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1879

  Enéas Pires Galvão nasceu em Acari, Rio Grande do Norte, no ano de 1879, e faleceu na mesma cidade em 1961, deixando um legado político e familiar profundamente enraizado na história do Seridó. Filho de Antônio Pires de Albuquerque Galvão, o Major Pires, e de Porfíria Alexandrina de Jesus, Enéas pertencia a uma tradicional família seridoense, marcada por numerosa descendência e intensa atuação política e econômica. Entre seus irmãos destacam-se Francisco Pires Galvão, Francisco Elviro Pires de Albuquerque, Antônio Pires Galvão Filho, Cipriano Pires Galvão, Leônidas Pires Galvão, Ana Pires Galvão, Lindolfo, José, Theresa, Horácio, Porfíria Eusébia, João Deão, Júlio, Gentil e Regina Pires de Albuquerque.

Enéas residiu por longos períodos na Fazenda Acauã e manteve morada na Praça Cipriano Pereira, em Acari. Posteriormente, transferiu-se para a Fazenda Cabeço Branco, vizinha à Acauã, deixando a primeira propriedade para sua filha primogênita, Francisca Pires Galvão. Casou-se em primeiras núpcias com Maria Cândida de Araújo, com quem teve quatro filhos: Francisca, José, Beatriz e Maria. Após se tornar viúvo, contraiu segundas núpcias com Joana Leopoldina Pereira de Araújo, gerando Antônio, Terezinha e José Segundo Pires. Sua descendência, numerosa e integrada à sociedade local, manteve viva a tradição da família nas esferas política e social do Seridó.

A carreira de Enéas Pires Galvão como homem público foi marcada por longos períodos de liderança em Acari, exercendo o cargo de Intendente Municipal por seis mandatos e sendo eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Norte. Entre suas realizações mais notáveis destaca-se a inauguração do sacro Monte do Galo, em Carnaúba dos Dantas, marco religioso e cultural da região. Enéas foi, assim, uma figura que consolidou e expandiu o legado político herdado do pai, afirmando-se como um líder de influência regional e estadual.

Seu pai, Major Antônio Pires de Albuquerque Galvão, nasceu em 1849, também em Acari, e faleceu em 1934, deixando uma trajetória emblemática de proprietário rural, militar de alta patente na Guarda Nacional e político influente. Casado em primeiras núpcias com sua prima Porfíria Pires Alexandrina de Jesus, teve onze filhos, entre eles Enéas, e, após se tornar viúvo, uniu-se a Natália Augusta de Araújo, da família Brito, consolidando ainda mais a presença da família no cenário social e político do estado. Como empreendedor, destacou-se pela introdução de uma máquina de descaroçar algodão na região, um marco da modernização econômica local. Militar de carreira, foi nomeado Major em 1888 e promovido a Tenente-Coronel em 1918, enquanto sua atuação política incluiu presidência e participação em diversos triênios da Intendência Municipal de Acari, reforçando a imagem de um patriarca que conciliava poder econômico, influência militar e liderança política.

A influência da família Pires atingiu seu ápice em 1930, quando três primos — Enéas Pires, Joca Pires e Gonzaga Galvão — ocuparam simultaneamente cadeiras na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, demonstrando a extensão e a consolidação de seu prestígio político. Assim, a trajetória do Major Pires e de seu filho Enéas evidencia a construção de um poder familiar duradouro, cuja atuação política, moderna na economia e comprometida com a terra e a comunidade, deixou profunda marca na história do Seridó, perpetuando o nome da família como referência de liderança, visão estratégica e engajamento cívico na região.



    CECÍLIA CELESTINA PIRES GALVÃO  (1879/1970) esposa de João Alfredo Pires de Albuquerque Galvão. Genitora de Arão Pires Galvão, Lauro Pires Galvão e de Cantídia Auda Galvão. 




   JOSÉ BEZERRA DE ARAÚJO  (1879/1964) , Zé Bezerra do Baixio, Jucurutu/RN. Casou duas vezes. A primeira com Lydia Elisa de Araújo (Dona), e a segunda com Maria Dina de Araújo. Genitor de Brasiliana de Araújo Brito. Jucurutu RN.

 Edwiges Auta de Araújo (17/11/1879 - meados da década de 1960), Zeladora do Apostolado da Oração de Acari/RN, é retratada em uma fotografia datada de 13 de outubro de 1926. Filha de Cândida das Mercês (1853-1940), que também atuava como Zeladora, Edwiges era irmã de Vicência Otília, esta última uma Associada do 2º grau. Edwiges faleceu solteira.

Os estatutos do Apostolado da Oração, em vigor de 1869 até 1958, dividiam os associados em graus, conforme suas práticas devocionais. O 1º grau era composto por aqueles que recitavam o Oferecimento Diário, tornando-se automaticamente membros da Arquiconfraria do Sagrado Coração em Roma. O 2º grau incluía os que, além do Oferecimento, rezavam uma dezena do Rosário; estes se organizavam em quinzenas e trintenas, sob a orientação de um Zelador, e eram agregados como membros da Obra Pia do Rosário Vivo, em Roma. Por fim, o 3º grau abarcava os que, além das práticas anteriores, praticavam a Comunhão Reparadora, subdividida em sessões de comunhão diária, semanal e geral, e agrupavam-se em Trintenas.

 


  ANUNCIADA CÂNDIDA DE MEDEIROS (1879/1964). Filha de Pedro Paulo de Medeiros Dantas e de Maria Benta de Albuquerque.
Irmã de Manoel Sergio Dantas, João Raphael Dantas e outros.

 

 


 

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