se para o sertão sem a proximidade de um altar.
A análise crítica enfraquece essa tese, considerando que nada nos documentos a sustenta, e a história registra que a matrona jamais pisou em solo potiguar.
A tradição oral, entretanto, preservada por Manoel Vermelho e Onéssino, aponta para uma origem dramática. Conta-se que, em meio à caatinga nas mediações do Sítio Pindágua, o Sargento-Mor foi perseguido por índios Tapuias Tarairius que se denominavam Otshicayaynoe, aborígenes descritos pelos arqueólogos como robustos, aguerridos e ferozes no combate.
Em desespero, o Sargento-Mor teria clamado: “Valei-me, Nossa Senhora da Guia! Livrai-me do animal selvagem! Onde em terra firme eu puser os pés, ali erguerei a vossa santa casa.” Livrado do ataque, cumpriu o voto.
Essa versão, alinhada ao costume sertanejo das promessas feitas em momentos de aflição, soa mais verossímil e guarda paralelos com as narrativas de fundação de Caicó e de Currais Novos, igualmente marcadas por promessas em tempos de perigo ou seca.
Desse modo, a capela foi erguida numa esplanada elevada, com a frontaria voltada para o norte, dominando a paisagem. À esquerda, Manuel Esteves construiu a primeira residência de alvenaria do povoado, que abrigou párocos, sacristães e visitadores eclesiásticos até 1908, quando deu lugar ao Grupo Escolar Tomás de Araújo, hoje sede da Câmara de Vereadores.
Para si, ergueu um pouso mais modesto a noroeste do templo, anexo a um curral, funcional para quem precisava trazer gado nos períodos santos.
Séculos depois, em 4 de outubro de 1972, uma expedição liderada por Jayme da Nóbrega Santa Rosa e por Edmundo Gomes da Silva visitou o Saco dos Pereira. Ouvindo moradores como Júlio Gomes de Araújo e Joaquim Silvério Dantas, reconstruíram fragmentos do passado.
A pesquisa confirmou que o local escolhido pelo fundador era próximo aos poços do rio Acauã, cujas águas abundantes garantiriam vida e florescimento ao povoado. Embora Manuel Esteves não tenha deixado descendência direta, sua linhagem colateral, exemplificada por Chiquinha Viúva, perpetuou seu sangue na região até Ubaldo, Chico e Sônia, filhos de Onéssino Onésio da Silva (1924–2016).
A fundação de Acari revela-se, assim, obra de dupla natureza. Foi um ato formal, legitimado pela Coroa e pela Igreja, mas foi também fruto humano, nascido de uma promessa em momento de extremo perigo. As ações do Sargento-Mor Manuel Esteves de Andrade não ergueram apenas uma capela, fundando, entrementes, um núcleo social, cultural e espiritual, provando que a história do Seridó é escrita tanto com a tinta dos cartórios quanto com o suor e a coragem dos homens destemidos.
Ten. MANOEL BEZERRA DE MEDEIROS (1896 - 1974). Casou com Herundina Bezerra de Oliveira (Dona Dina) em 1918. Ela nasceu em 1900 e partiu em 1979. São os filhos da esquerda para a direita: Maria Conceição; Moisés; Ana; Maria de Lourdes (Mariquinha); Clóvis (esposo de Neuza); Neuza; Nalva; José Genival; Terezinha; Maria Terceira. As crianças são: Geraldo e Francisco. As crianças da frente são filhos de Neuza e Clóvis.
"Nós não herdamos o mundo de nossos antepassados, nós o pegamos emprestado dos nossos filhos."







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