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1885

 Filha do Coronel José Bezerra de Araújo Galvão e de Antônia Bertina de Araújo, Tereza Bertina de Araújo Bezerra — a afetuosamente lembrada “Dona Tetê” — nasceu em Currais Novos em 11 de agosto de 1885, quando a pequena urbe sertaneja já se destacava como berço de vastas famílias, cujos ramos se entrelaçavam na tessitura social do Seridó. Sua existência viria a se unir, de forma decisiva, à memória de uma das casas mais emblemáticas da região: a família Salustino, cujo nome se tornaria indissociável de um período áureo na história econômica do Rio Grande do Norte, irradiado pela monumental Mina Brejuí, então considerada a maior produtora de scheelita da América do Sul.

A linhagem Salustino germinara em Manoel Salustino Gomes de Macêdo, casado com Ananília Regina de Araújo, ele próprio filho do capitão da Guarda Nacional José Gomes de Mello e de Urçula Francelina de Jesus. Daquele tronco primeiro, nasceram descendentes numerosos, que haveriam de estender seus laços por todo o Seridó. Manoel Salustino possuía irmãos que figuraram entre as primeiras raízes desse grande clã: Luiz Gomes de Mello Lula; Benedito Gomes de Mello; Maria Urçulina de Jesus, consorciada com o capitão Laurentino Bezerra de Araújo Galvão; José Gomes de Mello Júnior; Joaquim Severiano Gomes; e Francisco Umbelino Gomes.

Do segundo enlace do capitão José Gomes de Mello — este celebrado com Maria da Conceição Gomes — surgiu outro feixe de descendência: Úrsula Augusta Gomes Cortez, casada com Manoel Pegado Dantas Cortez; Guilhermina Regina Gomes, esposa de Francisco Vicente Dias de Araújo; Josefa Gomes, unida a Manoel Antônio Elói de Oliveira; Maria Regina de Araújo, casada com Francisco Umbelino de Araújo; Francisca Xavier Gomes, consorciada com Antônio Xavier Dantas; além de André Avelino Gomes de Mello; Miguel Salustino Gomes de Mello; e Rita Clementina de Macêdo Gomes de Mello, esposa de Manoel Gomes de Mello Júnior.

Embora difundido como sobrenome pleno, o nome “Salustino” possui origem diversa: não nasceu como apelido de família, mas como prenome — Manoel Salustino Gomes de Macêdo, o patriarca. Foi por iniciativa de seu filho, Thomaz, que o prenome se converteu em patronímico, perpetuando-se entre os descendentes diretos, enquanto os demais ramos oriundos de José Gomes de Mello conservaram o sobrenome “Gomes”. Assim se formaram duas grandes vertentes que, unidas pelo sangue, mas diferenciadas pela onomástica, expandiram-se em incontáveis ramificações, até tornarem-se uma das famílias mais extensas e influentes do Seridó.

Inserida nesse panorama de linhagens vigorosas, Dona Tetê cresceu entre histórias de mando, tradição e honradez, características de famílias sertanejas antigas. Aos dezoito anos, uniu-se em matrimônio ao magistrado e empreendedor Thomaz Salustino Gomes de Mello, futuro Desembargador, figura de prestígio na administração pública e protagonista de importantes iniciativas do progresso regional. A cerimônia realizou-se em 21 de julho de 1904, marcando o encontro de duas estirpes influentes e inaugurando a formação de uma família numerosa, cuja presença viria a balizar capítulos inteiros da história local.

Do consórcio nasceram José, Antônia, Manoel, Sílvio, Ananília, Giselda, Venceslina, Idália, Cleonice, Cordélia, Edgar, Maria Cordélia e Terezinha — filhos que herdaram, cada qual a seu modo, a solidez moral da mãe e o espírito empreendedor do pai. Era um lar vigoroso, de convivência intensa, irradiador de valores que sedimentaram, ao longo das décadas, a reputação da família Salustino como uma das mais representativas da região.

Dona Tetê, cuja vida acompanhou as transformações econômicas, sociais e políticas do Seridó durante quase um século, viu Currais Novos crescer entre o labor do algodão, o fervilhar das casas comerciais e o apito distante dos motores que moviam a exploração mineral. Viveu suficientemente para assistir ao ocaso de velhas tradições e ao nascimento de novos tempos, sempre atravessando essas transições com dignidade serena, firmeza de caráter e extraordinária longevidade.

Faleceu em sua terra natal aos 19 de janeiro de 1976, aos noventa anos, rodeada pelo prestígio de seu nome, pela admiração dos que lhe eram próximos e pela aura de virtudes que tecera, com paciência de tecelã, ao longo de uma vida inteira dedicada à família, à comunidade e à preservação das memórias que definem a identidade do povo seridoense.

Assim se perpetua a figura de Tereza Bertina de Araújo Bezerra: como matriarca, como herdeira de tradições antigas e como testemunha privilegiada da história de Currais Novos, entrelaçada para sempre às tramas da família Salustino e às raízes profundas que sustentam a memória da região.


MARIA AUGUSTA BEZERRA DE ARAÚJO (1885/1958)  . Filha de  Félix de Araújo Pereira Filho (1862/1937) e de Maria Getúlia Bezerra de Araújo (1863/1940). Esposa de Cipriano Pires Galvão (1878/1949). Genitora de Sílvio Bezerra Pires (1905/1907); Sofia Pires GAlvão (1911/1938); Amália Bezerra Pires (1914/?); Alice Bezerra Pires (1921/1967); Maria Pires Bezerra (1924/1989) e outros. 



 PORFÍRIA PIRES DANTAS (1885 /1917) 


   VICÊNCIA OTÍLIA PEREIRA DE ARAÚJO  (1885/1945) primeira esposa de Hermógenes Pereira de Araújo (1884/1954). Genitora de Jayme Pereira de Araújo. Irmã de Leonila Sérvula de Araújo.


 JOSÉ BELÍSIO DE ARAÚJO (1885/


Nasceu na Fazenda Timbaúba em 23 de janeiro de 1885. 

Do casal Zezinho Clemente e Conceição nasceram: Luzia Teixeira de Araújo, casada com José Migas de Araújo. - Miraci Teixeira de Araújo, casado com  Altamira, foi uma figura singular nos meios sociais.  É patrono de uma das Escolas de sua cidade: Timbaúba dos Batistas/RN.  Arlinda Teixeira de Araújo, faleceu solteira.  João Paulo Teixeira de Araújo, solteiro, é um boêmio ... José Belísio de Araújo Filho, casado com Ana, ex-combatente na Segunda Guerra Mundial.  Maria de Lourdes Torres, casada com Francisco Torres.  Manoel Teixeira de Araújo, (Dr. Teixeira), casou com Lídia; é Oftalmologista na Prontoclínica de Olhos em Natal/RN.  Antônia Teixeira de Araújo, é solteira e costureira fina.  Francisco Calazans de Araújo, (Dr. Teixeirinha, Dr. Calazans), casado com Zizelda;  formou-se em Odontologia e Farmácia.  Reside em São Paulo, onde exerce a profissão de Odontólogo. Embora sendo intelectual, tem muito mais de humorista.  Devoto de Nossa Senhora de Sant'Ana, é um verdadeiro peregrino de Sant'Ana,  participando todos os anos da Festa na cidade de Caicó/RN.

Zezinho Clemente já velhinho caducava muito  e suas caduquices o deixavam doido por mulheres. Faleceu em seu quatro, na casa de seu filho Miraci, em Timbaúba dos Batistas/RN. Conceição, católica fervorosa,  exemplo de uma mulher fiel a Deus e sua igreja,  faleceu vítima de complicações cardio-respiratórias, na sua casa em Caicó/RN.  O casal está sepultado no Cemitério São Vicente de Paula em Caicó/RN.


AUTOR:  Arysson Soares  



  VICENTE FERREIRA DA SILVA JÚNIOR  (1885/1962) Irmão de Basílio Ferreira da Silva. Tio de Gentil Ferreira da Silva; Inês Segunda Marçal e outros. Residiu na Praça Cipriano Pereira, antiga praça Getúlio Vargas, Acari/RN, na primeira metade do Século XX.
 Família nobre, das mais antigas, cujas origens não são bem conhecidas. Parece ser de origem castelhana e o seu solar a vila de Ferreira, no reino de Castela, hoje chamada Herrera de Rubisverga, na entrada da terra de campos. A pessoa mais antiga deste apelido mencionada pelos genealogistas é D. Álvaro Rodrigues Ferreira rico-homem de leão, que vivia por 1170, senhor de Meilas, hoje Mancilhe de la Serra, em Castela-a-velha, o qual se diz ter sido meirinho de leão. Parece que, de sua mulher, teve D. Rodirigo Álvares Ferreira, que foi senhor do solar da vila de Ferreira e chefe da família dos Herreras, D. Fernando Álvares Ferreira e D. Teresa Álvares Ferreira, mulher de D. Sancho Nunes de Barbosa. D. Fernando Álvares Ferreira, supra citado, viveu em Portugal no Paço de Ferreira, situado na freguesia de S.João de Eiris, concelho de Aguiar de Sousa, e serviu o reis D.Sancho I, de quem foi rico-homem, e dele recebeu em mercê muitos herdamentos no referido concelho. Do seu matrimonio nasceram filhos, dos quais provem os Ferreiras, de Portugal. Dos Ferreiras disse oi bispo de Malaca, D. João Ribeiro Gaio, nos seus versos: Três barras trazem douradas postas em campo sanguinho dos Ferreiras assentadas vemos os dAntre Douro e Minho de gente mui afamadas. Manuel de Sousa da Silva também lhes dedicou a seguinte quintilha: Em Vila Verde de airiz Junto do rio Ferreira Foi a morada primeira Da progenia que se diz Dos Ferreiras verdadeira.


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